Eu Nao sou Perfeita So apenas eu
Meu filho, foi gerado no meu coração, ele está dentro e fora de mim, eu não sabia se um dia, eu iria escutar alguém me chamando de mãe, obrigada meu filho, você é o meu coração andando por aí.
Eu
Vivendo minha vida
Num mundo que não é meu
Uma lâmpada
Acendida anteontem
Esquecida
Quando amanheceu
Uma voz rouca e profunda
Fruto
De relação desarmônica
Vendo outros olhos
Que veem
Entendo
Que vendo o que veem
Não enxergam nada
Ou pouco dizem
Creio-lhes eu
Pode ser que sofrendo
Insuficiência verbal aguda
Mudas
Corações moldados
Em rocha intrusiva
Uma relação harmônica
Plutônica erosiva
Crônica, agudizada
Cínica em seu modo
Em desarmonia com o meu
Uma lâmpada acesa lá fora
Cá dentro, um lugar à mesa
Creio eu
Pode ser um dia.
Edson Ricardo Paiva.
Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não louvar, eu louvo. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não orar, eu oro. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu desistir, eu não desisto.
Sobre Abusadores e Abusados
Eu...fui uma criança que não conheceu o pai e era feliz assim, até que aos quatro anos de idade levei um tapa na cara de um gigante muito forte enquanto com um canecão de alumínio despejava água para que o gigante escovasse sua dentadura, e foi assim que conheci o meu padrasto.
Com o tapa, que mais percecia um soco mesmo, cai, bati com o queixo no chão e de alguma forma cortei o céu da boca e doeu, e sangrou bastante. Assim foi a minha vida até os 16 anos quando finalmente eu criei coragem e fugi para São Paulo com uma namorada e lá construímos nossa própria família.
Foram 12 anos de abusos físicos e psicológicos, e naquele tempo era aceitável pelas Leis, e minha mãe também vítima de abusos psicológicos, pois nunca presenciei agressão física contra ela, aceitava tudo de boa.
Ninguém veio me salvar. Ah! Como eu sonhava com isso. Não consegui amar de verdade minha mãe até o dia que ela faleceu, não conseguia entender a razão de ela não ter feito nada todas as vezes que ele me bateu.
Hoje vejo o povo Venezuelano, que por anos vem apanhando, e nós? Da América do Sul nada fizemos. Salve os Norte Americanos!!!
sorrir
pra não chorar de saudade
da felicidade
daquele seu olhar
quando eu chegava e batia palmas lá no seu portão
você atendia brava e perguntava
por onde eu andava por onde eu andava por onde eu andava
por onde eu andava
que não vem me visitar
por onde eu andava você perguntava por onde eu andava
por onde eu andava
que não vem me visitar
eu vou sorrir
sorrir pra não chorar de saudade daquele seu olhar
que me perguntava por onde eu andava por onde eu andava
por onde eu andava
que não vem me visitar
que me perguntava por onde eu andava
por onde eu andava? que não vem me visitar
Eu comprei por que saía barato
Mas depois de analisar meu extrato
Percebi que não comprar saía mais barato
O impossível passou do meu lado
Estava chovendo
E eu com o possível abraçado
Não me molhei
E ele saiu correndo coitado
Quando tudo coopera para eu não louvar, eu louvo. Quando tudo coopera para eu não orar, eu oro.Quando tudo coopera para eu desistir, eu persisto.
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Sua dor é a minha dor. Mesmo longe de você, eu sinto você. Não estou te vendo, mas há coisas que você está passando que eu sinto... porque o nosso laço não depende dos olhos para ver, ele já aprendeu a respirar no escuro do silêncio.
A Geografia da Perdição
“Eu não me perdi, mas experimentei a perdição.”
(Clarice Lispector)
Talvez exista uma distância imensa entre perder-se e conhecer a perdição. Quem se perde já não sabe para onde vai. Quem experimenta a perdição, porém, pode saber exatamente onde está e, mesmo assim, caminhar por territórios onde a razão aconselharia não entrar.
Viver também pode ser isso: chegar perto do abismo sem fazer dele morada. Conhecer a noite sem desistir da manhã. Provar o gosto amargo de certas escolhas e compreender, muito depois, que algumas cicatrizes não anunciam derrota; apenas testemunham que atravessamos lugares difíceis e conseguimos regressar.
Existem lugares dentro de nós onde não deveríamos morar.
Às vezes damos voz aos nossos medos, oferecemos cadeira às dúvidas e permitimos que determinadas tristezas permaneçam além do necessário. Há dias em que a esperança parece apenas uma palavra inventada para tornar a existência suportável. E, ainda assim, alguma coisa permanece acesa.
Por isso, talvez a frase seja tão poderosa:
Eu não me perdi.
Experimentei a perdição.
Há uma estranha sabedoria nisso. Quem conheceu suficientemente a escuridão talvez compreenda que a luz não serve apenas para iluminar o caminho ela também nos chama de volta.
A vida não exige que atravessemos o mundo intactos. Talvez exija apenas que, depois de cada tempestade, ainda sejamos capazes de reconhecer o nosso próprio nome.
Porque existem viagens das quais regressamos diferentes.
Há quedas que nos ensinam a dimensão da altura.
Há silêncios que nos devolvem a voz.
E existem perdições que, paradoxalmente, acabam revelando um caminho.
Eu não me perdi.
Apenas fui longe o bastante para descobrir onde, dentro de mim, ainda morava a vontade de voltar.
Querer não é poder", diz a razão, mas o amor não entende de lógica. Se eu pudesse, subiria no ponto mais alto desta cidade para gritar o seu nome aos quatro ventos, desafiando a distância e o tempo, apenas para que o mundo inteiro soubesse o tamanho do que sinto por você.
Eu não sei se existem outras vidas depois que a gente morre, mas gostaria de te conhecer em todas as vidas pelas quais eu passar.
"...não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que
é sede; e também eu, não me perdi, experimentei a perdição."
Clarice Lispector
Trecho da Crônica "Mineirinho"
