Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Tudo é questão de fase. Tem época que eu necessito de agitação, novas pessoas e lugares diferentes. Já outras o isolamento parece a solução.

Minha vida é como um labirinto, eu acho continuamente que saí, apenas para encontrar outro corredor bem na minha frente.

Por onde os meus olhos possam ver.
Eu te vejo, da varanda da casa escondida,
por detrás dos tijolos à vista.

Eu não sou devoto de nenhuma grife. Eu não professo a minha fé no altar das aparências. Eu sei que me falta brilho e glamour, mas será que um traje criado por algum guru da alta costura teria o poder de suprir as minhas carências? Já ouvi dizer que alguns pedacinhos de pano recobrindo estrategicamente a pele, têm o poder de elevar a auto-estima de pessoas vazias de si mesmas. Só o jeitinho particular de cada um não basta, é preciso uma fantasia feita sob medida para que as pessoas possam disfarçar suas imperfeições, tapear olhares e se sentirem as mais especiais no meio da multidão.

Sou um estúpido que não sabe diferenciar um item de boutique de um adereço hippie confeccionado na beira da calçada. Quando ouço falar em Victor Hugo, penso logo naquele cara que dizia que “Não há nada como um sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”. Pois é... Eu também não sei quem foi Louis Vuitton, Dior, Calvin Klein, Hugo Boss; Gucci, Versace, Armani, Chanel e muito menos o que eles pensavam a respeito da vida. Sou apenas um boêmio ignorante e um poeta démodé totalmente ofuscado pelas palavras costuradas pela minha caneta.

Sei que eu deveria aprender um pouco mais sobre as últimas tendências da moda, mas eu sou tão distraído pra essas coisas, e o modismo é uma febre tão passageira que, quando eu penso que um determinado figurino está no auge, na verdade, já virou cafonice há muito tempo. A moda faz de mim um eterno prisioneiro do passado e o meu armário é um museu cujo acervo é incapaz de despertar a inveja dos meus semelhantes.

Sou um tipo assaz desinteressante, a ponto de nem ter que me preocupar em tirar as minhas máscaras toda vez que eu volto pra casa. A minha cara é ter a mesma cara todos os dias. Temo que para ser notado seja necessário que eu me transforme numa vitrine viva, mas a passarela da minha vida é bucólica demais, e apenas se resume na rotineira alternância dos dias se vestindo de noite e das noites se despindo sob a luz do dia. Talvez eu devesse conhecer mais a fundo a alma dessas grifes e marcas por detrás das quais as pessoas se escondem para se sentirem mais seguras de si, mas o que pode valorizar mais a existência de um homem: a marca da sua roupa ou o legado das suas idéias? Não sei... Eu nunca tive etiquetas informando do que é feito o meu coração.

Não existe um logotipo capaz de definir melhor a pessoa que sou do que as minhas próprias atitudes. Eu sou assim, como me vêem. Sou um símbolo de mim mesmo e defendo sem hipocrisia as cores que eu escolhi, e não as que querem me vender. Eu não gosto de expor a minha figura ridícula antes do último gole, mas adoro mostrar ao mundo tudo aquilo que eu gostaria de ter sonhado durante as minhas solitárias noites de insônia. Adoro medir as consequências dos meus atos, planejar os meus passos, me colocar no lugar dos outros e não me acomodar com aquilo que me incomoda. Para mim, calar-me diante de qualquer injustiça é como andar nu – me dá vergonha.

Reconheço que me falta panca na hora de fazer pose para o mundo. Mas o que eu posso fazer se eu nem sei no que os deuses da moda querem que eu me transforme para que eu possa atrair mais atenções? Será que nos livros que eu leio eu vou conseguir encontrar respostas que me façam compreender o que as pessoas pensam a meu respeito? Creio que não. De certo eu serei estigmatizado para sempre como um reles artigo de promoção.

Mas esse é o meu jeito: simples assim, raso jamais. Muitos dirão que eu não tenho estilo e nem charme, mas quero deixar bem claro que tudo que existe de mais fashion em mim, só quem faz parte da minha vida é capaz de enxergar. Este é o meu jeito de me mostrar ao mundo, e nada em mim é feito de retalhos. E se eu tenho alguma beleza que valha a pena ser exaltada, ela estará escondida muito além das roupas que eu visto e poderá ser encontrada aqui: desfilando faceira bem no fundo de mim.

Tenho um afeto por coisas simples. Nesse ponto eu maravilho! Gosto de dar ao amor costumes de sorriso. O sorriso é um delírio de ser. Ele é estado. O amor honra a sua significância. E regozija no sorriso cúmplice.

Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas.

