Eu Nao sou Perfeita So apenas eu

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Vulnerável

Sou vulnerável, sim —
às bobagens que dançam no ar,
às palavras miúdas que ninguém quis guardar,
a um olhar que escapa, sem querer,
e às ideias que invento sem saber.

Sou feito de brechas e de vento,
de silêncios que gritam por dentro,
de gestos que não se explicam,
de sonhos que se multiplicam.

Basta um riso torto, um suspiro alheio,
e já me desfaço inteiro.
Não é fraqueza, é excesso de sentir,
é viver com o coração sempre a descobrir.

Imagino mundos em cada gesto,
crio histórias onde só há restos,
e me perco — doce e profundo —
no que talvez nem exista neste mundo.

Sou vulnerável, e nisso há beleza:
ser tocado pela leveza,
ser inteiro na incerteza,
ser humano na delicadeza.

Roberval Pedro Culpi

Naquele dia, descobri que também sou capaz de amar. Percebi que, ao aprender a amar minha própria companhia, muitos passaram a acreditar que não tinham importância para mim.

Sombras


Descobri que sou sombra,
sombra dos meus medos,
da minha insegurança.


O que faço, outros levam,
o mérito, o brilho, o nome.
Fico com o resto, com o eco.


Sou sombra da minha própria mediocridade,
mas está tudo bem.
Meus olhos, há muito,
se acostumaram ao breu.


Aprendi a ser invisível:
a estar sem ser,
a falar e ser silenciada
por gestos sutis,
por olhares que não me veem.


Já não me importo.
Já não espero.
Já não pergunto
se aquele sorriso era pra mim.


Aprendi.
Aprendi a ser sombra.

"Aprendo com as falhas, as cicatrizes me deixam mais forte. Tenho orgulho de quem sou, tentando não ser orgulhoso."

Bipolar Nata


Sou melancolia que abraça,
sou pureza que acalma,
sou sedução que queima.


Troco de pele como quem respira:
uma hora sou cura,
outra hora ferida aberta.


Minhas fases assustam,
meus abismos contagiam,
minha intensidade pesa.


Mas não sei ser menos.
Nasci assim:
bipolar, inteira,
sempre demais para caber em pouco.

“Gosto de ser feliz, tanto que sou.”

"Sou poeta perdido nesse labirinto de poesia,
mas em teus olhos encontrei meu verso de magia.
Neles brotam os versos mais doces e profundos,
reflexos de amor que atravessam o coração imundo"

A dor me mostrou quem sou,
o amor me mostrou quem posso ser.
Entre lágrimas e sorrisos,
descobri que viver
é aceitar que ambos caminham juntos.
K.B

⁠Queria sentir-me viva de propósito;
Sinto-me enclausurada dentro de mim;
Sou meu próprio algoz;
Sufocada pela inércia;
Como sair desse vazio?
Como vencer meu Eu?
Talvez eu goste do sofrer;
Talvez a felicidade não seja suficiente;
Estou enlouquecendo?
Torturando-me dia após dia;
Não consigo chegar no ponto de partida;
Não consigo enxergar a saída desse círculo vicioso;
Estou vendo o tempo passar diante dos meus olhos;
Estou presa sem grades ao meu redor;
Paralisada na imensidão de pensamentos inúteis, que não chega a nenhum lugar;
Esperando, esperando e esperando;
Apenas existindo.

O Arquiteto da Eternidade

Sou o marinheiro perdido no mar,
sou o piloto que teme ao aterrissar,
sou resistência que insiste em lutar,
sou nuvem clara a te guiar.

Sou a dor que ensina a viver,
a ferida que insiste em florescer,
sou pedra que aprende a renascer,
sou o fim de guerras que vão se perder.

Sou você ontem, sou ele amanhã,
eco profundo em túnel de afã,
sou a eternidade que nunca se cansa,
sou busca e luz, sou fé e esperança.

Sou guia do profeta, voz que consola,
sou invisível presença que te ampara e rola,
sou quem responde antes da pergunta soar,
sou o onipotente a te guiar e cuidar.

Sou Deus, sou força, sou arquiteto do céu,
sou o universo contido no véu,
sou tudo e nada, sou tempo e direção,
sou o eterno pulsar do coração.

SOU FRUTO QUE ANCESTRALIDADE ALIMENTOU!

