Eu Amo meus Inimigos

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Edição Primeira — 2025
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José Valdeci Dionísio • Filósofo
A Carta
de Meus
Pensamentos
✦
"Foi no silêncio que encontrei a Verdade. E a Verdade tinha um nome."
Vicência — Pernambuco
1992 — Uma vida em busca da paz interior
Estoicismo • Fé Católica • Silêncio


Capítulo — Prólogo
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Prólogo
O Homem que
Decidiu Pensar
Eu sou José Valdeci Dionísio, filósofo, nascido no ano de 1992 na cidade de Vicência, Pernambuco, e criado no município de Murupé, onde minha história lançou raízes. Não escrevo este livro para contar feitos grandiosos, mas para registrar o percurso de uma alma que demorou a aprender a ficar em silêncio.


Durante muito tempo, acreditei que viver era reagir. Reagir a tudo, a todos, a cada palavra que me feria. Foi preciso atravessar a aridez da inquietação para compreender que a filosofia não começa nos livros, mas na decisão de observar a própria vida com honestidade.


Esta obra é uma carta — não enviada a alguém específico, mas deixada sobre a mesa do mundo. Nela, reúno memórias, quedas, recomeços, a descoberta de Deus na ordem da natureza, o retorno à Igreja Católica pelas mãos de Santo Agostinho, a luta contra a ansiedade e, sobretudo, o aprendizado do silêncio como mestre.


"Se este livro servir para que ao menos uma pessoa recupere um minuto de paz interior, já terá cumprido sua missão."


— J. V. Dionísio


Capítulo I — Raízes em Vicência e Murupé
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I
Capítulo I
Raízes em Vicência e Murupé
Vicência é terra de cana e de céu aberto. Nasci ali em 1992, mas foi em Murupé que a infância se fez. Murupé não é apenas um lugar no mapa; é um modo de aprender o tempo. Ali, o dia começa cedo, o silêncio da tarde pesa, e as pessoas se conhecem pelo nome e pela história da família.


Cresci entre ruas de barro batido, brincadeiras simples e uma sensação constante de pertencimento. Minha mãe, mulher de fé e de fibra, sustentava a casa com oração e trabalho. Eu, por sua vez, sustentava a casa com preocupações. Desde cedo, havia em mim uma inquietação que não sabia nomear.


As raízes são importantes porque nos lembram de onde viemos quando o mundo tenta nos convencer de que não somos de lugar algum. Em Murupé, aprendi três coisas que me acompanham até hoje: que a natureza não tem pressa, que a palavra dada vale mais que contrato, e que Deus se revela nas coisas pequenas — no orvalho da manhã, no cheiro da terra molhada, no conselho de um idoso sentado à porta.


Minha infância não foi perfeita, mas foi verdadeira. E a verdade, quando enraizada, resiste às tempestades.


¹ Murupé, distrito de Vicência, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Região marcada por forte tradição católica e cultura canavieira.


Capítulo II — O Jovem Problemático
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II
Capítulo II
O Jovem Problemático
Fui um garoto problemático. Digo isso sem orgulho e sem auto-piedade, mas com a clareza que só o tempo concede. Dei muito trabalho à minha mãe até os trinta anos. Não por maldade, mas por confusão interior. Havia um ruído dentro de mim que eu tentava abafar com atitudes, palavras e escolhas precipitadas.


O jovem problemático não é, na maioria das vezes, um rebelde por convicção; é um homem que ainda não encontrou um centro. Eu buscava fora o que só poderia ser encontrado dentro. Queria ser ouvido sem aprender a escutar. Queria ser respeitado sem aprender a respeitar o próprio silêncio.


Minha mãe, com paciência que hoje reconheço como santa, nunca desistiu. Ela rezava. Enquanto eu me perdia, ela permanecia. Essa permanência foi, retrospectivamente, minha primeira aula de filosofia estoica, ainda que eu não soubesse nomeá-la: manter-se firme quando tudo ao redor convida ao desespero.


