Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Manuel Antônio Álvares de Azevedo.
São Paulo - SP, 1831 - 1852.
Obras Principais: Obras I (Lira dos Vinte Anos), 1853;
Obras II (Pedro Ivo, Macário, A Noite na Taverna, etc), 1855



Nascido a 12 de setembro de 1831 em São Paulo, onde seu pai estudava, transferiu-se cedo para o Rio de Janeiro. Sensível e adoentado, estuda, sempre com brilho, nos Colégios Stoll e Dom Pedro II, onde é aluno de Gonçalves de Magalhães, introdutor do Romantismo no Brasil. Aos 16 anos, ávido leitor de poesia, muda-se para São Paulo para cursar a Faculdade de Direito. Torna-se amigo íntimo de Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, também poetas e célebres boêmios, prováveis membros da Sociedade Epicuréia. Sua participação nessa sociedade secreta, que promovia orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa, quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos, é negada por seus biógrafos mais respeitáveis. Mas a lenda em muito contribuiu para que se difundisse a sua imagem de "Byron brasileiro". Sofrendo de tuberculose, conclui o quarto ano de seu curso de Direito e vai passar as férias no Rio de Janeiro. No entanto, ao passear a cavalo pelas ruas do Rio, sofre uma queda, que traz à tona um tumor na fossa ilíaca. Sofrendo dores terríveis, é operado - sem anestesia, atestam seus familiares - e, após 46 dias de padecimento, vem a falecer no Domingo de Páscoa, 25 de abril de 1852.

Haicai Joaninha

No jardim dos sonhos,
joaninha foi ao jantar:
Ar de primavera.

Antonio Cabral Filho - RJ
http://acf1408.blogspot.com.br/

Contraste

(Padre Antonio Tomás - Ceará - 1868-1941)

Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, céleres e ufanos,
Vamos marchando descuidosamente...
Eis que chega a velhice, de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então, nós enxergamos, claramente,
Como a existência é rápida e falaz,
E vemos que sucede exatamente

O contrário dos tempos de rapaz:
- Os desenganos vão conosco à frente
E as esperanças vão ficando atrás.

Romeu e Julieta... Antônio e Cleópatra... Lancelot e Guinevere. Ótimas histórias de amor que começaram com estrondo, e terminaram em tragédia. No mundo real, a vida não é assim tão linear. Nós amamos e deixamos de amar. Nós subestimamos. Ou achamos onde menos esperávamos. Algumas relações podem parecer fáceis no começo... e outras podem encarar obstáculos tremendos. Torcemos que o amor conquiste tudo, mas também torcemos por um retorno. Pessoas que foram decepcionadas pela vida e voltam a ficar de pé. Que aprendem com os erros que cometeram, e se tornam seres humanos melhores e mais completos. Então talvez as melhores histórias de amor não são aquelas que terminam em uma tragédia. Talvez sejam aquelas que começam com uma segunda chance.

⁠SONETO À SANTO ANTÔNIO

Do teu testemunho, a fé é razão
Junho é mês, do festejo contente
Dia 13, a celebração e recordação
Bilhetes de amor de toda a gente....

És Santo aclamado na comunhão
Aos casais, guardião contundente
Do canto ao alto a próspera união
- aos nubentes, cerne confidente!

Santo Antônio, Santo casamenteiro
Tão louvado. Ao colo leva o menino
Jesus... devoção no mundo inteiro!

E aqui neste soneto em prece, seja!
A minha, a tua, a nossa fé, ao Divino
E, que com Sto Antônio sempre esteja!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2021, junho, 15’34” – Araguari, MG

Na vida nada se perde,
tudo é aprendizagem.

Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
03/05/2025

Viagens na minha Terra

O marquês do F¹.
(F¹ - D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho.)

Tinha a bossa, a paixão, a mania, a fúria de choutar aquele notável fidalgo - o último fidalgo, homem de letras que deu esta terra. Mas adorava o chouto o nobre do marquês. Conheci-o em Paris nos últimos tempos da sua vida, já octogenário ou perto disso.

Viagens na minha Terra

O marquês do F¹.
(F¹ - D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho.)

Foi um dos homens mais extraordinários e português mais notável que tenho conhecido, aquele fidalgo. Era feio como o pecado, elegante como um bugio, e as mulheres adoravam-no.

O pobre não quer ser rico; o pobre quer que o rico seja pobre.
- Cassamo António Novela

A Guardiã dos Avisos Ignorados

Por Ramos António Amine, Professor de Filosofia

Nada estava visível naquela noite. Mas algo pairava, em surdina, nas pequenas coisas que costumamos ignorar: a Guardiã dos avisos ignorados.

Uma alta dirigente distrital decidiu partir para a cidade a fim de passar a quadra festiva junto da família. Fora avisada de que a lei não concede diferimentos favoráveis a viagens impulsivas de quem detém autoridade. Ainda assim, escolheu ouvir o coração pois, em tempos festivos, o coração costuma falar mais alto do que a norma. A regra foi relegada ao segundo plano, dobrada e esquecida, enquanto à frente da dirigente seguia apenas o desejo de estar entre os seus.

Não faltou quem tentou dissuadi-la. Não com gritarias nem com processos disciplinares, mas com a frieza de quem conhece o peso da responsabilidade. O aviso foi simples e claro: quem serve o distrito não deve servir-se dele sem consequência. Contudo, a decisão já estava tomada. Quando o poder se habitua a mandar e passa a ouvir apenas a si próprio, aprende também a ignorar os avisos.

