Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Não se chame de “torcida” a prática de bandidagem, nem de “torcedores” esses marginais que usam o futebol como pretexto para exercitar sua falta de caráter, camisa de time como disfarce de quadrilhas, estádios como palco para dar vazão a instintos criminosos e espaço repleto de vítimas para suas ações espúrias. Torcedor não precisa se organizar para incentivar seu time, e muito menos matar em nome dele.
Alguns têm dificuldade para fazer a escolha certa entre o que quer, o que pode, o que deve e o que convém. Imaginem algo como, por exemplo, perdoar alguém, onde minha natureza pacífica me diz que quero, a distância entre mim e o outro mostra que posso, já a realidade me aconselha que não devo, e o bom-senso me confirma que não convém, a menos que me mostre disposto a conviver com o inaceitável.
Por conta de uma sociedade que se estruturou sobre corrupção como meio de vida, sou um desses sujeitos tidos como “certinhos otários”, ingênuos candidatos a vítimas preferenciais dos “mais espertos”, ou tidos sistematicamente como inflexíveis e fora de contexto, até descobrirem que sou apenas mais um “panaca” que optou por ser honesto.
O que se mostra mais insuportável para os que se alimentam do controle sobre todos que os cercam é constatar que já o perderam tanto em relação à situação quanto sobre si mesmos, só lhes restando exercê-lo sobre a raiva que trazem represada dentro de si para não confirmar que alguém mostrou mais inteligência do que a que precisam provar que possuem.
O que mais enfurece os dominadores e arrogantes é ter a habitual submissão à sua autoridade trocada pela contingência de se submeterem à autonomia que suas antigas vítimas se auto concederam para se fazerem respeitar.
Para quem usa de rigor no cumprimento de suas responsabilidades muitas vezes se mostra extremamente sofrido – e até torturante – ter que deixar o balde entornar quando a outra parte envolvida simplesmente ignora o acertado para se manter dando as cartas, como é de sua natureza. Dói principalmente saber que outros pagarão o preço do que deixará de ser feito, mas se continuarmos a apagar incêndios de última hora para prevenir mortos e feridos nos tornamos coniventes com o domínio ilegítimo que tentam impor sobre o nosso inalienável direito de escolha, e jamais voltaremos a recuperar as rédeas da própria autonomia.
Nada que assegure mais o acerto de uma decisão do que o sucesso que se segue logo após a ruptura com um longo período de empenho real mas inútil, durante o qual nossa alegria se foi diluindo pela constatação de que se andava em sentido inverso ao retorno obtido.
Blefar para extrair vantagem, se não existe embasamento para o que se cobra, não passa de esperteza burra, com toda certeza. Mas quando, porém, o mérito se mostra presente e legitimado por competência, abrir mão da contrapartida apenas vermifica o ser humano por sujeitá-lo a condição que menospreza seu real valor, e revela estupidez pela renúncia a um direito inalienável de crescimento, sem o que nenhuma dignidade conseguirá subsistir.
Morrer não é o momento em que o coração deixa de bater, mas quando, mesmo enquanto ele bate, desistimos de viver!
O amor – seja de pais, filhos, amigos ou parceiros de vida – não deve ser reclamado. Muito menos mendigado. Simplesmente se traduz por alegria em cada encontro e em saudade nos intervalos entre dois reencontros.
Estado de graça: “Minha nossa! Nem em sonhos poderia imaginar tanta coisa grande ao alcance de um passo!”
Estado de raiva: “Mas por que, caramba, demorei tanto no pequeno, com toda essa imensidão pedindo para ser vivida?”
Não existe realização maior, ao se olhar em volta, do que sentir que tudo o que nos rodeia é exatamente onde deveríamos estar desde sempre, ao mesmo tempo em que nos dá a dimensão exata do quão pequeno se fazia qualquer outro lugar onde estivéramos antes.
Não ocupe a menor parcela do seu tempo esperando de alguém o que de antemão se sabe que não tem pra dar. A pequenez não oferece variedade de opções para quem a traz dentro de si. O espaço interno é por demais pequeno para conter qualquer outra coisa.
Provocar o debate, mais do que concordar, é o que importa. Por esse caminho é que as grandes transformações acontecem.
A vida não nos rouba a história com o passar dos anos. Apenas substitui componentes do roteiro respeitando a prerrogativa de nos mantermos protagonistas. O sentimento de perda só acontece quando nos recusamos a aceitar o capítulo novo na tentativa inútil de permanecer reprisando episódios de temporadas que já se esgotaram.
Enquanto uma pessoa permanece calada a gente fica na dúvida se lhe falta inteligência ou não. Mas quando ela fala a gente tem certeza!
Basta dar uma passadinha nas redes sociais para constatar que o novo sentido de felicidade que se instalou é aquilo que os psicanalistas chamam de “Síndrome de Poliana”, onde o que importa é fazer o “jogo do contente” num contingente cada vez maior de eremitas modernos – isolados do mundo e impotentes para introduzir qualquer mudança em suas vidas – que sobrevivem publicando “selfies” felizes dos seus desejos frustrados, mas sem qualquer conexão com a realidade que enfrentam.
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