Escrevo este capítulo como quem pede perdão e como quem agradece. O perdão àqueles que feri com minha inquietação; o agradecimento àqueles que, mesmo feridos, permaneceram.


Capítulo III — O Despertar
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III
Capítulo III
O Despertar: Aos 30 Anos
Aos trinta anos, algo mudou. Não foi um evento grandioso, mas uma lenta fissura na maneira como eu enxergava o mundo. Comecei a perceber que havia uma verdade que se escondia de mim — não porque ela se escondesse, mas porque eu estava barulhento demais para vê-la.


Passei a buscar lugares calmos. Não por fuga, mas por necessidade. Ia para áreas de mata, para beiras de rio, para o quintal ao entardecer. Ali, em silêncio, contemplava a perfeição da natureza e a curiosidade quase infinita da mente humana. Como pode uma folha saber a hora exata de cair? Como pode o coração humano conter, ao mesmo tempo, medo e esperança?


O despertar filosófico não é um raio que cai; é uma manhã que, aos poucos, clareia. Comecei a entender que a filosofia não é acúmulo de respostas, mas a coragem de permanecer nas perguntas essenciais: Quem sou? De onde venho? Para onde vou? E, sobretudo, o que permanece quando tudo passa?


Foi nesse período que deixei de reagir para começar a observar. Observar a mim mesmo, os outros, o mundo. A observação serena é o início da sabedoria. Capítulo IV — A Verdade Escondida
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IV
Capítulo IV
A Verdade Escondida: Deus na Perfeição da Natureza
Depois de procurar a verdade em tantos lugares, percebi que ela não estava escondida; ela estava evidente. Estava Naquele que fez existir o mundo e toda esta perfeição: Deus.


Contemplei uma formiga carregando uma folha dez vezes maior que seu corpo e pensei: há ordem aqui. Contemplei o céu estrelado sobre Murupé, sem poluição luminosa, e pensei: há imensidão aqui. Contemplei a capacidade humana de amar quem nos feriu e pensei: há transcendência aqui.


A evidência mais significativa da existência de Deus reside na humanidade e na natureza, que refletem uma extraordinária perfeição, onde cada elemento ocupa seu lugar adequado e contribui de forma harmoniosa para a nossa existência. Nada é por acaso. A semente, a chuva, o tempo de germinar, o tempo de colher — tudo obedece a uma lógica que não inventamos.


Deus não é uma hipótese filosófica para preencher lacunas; é o fundamento que torna as lacunas compreensíveis. Quando entendi isso, o mundo deixou de ser um amontoado de problemas a resolver e passou a ser um mistério a contemplar.


"A natureza é o segundo livro de Deus. O primeiro é a Escritura. Quem não lê nenhum dos dois permanece analfabeto do essencial."


Inspirado em Santo Agostinho. Capítulo V — O Caminho da Fé
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V
Capítulo V
O Caminho da Fé: Das Seitas a Santo Agostinho
Minha busca por Deus não foi linear. Passei por várias seitas que se diziam cristãs. Em cada uma, havia algo de bom — o desejo sincero de encontrar o Senhor — mas faltava algo essencial: a profundidade histórica, a unidade, a raiz.


Eu buscava uma fé que coubesse na minha ansiedade, e encontrava discursos que aumentavam minha inquietação. Buscava respostas rápidas e recebia fórmulas. Foi um tempo de sede.


Até que encontrei Santo Agostinho. Grande santo e filósofo da Igreja, homem que também conheceu a errância, os prazeres vazios, a busca desordenada. Ao ler as Confissões, encontrei alguém que havia sentido o que eu sentia, séculos antes. Agostinho não me deu atalhos; deu-me um caminho.


Foi estudando-o que voltei à Santa Igreja Católica. Não por tradição familiar apenas, mas por convicção intelectual e espiritual. A Igreja não é perfeita porque é feita de homens imperfeitos, mas é verdadeira porque guarda, há dois mil anos, a presença real de Cristo na Eucaristia, a sucessão apostólica e a capacidade de acolher tanto o sábio quanto o simples.


