Eu Amo meus Inimigos

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Sim, eu não gosto de você...


Sim, eu não gosto de você. Não gosto do jeito que o seu sorriso invade os meus pensamentos, nem da forma como o seu nome aparece em silêncio dentro de mim. Tentei convencer meu coração de que tudo isso era passageiro, mas ele sempre encontra um motivo para voltar até você.


Sim, eu gosto muito de você. Gosto do brilho que você leva aos meus dias, da paz que existe na sua presença e da esperança que nasce quando imagino um futuro ao seu lado. Mesmo quando a distância insiste em falar mais alto, o meu sentimento continua escolhendo você.


Talvez eu diga que não gosto de você apenas para esconder o quanto gosto. Porque amar, às vezes, assusta; mas esquecer você seria impossível. No fim, a única verdade que o meu coração conhece é esta: entre todas as pessoas que passaram pela minha vida, foi você quem encontrou um lugar onde ninguém mais conseguiu chegar.

A Reforma


Eu já tinha fechado as portas
E deixado as janelas do coração
Não esperava mais ninguém chegar
Depois de tantas marcas e decepções


Meu coração tinha algumas rachaduras
E a esperança já não morava aqui
Eu aprendi a viver com os cômodos vazios
Até você aparecer diante de mim


Você não chegou derrubando tudo
Nem tentando mudar quem eu sou
Foi entrando devagar, com cuidado
E consertando o que a vida quebrou


Você mexeu no meu alicerce
E trouxe paz pra onde havia dor
Trocou o silêncio por conversa
E fez morada onde faltava amor


Começou a reforma em mim
Sem pressa, sem medo de ficar
Você viu tudo que estava quebrado
E mesmo assim decidiu morar
Começou a reforma em mim
Pintou de esperança o meu olhar
E onde eu só enxergava ruínas
Você conseguiu enxergar um lar


Meu telhado já não protegia
Das tempestades que eu enfrentei
Minha fé no amor estava tão fraca
Que por pouco eu não desisti de vez


Mas você chegou trazendo abrigo
Quando a chuva começou a cair
Segurou minha mão no meio do caos
E disse: “Eu não vou sair daqui”


Você consertou minhas janelas
Pra eu voltar a enxergar o amanhã
Abriu as portas que eu mantinha trancadas
E trouxe luz pra cada manhã


E aquela casa que eu temia mostrar
Você conheceu sem se assustar
Viu minhas paredes cheias de histórias
E escolheu ficar, escolheu cuidar


Começou a reforma em mim
Sem pressa, sem medo de ficar
Você viu tudo que estava quebrado
E mesmo assim decidiu morar
Começou a reforma em mim
Pintou de esperança o meu olhar
E onde eu só enxergava ruínas
Você conseguiu enxergar um lar


Hoje eu já não tenho medo da chuva
Nem das noites que podem chegar
Porque descobri que um coração ferido
Também pode aprender a amar


Você não apagou o meu passado
Só me ensinou a não viver nele
E cada marca que ficou na parede
Virou parte da nossa história juntos


Se algum dia alguma rachadura aparecer
E a tempestade tentar nos separar
A gente não precisa abandonar a casa
A gente senta e começa a reformar


Porque amar também é ter paciência
É escolher ficar quando é mais fácil partir
É cuidar dos detalhes esquecidos
E reconstruir quando algo ruir


Começa a reforma em nós
Sempre que alguma coisa se quebrar
Que nunca falte amor dentro dessa casa
Nem vontade de recomeçar
Começa a reforma em nós
Que o nosso coração seja o nosso lar
E se a vida mudar as paredes
Que o nosso amor saiba se adaptar


E se alguém perguntar o que aconteceu
Com aquela casa que eu tinha aqui
Eu vou sorrir e dizer baixinho:


“Ela estava quase em ruínas...
Até você chegar
E transformar tudo em lar.”

Gelado


A neve,
Um urso,
Muitos pinheiros,
Alguns salmões no balde a beira do rio,
Eu x medo,
E muita história de pescador pra contar.

"PARA HOMENAGEAR OS PAIS APRESENTO-LHES A MAGNÍFICA FRASE DE MAHATMA GHANDI:
"UM DIA EU VOU REUNIR OS MEUS FILHOS E LHES DIZER QUE FOMOS DERROTADOS; MAS NÃO PODEREI OLHAR NOS OLHOS DELES E LHES DIZER QUE VIVEM NA MISÉRIA PORQUE O SEU PAI NÃO TEVE CORAGEM DE LUTAR",Ademar de Borba

Faz tempo que eu quero te falar que a lua é a prova de que a escuridão nunca consegue apagar toda a esperança (Nelson Locatelli, escritor de Foz do Iguaçu)

⁠"Eu respeito tudo, mas incentivo pouca coisa".