Naquele dia, apesar de esburacada e lamacenta, a estrada comportou-se silenciosa, como sempre é a Guardiã dos avisos ignorados.

No caminho, o mundo cobrou o preço da decisão. O irreparável sucedeu. Um corpo ainda marcado pelas ressacas das vésperas atravessou a estrada e, num instante, tudo se desencadeou: decisão em absurdo, movimento em culpa, pressa em tragédia, quadra festiva em luto. A estrada manteve-se indiferente, enquanto uma vida se despedia sem temor nem tremor.
Em delírio, a dirigente recorreu ao gesto mais antigo do mundo moderno: ligou para casa. Do outro lado da linha, o marido correu para socorrer quem amava. Mas o absurdo: hóspede discreto da condição humana, ainda não havia concluído a sua obra.

Ao calçar os sapatos à pressa, o marido foi mordido por uma cobra, escondida onde ninguém espera a morte: no abrigo quotidiano do pé. Assim, num só encadeamento de factos, uma decisão tomada no distrito gerou tragédia na estrada; a tragédia clamou por auxílio; e o auxílio quase gerou outra tragédia. Nada disso constava nos planos da dirigente. É assim que o absurdo opera.

Houve conspiração? Intenção malévola visando a sua queda? Não se sabe. Sabe-se apenas que houve consequência. A exceção aberta à interpretação da lei abriu caminho; a pressa acelerou; e a Guardiã dos avisos ignorados, amontoada nos sapatos, respondeu como sempre: silenciosa, inevitável.

Talvez seja isso que mais nos vulnerabiliza: o mundo não castiga, apenas responde. Responde ao orgulho, à arrogância institucionalizada, às escolhas impulsivas, ao descuido, à crença perigosa de que o cargo nos coloca acima da lei, dos outros ou do absurdo.

Na origem desta tragédia esteve uma decisão. No fim, restou a estrada.

E a estrada resta sempre para ensinar, sem alarde, que o poder é efémero, que a vida é um sopro e que o absurdo nos acompanha justamente onde julgamos estar seguros: na exceção que toleramos, na viagem que consentimos a nós mesmos, no otimismo que nos dispensa da prudência.

Enquanto os homens celebram datas e inventam hierarquias, a natureza permanece silenciosa e atenta, indiferente às nossas justificações. E a Guardiã dos avisos ignorados, paciente, continua onde poucos ousam procurar: no intervalo entre avisos e a decisão.

Mamãe um dia me Disse; Antônio Carlos toda mulher gosta de um homem irreverente e bem humorado, mais um palhaço nenhuma mulher gosta. Toda forma irreverente de se comportar quando bem controlado e moderado, pode alcançar ótimos resultados!!

Hoje vou brindar a São Valentim e a Santo Antonio, porque logo menos terei que pular a fogueira de São João.

Ás vezes o maior obstáculo para seguir somos nós mesmos.


Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
13/08/2026

Mês de junho passando. Mês festeiro de Santo Antônio, São João e São Pedro. Mês de dançar quadrilhas. Mês do quentão e do salsichão. Mês do frio. Mês dos namorados. Mês de ficar na cama quentinha, com o amor de conchinha, fazendo muitas gracinhas. Mês que traz relíquias de lembranças, de muitos que hoje vivem na distância, de um mês tão feliz.

⁠Nós somos pó estelar
que o vento sopra na vida.

Santo Antônio do Salto da Onça RN
Terra dos Cordelistas
18 agosto 2024

CUPIDO ANTÓNIO
O galo cantou ao surgir do sol
Quando o cachorro latiu e o sino soou na porteira
De longe vi seu chapéu de vaqueiro
Arrumei o laço no cabelo e no rosto passei pó
Amarrou seu cavalo na cerca
Ao entrar a permissão do meu pai pediu
Minhas orações no céu foram ouvidas
O moço viu o santo de cabeça para baixo
Ao lado da vela e da flor de mandacaru que murchou
Ele sorriu para mim e meu coração desabrochou
O cupido do altar no chão caiu
Mas a promessa depois de nove meses se cumpriu.

A esperança está na inocência dos corações que queimam e enxergam mudança.


Fernando Antonio Almeida Ferreira

⁠Transforme se

Tudo se transforma
Mas só não se TrAnSfoRmA,
Quem não quer...

Antônio Peregrino Corrêa Portugal

Fazer o bem
É sempre bom
Paz no 💓


Antônio Peregrino Corrêa Portugal

Responsório

Santo Antônio,
procurai para mim a carteira perdida,
vós que estais desafadigado,
gozando junto de Deus a recompensa dos justos.
Estão nela a paga do meu trabalho por um mês,
documentos e um retrato
onde apareço cansada, com uma cara
que ninguém olhará mais de uma vez
a não ser vós, que já em vida
vos apiedáveis dos tormentos humanos:
sumiu a agulha da bordadeira,
sumiu o namorado,
o navio no alto-mar,
sumiu o dinheiro no ar.
Tenho que comprar coisas, pagar contas,
dívidas de existir neste planeta convulso.
Prometo-vos uma vela de cera,
um terço do meu salário
e outro que rezarei
pra entoar vossos louvores, ó Martelo dos Hereges,
cuja língua restou fresca
entre vossos ossos, intacta.
Servo do Senhor, procurai para mim a carteira perdida
e, se tal não aprouver a Deus para a salvação da minha
[alma,
procurai antes me ensinar
a viver como vós,
como um pobre de Deus.
Amém!

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.