Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
Olha, eu não acredito muito em destino ou em um roteiro mágico escrito nas estrelas. Mas quando olho para você, a certeza vem de um jeito tão real que assusta: se a gente não nasceu um para o outro, a gente se refez perfeitamente para caber na vida um do outro. Se alma gêmea existe, ela não nasce pronta; é o que a gente se tornou.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
Eu gosto de música antiga porque ela tem pressa de sentir, não de acabar; cada nota ali é um pedaço de alguém que amou, chorou e viveu de verdade, nos ensinando que o tempo pode até levar as pessoas, mas a alma do que elas sentiram fica eterna se a gente souber escutar.
Muitas vezes eu fico me perguntando: será que a gente se sente só por não ter amigos ou porque deixou de confiar nas pessoas?
Não quero ser o seu dono e nem o seu escravo: eu quero ser o seu par, caminhando lado a lado sem que ninguém precise ditar o passo.
Se um dia eu perder a memória por completo, não chore; apenas segure a minha mão, porque o meu cérebro pode esquecer o seu nome, mas o meu coração ainda vai reconhecer você.
Eu guardo a minha empatia para quem é vítima da ignorância, não para quem escolhe se fingir de cego só porque a mentira do pastor soa bonita.
Se eu pudesse ter um superpoder, seria o de não sentir nada; ninguém imagina as inseguranças que existem nesse meio, ou os sentimentos que nos machucam e, mesmo assim continuamos e permanecemos fiéis a quem somos, tudo em nome do amor, porque o amor também pode ser dor.
Tentamos esquecer muitas coisas para seguir em frente em paz, mas, hora outra, sentimentos de rejeição, nojo e incompreensão voltam pra lembrar nossos enormes erros, e somos injustamente culpados por tudo o que pensamos; ninguém compreende verdadeiramente a sensação de querer ficar bem, apenas para ser puxado de volta à estaca zero.
Até ficar preso eternamente em um trilho emocional de : Você já disse o que queria dizer, então por que repetir? E por que continua pensando nisso, se ela sempre afirma o contrário?
É do orgulho, mas também da dor, da insegurança e do medo. Muitos estão confusos, mas também muitos verdadeiros que sofrem por esses confusos e suas histórias tumultuadas.
Eu ja morri tantas vezes, que meu coração e minha mente não sabe ao certo onde está. Um buraco se formou no peito e vazio na alma. As vezes não me reconheço, e me pergunto quem sou eu? . Perdida em um imenso vazio, luzes apagadas, sigo a jornada que nem sei onde vai dar.
"Ser feliz não é fácil. Dá medo, sim. Pouca gente topa esse desafio.
Eu topo, mas confesso: sinto um frio na barriga.
Quem é feliz de verdade já fez as pazes com a vida e com a morte. Às vezes, quando estou muito feliz, bate um aperto no peito. Me assusto. Sou medrosa, sim.
Tenho medo de viver porque viver um dia acaba.
E o mundo, muitas vezes, é duro com a gente. Mas mesmo com medo, mesmo com o mundo sendo difícil,
eu escolho ser feliz.
Não porque é fácil, mas porque vale a pena.
E cada dia de alegria é uma coragem que a gente treina,
um passo de cada vez, com o coração aberto."
Coisa de Gente!
Alexandre Sefardi
Ela só deixa ver o que permite; não é preciso um 'deixa eu entrar'. Basta perceber e entender seu coração, sua alma e suas ações. Daí em diante, o acesso é livre.
"Eu oro de madrugada." Isso não prova espiritualidade. Católicos rezam, muçulmanos também. Deus quer mais do que orações: quer obediência. "Obedecer é melhor do que sacrificar." (1 Samuel 15:22)
O que eu sou vem um pouco da minha essência e o que o Exército me ensinou a ser. Não consigo ser diferente.
Eu ser pequeno diante de Deus, não significa que eu seja pequeno diante das pessoas. Somente diante de Deus!
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