⁠Eu ouço tanta insanidade, que tenho certeza, que a humanidade irá se desintegrar na libertinagem.

A Ti, Senhor, consagro o meu caminhar,
Pois sem o Teu amor, onde eu poderia chegar?

Tua força, Pai, é o pão que alimenta e a luz que conduz.
Eis aqui o Teu servo, a serviço da luz,

Que não há de parar, nem descansar,
Até que o último coração Tua Palavra possa abraçar.

Entre o luto e o legado


Meu pai foi embora antes de eu terminar de aprender,
Deixou no meu peito um vazio que o tempo não preenche.
Mas deixou também a fé, que nenhuma dor vence,
É uma saudade boa que eu não quero perder.


Hoje sou pai e entendo o que ele quis me dizer.
Naquele abraço quieto que a pressa não alcança.
Hoje sou pai e carrego com cuidado e com esperança.
Três vidas que Deus quis nas minhas mãos depositar.


Entre o luto e o legado, aprendi a caminhar.
Entre a saudade dele e o sorriso dos meus filhos,
Descobri que o amor não some, só muda de lugar.
E quem parte em Cristo não some, só vai na frente esperar.


Pai, um dia nos vemos do outro lado do mar.
Filhos, enquanto estou aqui, vou ser os seus castelos,
Vou ser o chão firme onde vocês vão pousar.
E, quando eu partir, que a fé em vocês possa continuar.

O Pecado de Escolher a Paz


Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.


Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.


Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?


Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.


Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.


Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.


Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.


Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.


E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.


Porque, no fim, aprendi a duras penas:


nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.

Dona da Própria Luz

Caderno aberto, xícara de chá
O sol entrando devagar
Eu construí minha paz no detalhe
Não deixo mais que ninguém atrapalhe

Aprendi a dizer não sem ter que me explicar
Deixei ir o que pesava, escolhi me respeitar

Sou aço e veludo, sou fogo e diamante
Sigo meus passos, firme e constante
Não busco holofote, não preciso de aplauso
Sou dona da minha história, do meu próprio passo
A minha força não faz barulho
Sou o meu maior orgulho

Olho no espelho e sei quem eu sou
Valho cada curva por onde o tempo passou
Ressurgi mais forte de cada tempestade
Minha poesia agora é liberdade

Aprendi a dizer não sem ter que me explicar
Deixei ir o que pesava, escolhi me respeitar

Sou aço e veludo, sou fogo e diamante
Sigo meus passos, firme e constante
Não busco holofote, não preciso de aplauso
Sou dona da minha história, do meu próprio passo
A minha força não faz barulho
Sou o meu maior orgulho

Sem pressa de chegar, eu já sou o caminho
Luz que me guia quando caminho sozinho
A minha cura é a minha verdade

Sou aço e veludo, sou fogo e diamante
Sigo meus passos, firme e constante
Não busco holofote, não preciso de aplauso
Sou dona da minha história, do meu próprio passo
A minha força não faz barulho
Sou o meu maior orgulho

O sol entrando devagar...
Dona da própria luz.

Se um dia eu me esquecer de quem sou, espero que você se lembre o quanto eu te amei.

"Você escolhe a importância que me dá, mas eu sei o valor que mereço. O que vivo entre esses dois extremos não é da sua conta."

Uma vez uma mulher me disse que nunca ia me esquecer. Eu simplesmente respondi: 'Você vai me esquecer sim, porque o tempo cura tudo, inclusive as promessas que a gente achou que eram eternas.

ASFALTO NA SOLA

Eu vim de lugar onde ninguém pergunta o que aconteceu.

Só olha pra tua cara, vê se você aguenta e manda seguir.

Aprendi cedo que a rua não tem paciência pra quem precisa entender tudo antes de continuar. Você tropeça, levanta, limpa a poeira na própria roupa e vai. Sem discurso. Sem trilha sonora. Sem ninguém batendo palma.

Tem gente que conhece a minha versão arrumada.

Poucos conheceram a que voltava pra casa com a cabeça cheia, o bolso quase vazio e aquele silêncio estranho de quem passou o dia inteiro fingindo que tava tudo certo.

Essa versão não posta nada.

Não explica nada.

Só chega.

Joga a chave em qualquer canto, acende a luz e encara o próprio reflexo como se estivesse cobrando alguma coisa de alguém que já não sabe mais quem é.

Eu já quis muito parecer diferente do que sou.

Hoje eu prefiro parecer exatamente o que a vida fez comigo.

Tem marca que não precisa esconder.

Tem história que perde a graça quando você tenta contar bonito.

Então deixa torto.

Deixa áspero.

Deixa com gosto de madrugada e conversa na calçada.