Voltei para casa. E casa, quando reencontrada após longa viagem, tem sabor de eternidade. Capítulo VI — As Tempestades Interiores
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VI
Capítulo VI
As Tempestades Interiores
Durante esse tempo, passei por momentos muito difíceis. A ansiedade sempre me fazia pensar no passado, perturbando-me com memórias, culpas e cenários que nunca aconteceram. Vivi dois casamentos frustrados. Hoje sou casado novamente, tenho uma filha com minha atual esposa e outra com minha ex-esposa. Cada vínculo me ensinou algo que nenhum livro poderia ensinar.


Esses pensamentos repetidos transformaram-se em transtorno de ansiedade generalizada. Sofri muito. O corpo parecia ter vida própria: coração acelerado, falta de ar, insônia, um medo sem nome. Demorei a entender uma verdade simples e libertadora: nosso corpo só reage por conta de nossos pensamentos.


Um dia, decidi mudar a estratégia. Em vez de lutar contra a ansiedade, aceitei-a. Aceitei-a em meu corpo e me deixei levar, mas com consciência. A cada crise, ficava em silêncio e me questionava: o que este sentimento quer me ensinar? O que estou tentando controlar que não está sob meu controle?


A fé em Deus me fez pensar na Sua vontade em minha vida e me deixei guiar por Ele. Não como quem terceiriza a responsabilidade, mas como quem reconhece que há uma Providência maior que a minha pequenez. Rezar tornou-se não apenas pedir, mas permanecer. Permanecer diante de Deus, mesmo sem palavras.


A paternidade, com suas duas experiências distintas, também me moldou. Ser pai é aprender que amar é, muitas vezes, suportar a própria impotência e, ainda assim, permanecer amando.


Capítulo VII — O Silêncio como Mestre
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VII
Capítulo VII
O Silêncio como Mestre
Meu corpo e minha mente foram mudando a cada dia. Deixei de me preocupar excessivamente com as dificuldades, não por indiferença, mas por discernimento. Aprendi a não me deixar levar por provocações e preconceitos. Entendi, na prática, que é na calma, no silêncio e na postura que se lida com situações difíceis.


Quando alguém tentar ofendê-lo, evite qualquer tipo de reação. Mantenha a postura, olhe firmemente nos olhos e permaneça em silêncio. Essa atitude frustra quem quer roubar sua paz. O silêncio não é fraqueza; é domínio. O olhar sereno não é desafio; é altivez.


Foi com a filosofia estoica de Marco Aurélio que aprendi a cada dia ficar mais organizado, preparando-me mental e fisicamente para tudo em minha vida. Marco Aurélio, imperador de Roma, escrevia para si mesmo em sua tenda de guerra: "Que a sua mente permaneça firme". Essa disciplina antiga encontrou em mim um terreno fértil.


Liguei essa prática aos fundamentos de Jesus Cristo: silêncio, paz e amor ao próximo como a si mesmo. O estoicismo me deu a forma; Cristo me deu o conteúdo. Um me ensinou a suportar; o Outro me ensinou a amar enquanto suporto.


Jesus Cristo me transformava a cada dia. Até hoje tenho dificuldades, pecados, pois não sou perfeito — sou como qualquer ser humano desta terra. A diferença é que decidi me aprofundar nos pensamentos em vez de fugir deles. E foi desse aprofundamento que nasceu este livro.


Prática Estoica
Premeditatio malorum — antecipar com serenidade as dificuldades para não ser escravo delas.
Prática Cristã
Oração contemplativa — permanecer em silêncio diante de Deus, sem pedir, apenas estando.


Capítulo VIII — Cartas de Pensamentos
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VIII
Capítulo VIII
Cartas de Pensamentos
Coleção de aforismos
I
Quando alguém tentar ofendê-lo, evite qualquer tipo de reação. Mantenha a postura, olhe firmemente em seus olhos e permaneça em silêncio. Essa atitude fará com que seu interlocutor perceba que está falando sozinho, frustrando a tentativa de abalar sua paz interior. O silêncio absoluto, aliado a um olhar sereno, demonstra maturidade, altivez e respeito próprio.


