Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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O que às crenças inúteis me fazem? Me fazem acreditar em "eras", em detrimento dos que "serão".

O melhor da maturidade é a troca da credulidade ingênua da juventude pelo ceticismo inteligente que traz segurança o bastante para separar joio do trigo de uma forma inusitada: ao mesmo tempo em que não deixa mais espaço para o misticismo pueril de outrora, descobrimos um cérebro aberto ao improvável e empático ao inacreditável para derrubar as fronteiras entre concreto e abstrato de forma a que tudo se mostre possível, e apenas a dúvida – antes de qualquer negação – faça a mediação entre o ser e o não ser. Alguns chamam isso de delírio, eu
o chamo de despertar!

Todo aquele que coloca a verdade à frente de seus passos terá o mundo inteiro contra ele, pois que não finge ser o que não é, nem finge acreditar no que os demais fingem ser. A humanidade se esmera no uso de suas máscaras, e declara guerra aberta a quem não se deixar enganar por elas, expondo a face que ela faz de tudo para esconder. Que não se diga então que apenas a verdade grosseia incomoda: por mais delicada que se faça, a simples rejeição à mentira já dá causa a sistemático combate pelos que têm nela sua maior aliada.

⁠Como se sabe ter sido feliz? Olhando para trás e descobrindo que, se pudesse voltar, faria pequenos ajustes aqui e ali, mas nenhuma mudança de rumos ou com momentos a apagar. Antes um mundo de razões para jamais esquecer.

⁠A prática revela que a maioria está atrás de diversão, e não de Conhecimento. Tanto que conteúdos profundos recebem pouca atenção, e pelos superficiais a procura é enorme!

⁠O mundo não é bom ou ruim conforme os parâmetros usados para descrevê-lo, mas apenas um reflexo do que trazemos em nós mesmos. Desse modo só conseguirá ver beleza nele quem se mostrar apaixonado pela própria existência.

⁠Toda pessoa que se vitimiza precisa de um vilão pra justificar seu papel de vítima e dar caráter de argumento à interpretação deturpada que faz dos fatos. Então sempre se verá atacada, independente de agressão, para ter a quem culpar por seus próprios rancores.

⁠Não se deveria dar tanta importância ao fato de não se ter unanimidade no conceito alheio. Muitos se mostram rasos não porque o desejam, mas porque não conseguem alcançar nada mais profundo do que elas mesmas. Só nos deveria incomodar e gerar revisão as críticas partidas dos que sabemos profundos o bastante para chegar ao mais profundo que nós próprios conseguimos ir.

Praticar o bem não é uma ação episódica a ser planejada para um momento futuro, mas uma postura permanente a nortear a condução do ser social.

Quando me sinto extremamente fragilizado por um tempo maior do que o razoável para me sentir dessa forma tenho que me questionar se é a vida mesmo que está me batendo muito forte, ou se sou eu que estou me posicionando de forma inadequada frente a ela. Muitas vezes não é o mundo que é tão ruim quanto parece, mas nós é que somos fracos demais para amenizar os impactos que outros rebatem sem maiores dificuldades. Esse entendimento é fundamental para uma decisão que pode fazer toda a diferença: devo concentrar minha energia para mudar o contexto à minha volta ou o que tem que ser mudada é minha postura interior de reação? A solução pode estar na resposta a esta pergunta!

O Poder pode atuar como indicador dos mais seguros para avaliação do caráter de boa parte das pessoas. Muitas, ao longo de um prolongado período de convívio, se mostram afáveis, acessíveis e até elegantes em suas posturas. Coloque-se-lhes, no entanto, uma boa dose de poder nas mãos, e poder-se-á constatar toda a aparente fidalguia transformada em arrogância, aspereza e desprezo às regras mais básicas do trato no cotidiano, o que mostra que na hipocrisia e na falsa humildade do déspota é que muitas vezes se escondem as ambições e recalques dos ditadores mais cruéis.

Cada qual adota o comportamento que é melhor para sua vida, e a escolha é um direito inalienável da pessoa humana. Nosso histórico de perdas e ganhos é que vai nos mostrar qual o melhor modelo, daí porque há de se buscar entender e respeitar as diferenças.

Na impetuosidade da juventude podemos nos permitir aprender por erros e acertos. Mas na maturidade isso é incompreensível, pois que não faz mais sentido não refletir antes das ações para se arrepender em seguida. É quando o Homem Circunstancial precisa ceder lugar ao Homem de Consciência.

Somos responsáveis por aquilo que cativamos, e mais ainda pelo que destruimos quando ajudamos a construir imagens do que não somos. (Inspirado em Saint-Exupéry)

Os vícios de todo tipo - sejam do corpo ou do coração - transformam-nos, de senhores, em escravos da vontade que nos destrói.

Será sempre bem mais complicado lidar com o amoral do que com o imoral, pois que o primeiro nunca se convencerá de que existe um desvio de personalidade a ser corrigido. Nele não existe o mecanismo diferenciador, como a consciência da imoralidade, e praticamente se torna impossível fazer com que se transforme em algo melhor, pois que está inserida a transgressão em sua própria essência de conduta.

Ainda que ache extremamente interessante me surpreender com tão forte identificação com as características do meu signo de nascimento, ao mesmo tempo isso me promove um forte sentimento de frustração, que me leva a dolorosos questionamentos:
Se, ao nascer, tudo o que sou já está determinado por tais características zodiacais, se meu signo me aponta como alguém revestido de ideais nobres - e dotado de uma série de qualidades e defeitos inerentes à combinação astrológica a que pertenço - qual o meu mérito por possuí-los? Qual o valor de meu desejo de crescer? Qual o diferencial de quem simplesmente faz uso das particularidades que já lhe foram atribuidas no momento em que nasceu?
Astrólogos, estudiosos da alma, me ajudem!... porque isso me conduz à total inutilidade de todos os meus esforços para um dia ser melhor do que sou!

Entre o incômodo de uma mentira educada e uma verdade deselegante, o silêncio pode ser a melhor alternativa.

O parâmetro mais seguro para se identificar quem ainda tem recuperação dos que estão perdidos para sempre é que os verdadeiros canalhas nunca se arrependem, não sentem culpa e nem remorso. Vão repetir a vida inteira o mal que espalham porque se identificam com o que fazem na sua essência.

Os que se escondem em falsas imagens para ludibriar a boa-fé das pessoas de bem representam a escória da raça humana. Enquanto bandidos comuns assassinam apenas o corpo, esse tipo de facínora mata a crença do ser humano na humanidade, subtraindo de suas vítimas o sentido da vida. São os assassinos da alma!