Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Na voz do vento escuto os poemas carregados de sentimentos, abraço a música que se propaga no meu pensamento.
Reflicto sobre a essência dos sentidos, as ligações cósmicas que nos levam a deduzir sensações, que nos aproximam de certas almas e provocam nelas avalanches de emoções. Percebo que há uma rede de conexões que são fios invisíveis que nos unem, que nos ligam numa torrente saborosa de sentimentos. Esta ligação não acontece sempre, não acontece com toda a gente, apenas com aqueles que como nós partilham duma capacidade sensorial diferente. Aqueles, como nós, que presentem numa palavra a fonte que a jorrou, que deduzem numa frase o intuito para que foi escrita. Afinal, no principio foi a palavra que nos juntou, que nos abraçou num afago terno, que nos fundiu numa corrente tórrida, que fez diluir-nos em oceanos de prazer. O prazer de ler, mas também a capacidade de o sentir na pele, de provocar o corpo que reage ao estímulo da verbalização dos sentidos.
Recebo em mim o retorno das emoções que dissemino, percebo que não estou sozinho, que lá fora há muito mais seres que percebem nas palavras aquilo que digo com a alma, este é o reflexo duma alma colectiva que se estilhaçou em mil pedaços no início dos tempos e que agora se reencontra em cada grão de areia desta praia celeste.
A dimensão da vida é aquela que desejamos dar-lhe. Viver com os sonhos e voar com as realidades que criamos é ser capaz de concretizar os nossos ideais.
É fundamental sentir para ser, de outra forma seria insuportavelmente entediante, porque o vazio é tão esmagador que nos faria sucumbir.
A solidão permite-nos mergulhar no nosso intimo e percorrer os abismos do nosso vazio, só assim saberemos compreender-nos melhor.
Ventos na sombra
Ventos na sombra empurram a luz,
suaves segredos que teu corpo seduz.
Momentos, instantes de puro prazer,
vontade, desejo de apenas te ter.
Dançam os corpos na Noite vazia,
silêncios despidos que a alma temia.
Passos certeiros de meu corpo se elevam,
entregues a ti quando minhas mãos te levam.
Gritos contidos e...nvoltos em magia,
almas perdidas que a Noite vigia.
Formas diversas se agitam no ar,
ondas imensas se levantam no mar.
No instante mais longo do tempo,
minha vida te entrego num simples lamento.
Abraças o corpo que em ti se abandona,
mulher, menina ou simples amazona.
in Reflexos d'Alma
Há quem tome tanto café, que depois de morrer, nem ao menos será cremado. Mas devidamente torrado, moído e empacotado a vácuo.
Poderia o mundo viver sem poesia? É possível, mas haveria apenas tristeza, como estivesse a ver um palhaço que nunca ri.
Às vezes curta, às vezes grande... barbas são assim... Dependentes do humor, da dor, da alegria, do amor...
A Alma é como um pássaro, de asas abertas no céu azul, seguindo a deriva do vento. Há-de pousar, em qualquer lugar, e deixar-se ficar com a vontade de quem jamais quererá partir.
O RANCHO
Uma casa bem pequena
com janelas p'ro terreiro
orações sem ter novena
notas simples de um poema
banho de sol ventos inteiro.
A fumaça do seu café
cheiro do fogão de lenha
radio de mesa antena
interior da casa pequena
simplicidade ali é plena.
Uma casa, sim, pequena
calma chuva no oitão
reina a calma serena
poça d'água, vento pena
molhando o coração.
É lá no vale da serra
bem no centro do sertão
o natural por lá impera
o cheiro é como fera
espantando a solidão.
Antonio Montes
VELHOS SAPATOS
Meus sapatos velhos
de couro secado
aperta meus pés
por todos os lados.
Já não tenho careta
nem rugas na testa
até tento andar certo
mas o couro infesta.
Meus sapatos velhos
contem certo cheiro
me dá uns apertos
me doendo inteiro.
Causa dores no cravo
e frieiras nos dedos
arranca-me sorriso
pra manter o segredo.
Antonio montes
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