Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Assim como preparas o café para receber alguém, prepara-o também para ti, com o mesmo cuidado.

Quem honra e orgulha seus pais, sem perceber, conquista o orgulho de sua mulher.

Embora seja a mesma coisa que aqui, lá tem mais importância.

Se me conheces de fato, entenderás que minha essência é a mesma dentro e fora de casa.

Aprendi tarde
que algumas coisas não se resolvem,
se largam.


Que nem todo peso é meu
só porque coube na minha mão.
Que sustentar demais
também cansa a alma.


Fui ficando
onde o barulho parecia compromisso,
onde o choque parecia trabalho,
onde aguentar virava virtude.


Mas o corpo avisa
quando a ligação queima.
E a paz começa
no ponto exato do desligar.


Não fiz discurso.
Não bati porta.
Soltei como quem entende
que insistir é outra forma de queda.


O mundo continuou
sem pedir minha opinião.
E, estranhamente,
funcionou.


Hoje caminho mais leve,
não por ter menos passado,
mas por não carregá-lo
como dívida.


Soltar não é ir embora.
É ficar inteiro
no lugar certo.

Uma mão é capaz de amar múltiplas vezes, desde que ainda lhe reste amor.

Se te magoares, não importa; o que realmente conta é o que fizeste.

O amor é um segredo que se guarda no coração e só se revela a quem é especial.

Tudo que se luta carrega em si a esperança de se transformar em algo belo, mesmo em meio à aflição.

Palavras doces ganham valor quando não são apenas palavras.

O que se persegue com o coração revela amor; escondê-lo é trair o sentimento do próximo.

Depois do Desligamento


Trabalhei onde tudo passava
e nada ficava.


Caixas subiam mais alto que a memória,
nomes pesavam mais que o corpo,
e eu seguia
porque seguir era o combinado.


Corri atrás do que me levava,
mas o caminhão não freia
para quem chama pelo próprio nome.


Um fio me segurou pelo costume.
O choque não queria me matar,
queria que eu continuasse ligado.
Uma criança perguntou
o que só o medo pergunta:
— você ainda está vivo?


Saí.
Com a mão que sobrou.


Caí onde a imagem nasce,
madeira crua,
fachada antes da fachada.
Dói menos quando não é verniz.


Teias tentaram me convencer,
baratas me ensinaram a ficar.
Um amigo não explicou nada,
só puxou o que me prendia.


No chão, alimento.
Alguém pegou.
O mundo seguiu sem minha supervisão.


Larguei o que não era meu,
inclusive a pressa,
inclusive a dívida invisível.


Fiquei com as marcas,
porque elas sabem
onde parar.


E entendi, tarde e em paz:
não é cair que machuca,
é insistir em segurar
o que já partiu.

Viver nos ensina muito. Mas talvez a maior lição ficamos sem aprender e por isso buscamos em outro o que nos falta. Se não aprendemos a expressar o amor então que a vida nos permita continuar tentando.

⁠Somos criativos em gerar problemas que depois não sabemos resolver.

Quem prima pela Justiça não temerá os próprios equívocos, mas quem quer apenas estar certo vai odiar que lhe mostrem a verdade.

O "historiador" tem que ter cuidado de não se tornar um assassino não literal.

O sino anuncia, o sol ilumina, essa minha sina de ser quem sou.

Em uma sociedade fria, ser vivo é o que te faz morrer.

O peixe que não seguia o cardume:
peixoto era um dos vários peixes que compunham um dos vários cardumes de um dos vários mares, peixoto, assim como os outro peixes, apenas seguia sem rumo, sem esperança, eles não tinham nem sequer uma imaginação do motivo pela qual eles nadavam, em mais um dos dias em que peixoto e os outros peixes nadavam sem rumo, peixoto viu um brilho, atrás de si mesmo, algo que parecia precioso, mas estava fugindo de peixoto, parecia estar em direção contrária ao cardume, peixoto então decidiu fazer algo, ele pela primeira vez, nadou em direção contrária ao seu próprio cardume, foi rapidamente em busca daquilo que viu, mas não sabia o que era, peixoto entrou em um dúvida, ele podia continuar, sem saber pelo o que procurava, sem saber quando ia achar, ou se sequer iria achar aquilo. Ou, peixoto podia voltar ao cardume, antes de se perder e nunca mais achar seu cardume, peixoto poderia perder aquilo que viu uma vez, e nunca mais achar, mas também podia se perder do cardume, e ficar isolado daquilo que já conhecia, quanto mais peixoto nadava, mais perto ele sentia que estava daquilo, mas mais longe ele sentia que ia estar do cardume, peixoto pensava e pensava, mas nunca chegou a uma conclusão da resposta de seu pensamento.
isso não é sobre peixes, é sobre você, sobre mim e sobre nós

A afirmação não traz a realidade, mas o questionamento traz o princípio da verdade.