Porque foi assim que muita coisa aconteceu.

Sem planejamento.

Sem final elegante.

Só decisão errada, amizade improvável, amor mal resolvido, orgulho demais e aquela mania idiota de continuar andando mesmo quando ninguém sabe exatamente pra onde.

Talvez seja isso que chamam de vivência.

Não é ter resposta.

É ter passado por coisa suficiente pra parar de acreditar que toda pergunta precisa de uma.

Hoje eu não quero parecer invencível.

Invencível é personagem.

Eu quero ser real o bastante pra admitir que algumas coisas ainda pesam, mas leve o suficiente pra não carregar todas elas comigo.

O mundo continua sujo.

A rua continua acordada.

E eu ainda tenho asfalto na sola.

Só que agora eu sei voltar pra casa.

under sujão p.

⁠Se o amanhã começar sem mim - David Romano
Se amanhã começa sem mim, e eu não estou lá para ver,
Se o sol nascer e encontrar todos os seus olhos cheios de lágrimas por mim;
Eu queria tanto que você não chorasse do jeito que você fez hoje,
enquanto pensamos nas muitas coisas que não conseguimos dizer.
Eu sei o quanto você se importa comigo e o quanto eu me importo com você,
e cada vez que você pensa em mim, sei que também sentirá minha falta;

Mas quando o amanhã começar sem mim, tente entender,
que um anjo veio e chamou meu nome e me pegou pela mão,
e disse que meu lugar estava pronto no céu bem acima,
e que eu teria que deixar para trás todos aqueles que eu amo.

Mas quando me virei para ir embora, uma lágrima caiu dos meus olhos,
por toda a vida, eu sempre pensei que não queria morrer.
Eu tinha muito pelo que viver e muito a fazer.
parecia quase impossível que eu estivesse te deixando.
Pensei em todo o amor que compartilhamos e em toda a diversão que tivemos.
Se eu pudesse reviver ontem, pensei, só por um tempo,
Eu diria adeus e te abraçaria e talvez te visse sorrir.

Mas então eu percebi que isso nunca poderia ser,
pois o vazio e as memórias tomariam o meu lugar.
E quando pensei em coisas mundanas que sentiria falta, amanhã.
Pensei em você e, quando o fiz, meu coração ficou cheio de tristeza.

Mas quando entrei pelos portões do Céu, senti-me muito em casa.
Quando Deus olhou para mim e sorriu para mim, do Seu grande trono de ouro,
Ele disse: "Esta é a eternidade e tudo que eu prometi a você,
Hoje sua vida na Terra já passou, mas aqui começa de novo.
Prometo que não amanhã, mas hoje sempre durará.
e como cada dia é o mesmo, não há desejo do passado.

Mas você tem sido tão fiel, tão confiante, tão verdadeiro.
Embora tenha havido momentos em que você fez algumas coisas que sabia que não deveria fazer.
E você foi perdoado e agora finalmente está livre.
Então você não vem e pega minha mão e compartilha minha vida comigo? "

Então, se o amanhã começar sem mim, não pense que estamos distantes,
para cada vez que você pensa em mim, saiba que estou em seu coração.

David Romano




⁠" Se eu percebo e observo a maciez da sua boca é pelo lindo motivo de sentir e querer te beijar."💋

só postar quando fizer sentido pra mim

porque eu, porque não?

Antes, o mundo parecia uma fila organizada de causas e consequências. Havia um acordo silencioso entre as coisas: se você fosse bom o suficiente, gentil o suficiente, paciente o suficiente, o universo acabaria devolvendo tudo na mesma moeda.

Então alguém apagou as placas da estrada.

Foi estranho perceber que a tempestade nunca escolhia quem merecia. Ela apenas acontecia. Derrubava telhados de quem rezava e de quem amaldiçoava, afundava barcos de pescadores experientes e de crianças brincando na margem. O céu nunca pediu desculpas por chover.

Ele passou anos perguntando.

“Por que comigo?”

Como se existisse uma secretaria do destino pronta para responder e anexar um relatório detalhando os motivos de cada cicatriz.

Mas o silêncio sempre foi mais competente do que qualquer resposta.

Então começou a reparar em outra coisa.

As pessoas passavam a vida inteira negociando com o inevitável. Acendiam velas para convencer o escuro a não entrar. Faziam promessas para comprar alguns meses de paz. Inventavam versões de si mesmas esperando que a próxima fosse poupada.

Nunca eram.

Porque a vida não perseguia ninguém.

Ela simplesmente não sabia mirar.

E talvez essa fosse a parte mais difícil de aceitar: não havia um vilão escondido atrás das cortinas. Não existia uma inteligência cruel desenhando tragédias personalizadas. O universo era apenas um oceano. E o oceano nunca odiou quem se afogou.