Bebo na fonte dos que vieram antes.
E cada gole é história, é sangue, é luta.

Luiz Alberto, voz que atravessou paredes e leis, plantando sementes no chão do parlamento.
Luiza Bairros, que caminhou sobre pedras e flores, deixando pontes para quem viesse depois.
Makota Valdina, guardiã do sagrado, que ensinou que rezar também é resistir.
Lélia Gonzalez, afiada como lâmina, que cortou o silêncio imposto à nossa existência.
Abdias Nascimento, que fez da arte um quilombo e da palavra, um grito que não se cala.
Beatriz Nascimento, que nos mostrou que quilombo é mais que terra — é corpo, é memória que se move.
Jaime Sodré, que guardou saberes como quem protege um tesouro.
Rufino, que mantém aceso o canto dos que vieram de longe e nunca deixaram de chegar.

Eles e tantos outros são como raízes que rasgam a terra para encontrar água.
São como árvores que mesmo sob tempestade não se curvam.

Eu bebo desse legado.
E, ao beber, me fortaleço.
Ao beber, lembro:
resistir não é escolha, é necessidade.

A Justiça Racial não é um sonho que se guarda na gaveta.
É direito. É urgência. É agora.
É ferida aberta que precisa de cura,
mas também é cicatriz que nos lembra da nossa força.

Eu não me rendo.
Eu não me calo.
Eu não me dobro.

Enquanto houver tambor,
enquanto houver corpo negro em movimento,
enquanto houver criança negra que ousa sonhar,
enquanto houver mãe negra que ergue preces ao amanhecer,
enquanto houver quilombo que respira,
eu estarei aqui.

Com a cabeça erguida.
Com os pés fincados no chão.
Com a coragem herdada dos meus ancestrais.

Porque eu sou continuidade.
Sou memória que anda.
Sou chama que não se apaga.

E a resistência…
é a minha forma mais bonita de amar.

Sou surda, mas minha voz é visível em minhas mãos.

Poema da Tarde


Sou pertinaz em falar das tardes.
Ora, o que há de mais ocioso? A noite?


Pobre noite... dama
que corre de mão em mão.


O efervescer ardente é denso
aos meus olhos molhados de suor.


E a tarde vai... voa como
meus funestos versos fracos.


Tarde! Pra quê serve a tarde?
Extenso descanso dos glutãos,
carrasca dos sertões...


Dona insana do meu labor.

Buscando minha essência no passado, a menina que fui precisar acordar a mulher que sou.

Solilóquio
“Aceitar o tempo é conversar com o próprio destino.”


Sou lento, sou devagar,
se não me procuras, não vou te buscar.
Sou calmo, sou observador,
não tenho tanta pressa pro amor.


Assim, às vezes, chances deixo escapar...
isso não chega a te incomodar?


Aborrecido eu estaria
se me perdesse por simpatia,
pois curar o que isso causa
é dor que consome e arrasa.


E de onde vem tanto receio?
Das duras lições do meio,
das relações sem freio,
que deixaram em mim um velho anseio.


E quanto aos teus devaneios,
teus desejos, tua solidão?
Como disse o grande mestre:
“Basta a cada dia a sua agonia”,
então sei que esses momentos logo passarão.

Sou pedra bruta e busco o vento para erodir.
Com suavidade e paciência
Minhas arestas esculpir.
Para toda eternidade, assim
seus feitos em mim perpetuar.

Algumas vezes vocês irão me ver e dizer que sou muito tranquilo, mas estou simplesmente aguardando que a lei do retorno faça por mim.⁠

O prazer que você me causa é imensurável, mesmo na minha posição, é porque agora sou seu namorado.


@GustavoFerrari

Em ti, sou o explorador que chega a um novo continente, Onde cada paisagem desconhecida me atrai.
Não sei o nome das tuas montanhas, Nem o segredo dos teus rios.


Mas cada trilha que desvendo, Cada floresta que cruzo em teu ser, Revela uma nova cor, um novo som, E em cada passo, o amor floresce.


Ainda há tanto de ti a descobrir, Tantos mapas a desenhar. Mas não tenho pressa, Pois a beleza está na jornada, E o meu amor, em cada nova camada que encontro.

Em cada aula deixo um pouco do que sou e do que lutei para aprender.