Eu acho que a beleza dessa vida está na imperfeição que ela possui. Se todos os dias o sol viesse nos iluminar iríamos deixar de observar o quanto os outros nos iluminam. Se sempre soubéssemos o caminho, jamais iríamos nos perder sendo assim jamais iríamos nos encontrar. Se toda vez que a gente falasse fosse corretamente, não daríamos risadas das confusões verbais. Se fosse todo mundo dentro dos padrões, seríamos todos iguais e não enxergaríamos a beleza da diferença. Se nunca faltasse nada em nossa vida, não aprenderíamos a dar valor a tudo aquilo que a vida nos proporciona. Se não houvesse dificuldade, não aprenderíamos a ter fé. Se a gente nunca se desliga um pouco das coisas, não passaríamos por momentos tão deliciosos. Se não houvesse as mudanças, jamais teríamos uma personalidade própria. Se amadurecemos rápido demais, perderíamos a graça da infância e da juventude. Se não tivéssemos inimigos, não aprenderíamos a ser cautelosos. Se ninguém contasse uma piada, poderíamos esquecer de rir. Se não tivesse música, não saberíamos dançar. Se fossemos sérios o tempo todo, não iríamos ter histórias divertidas ou micos pra contar. Se a gente ficasse querendo fazer tudo perfeito, não iria tirar nada da vida. Se a gente aprender a olhar pelo lado positivo, nunca vai ser ruim ter que viver. É só parar de buscar a perfeição e se permitir viver, só aí não vamos ter do que se arrepender.

O que eu quero nessa vida é lutar pra conquistar

Eu gosto tanto de estar vivo, que eu não quero dormir.

Onde estavas, eu estava, e onde eu estava, aí querias estar.

Eu sempre quis ser como aquelas pessoas,
que quando a gente olha,tem a impressão
de que nada é mais forte do que ela.
Ser também "inatingível",
ou ao menos ter esse auto-controle.
Se eu me livrasse dessa overdose de sentir,
seria eu,menos a metade de mim.
Leve,tão leve que nem me reconheceriam.

Dediquei a minha vida a fazer a vida dos outros um pouquinho mais alegre. Talvez eu devesse contabilizar o meu patrimônio em sorrisos.

Jô Soares
O livro de Jô: Uma Autobiografia Desautorizada, Volume 2. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
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Eu perco a calma. Não de propósito, não sei controlar.

Eu não sei explicar no entanto nem descrever, mas algo em seus olhos me chama, me acende, e meu coração sem que eu entenda acelera. E eu sinto que algo aí dentro de ti, me pertence.

Tenho que ser mais insensível, porque sensibilidade eu tenho demais e até me machuco pelo excesso dela, tenho que ser mais frio do que sou, porque minha intensidade me faz muitas vezes perceber que me entreguei a algo que não valia a pena, preciso odiar mais, porque o amor é o sentimento que me toma por inteiro e me faz sofrer muito.

⁠Eu brigo mais com quem eu amo do que com quem não amo. Aumento a voz, muitas vezes eu grito. Sei que não serei ouvida mais por isso. Mas é o meu jeito de tentar fazer a pessoa entender que machuca o que ela faz. E que eu só gostaria que me dissesse que nunca mais faria isso.

ja cheguei a pensa duas vezes antes de fazer qualquer coisa, hoje penso muito não, quando eu quero uma coisa vo atrás, a vida é muito curta pra perde tempo pensando, viver curtindo a vida é das melhores formas de viver toda vida.

Hoje eu ja to bem mais calma, mais conformada, como sempre, eu queria tanto ter ele mais esse papel a mim não cabe mais queria tanto esta com ele agora e que meu mundo parace nos pes dele como uma musica, como um abraço, uma um cansaço, como uma dor o sofrimento em que vivo eu ja nem sei mais o que penso o que faço eu sei que a cada dia ele me poe mais dependente mais fraca tenho medo disso porque eu não sei quem sera eu sem meu amor por inteiro, qual coisas eu posso fazer quando me ver nessa situação decadente, de desejo pleno.

Muitas mulheres eu amei e com tantas me casei
Mas agora é Raul Seixas que Raul vai encarar
Nem todo bem que conquistei, nem todo mal que eu causei
Me dão direito de poder lhe ensinar

Eu saí procurando. Tinha poucas informações sobre o que era. Mas sabia que tinha que encontrar. Não sabia se era pequeno, grande, redondo ou quadrado. Na verdade, não sabia nada. Só sabia que estava por aí, e que chamaria minha atenção quando eu o visse. Não é do tipo de coisa que tu chutas na rua e fica levando lomba abaixo, cuidando pra não atingir nenhum carro estacionado. Tu o enxergas de longe, e corre pra que ninguém o encontre antes de ti. Todo mundo quer. Quase ninguém tem. E quem tem, não mostra (e não me refiro ao brinquedinho). Foi aí que, ao dobrar uma esquina aqui perto de casa, à sombra de um cinamomo, encontro-o, repousando entre folhas e sacos de lixo. Chamou demais a minha atenção. Seria mesmo aquilo que eu estava procurando? Pensava isso porque aquilo me parecia interessante, mas não incitava em mim uma vontade de tê-lo pra sempre. Peguei. Guardei por três meses no meu bolso. E te dei.