A pergunta começou a mudar.

Não era mais “por que eu?”

Era…

“Por que eu seria diferente?”

Naquele instante, alguma coisa rachou dentro dele.

Não de um jeito triste.

De um jeito libertador.

Percebeu que carregava o ego vestido de vítima sem perceber. Achava que sua dor era uma exceção na história do mundo, quando na verdade era apenas mais uma língua da mesma fogueira onde todos aquecem as mãos e queimam os dedos.

As pessoas chamavam aquilo de azar.

Outras chamavam de destino.

Ele começou a chamar apenas de existência.

E, curiosamente, quando deixou de procurar culpados, a raiva perdeu o emprego.

Não porque as perdas doíam menos.

Mas porque finalmente entendeu que dor nenhuma carregava seu nome gravado.

Ela visitava.

Depois ia embora.

Assim como a felicidade.

Assim como o amor.

Assim como todas as versões dele que jurou serem definitivas.

No fim, percebeu que a vida nunca prometeu justiça. Prometeu movimento.

E talvez fosse exatamente isso que havia tanta beleza escondida no caos.

O vento nunca pergunta quem merece ser levado.

Ele apenas sopra.

E, pela primeira vez, em vez de gritar contra ele, o homem abriu os braços.

Não como quem venceu.

Mas como quem finalmente parou de perguntar por quê.

depois da porta (DC referência)


Eu nunca soube muito bem o que fazer quando alguém percebe que pode me destruir.


Talvez por isso eu tenha ficado.


Existe uma espécie de covardia bonita em continuar perto de quem conhece exatamente o lugar onde apertar. A pessoa nem precisa levantar a voz. Basta um silêncio diferente, uma resposta mais curta, aquele olhar que antes demorava um pouco mais. E pronto. O sujeito que jurava não depender de ninguém começa a procurar significado em migalhas.


Eu conheço esse lugar.


É estranho admitir que alguém pode morar dentro da gente sem pagar aluguel, sem pedir licença e, pior, sem sequer saber que possui uma chave.


Eu tentei transformar isso em orgulho.


Disse para mim mesmo que não precisava. Que conseguiria seguir. Que havia outras pessoas, outras noites, outras histórias esperando para acontecer. Fiz do desapego uma espécie de religião particular e passei a repetir suas regras sempre que sentia vontade de voltar.


Mas o corpo não entende discursos.


O corpo lembra.


Lembra da voz.
Do jeito de chegar.
Da presença ocupando um espaço que parecia ter sido construído exclusivamente para ela.


E então existe aquele segundo ridículo em que tudo volta.


Não como memória.


Como presença.


É aí que eu percebo o problema: talvez eu não queira ser libertado.


Talvez uma parte de mim ainda queira ser segurada.


Não porque eu não consiga ficar de pé, mas porque existe uma diferença absurda entre estar de pé e ter alguém por quem valha a pena cair.


Eu poderia mentir e dizer que quero alguém que nunca me faça perder o controle.


Não quero.


Eu quero alguém diante de quem meu controle pareça uma coisa pequena.


Alguém que atravesse minhas defesas sem precisar arrombá-las. Que veja toda essa pose de homem resolvido e perceba que, por trás dela, existe alguém que só queria encontrar um lugar onde não precisasse estar sempre pronto para ir embora.


Talvez seja isso que assusta.


Não amar.


Ser conhecido.


Porque quando alguém realmente conhece você, acaba a possibilidade de fingir que não sente.


E eu sinto.


Sinto até quando finjo que não.


Então, se algum dia eu voltar para aquela porta, não será porque esqueci tudo o que aconteceu.


Será justamente porque lembrei.


Porque existem pessoas que a gente supera.


E existem aquelas que permanecem como uma música tocando baixinho em algum cômodo da casa, você pode sair, fechar a porta, mudar de endereço, começar outra vida.


Mas, de vez em quando, no meio da madrugada, ainda consegue ouvir.


E talvez eu ainda esteja ouvindo.


Talvez seja por isso que, mesmo sabendo o quanto isso me desarma, uma parte de mim ainda sussurra:


fica.


Não precisa me salvar.


Só não solta agora.

Gatsby se virou para mim num movimento rígido:
— Eu não posso dizer nada nessa casa, meu caro.
— Ela tem uma voz indiscreta — observei. — Cheia de… — Hesitei.
— A voz dela é cheia de dinheiro — disse ele, de repente.
Era isso. Eu nunca tinha entendido antes. Era cheia de dinheiro, tal
era o charme inesgotável daquelas oscilações, era isso que tilintava
naquela voz, era essa a canção tocada pelos címbalos daquele timbre…
No alto de um palácio branco, a filha do rei, a garota de ouro…