II
Muitas vezes nos questionamos sobre a origem do sofrimento e das tribulações em nossas vidas. Nesses momentos, a sensação de abandono pode surgir, mas a verdade é que as provações servem como um processo de aprendizado e fortalecimento. Deus permite tais desafios para que possamos exercitar a resiliência e manter a fé inabalável, compreendendo que a vitória é, frequentemente, o fruto da perseverança diante das dificuldades. Nos momentos de dor, busquemos força no exemplo de Jesus Cristo.


III
Onde Cristo habita, não há espaço para o rancor ou o ódio. Sua presença manifesta-se por meio do amor, da paz e da alegria.


IV
A cruz é a prova do amor de Deus por nós.


V
A maior riqueza de um indivíduo reside na clareza mental, na aceitação resiliente dos desafios e no cultivo da paz interior.


VI
Perecerão os que, mesmo em meio à fartura, buscam o declínio do semelhante. Contudo, prosperará aquele que, ainda que em privação, mantém sua confiança em Deus e dedica suas preces ao próximo.


VII
A essência da minha existência fundamenta-se em Cristo. Através do Senhor, conheci a Verdade, e essa revelação permitiu-me aprofundar meu conhecimento e amor por Ele. Jesus Cristo é o meu sustento vital, o lírio que traz pureza ao lar e a esperança de salvação para o mundo.


VIII
A evidência mais significativa da existência de Deus reside na humanidade e na natureza, que refletem uma extraordinária perfeição, onde cada elemento ocupa seu lugar adequado e contribui de forma harmoniosa para a nossa existência.


Nota do Autor
Estas frases não nasceram para impressionar, mas para lembrar. Escrevi cada uma em momentos de crise, em cadernos simples, à luz de lamparina ou após a oração da manhã. São cartas curtas que enviei a mim mesmo. Se chegaram até você, que cumpram também o papel de companhia.


Capítulo — Epílogo
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Epílogo
A Guarda
da Paz Interior
Se eu pudesse resumir tudo o que aprendi nestes trinta e poucos anos de vida em uma única frase, seria esta: nunca deixe que a provocação do outro entre no seu coração, porque a intenção de quem provoca é justamente tirar sua paz interior.


A paz interior não é ausência de problemas; é presença de sentido no meio dos problemas. Ela não vem quando tudo se resolve, mas quando você decide que não será refém do que não pode controlar.


Minha vida não se tornou perfeita. Continuo ansioso em alguns dias, falho em outros, humano sempre. Mas aprendi a voltar ao silêncio. O silêncio é minha casa. Nele, reencontro Deus, reencontro a mim mesmo e reencontro a capacidade de recomeçar.


Deixo este livro como se deixa uma carta sobre a mesa: sem exigir que seja lida, mas com esperança de que, se for, encontre um coração disposto. Se você chegou até aqui, obrigado por caminhar comigo por estas páginas.


Que você, ao fechar este livro, não feche a busca. Que o silêncio, a oração e a filosofia estoica sejam companheiros diários. Que Cristo seja o centro. E que sua paz interior seja guardada como se guarda um tesouro — com vigilância, com humildade e com amor.


Murupé, Vicência — PE
2025 • Em silêncio e oração
José Valdeci Dionísio
Filósofo
Convite à Reflexão
Após a leitura, reserve dez minutos em silêncio absoluto. Sem celular, sem música. Apenas você e seus pensamentos. Pergunte-se: o que em mim ainda reage sem necessidade? O que eu posso entregar hoje ao cuidado de Deus? Anote uma frase — a sua carta de pensamentos começa agora.

Esparjo os meus versos
entre lençóis bordados
com pétalas de lua
e folhas de estrelas..


e enquanto o olhar suspirante
do oceano captura a minh'alma
o céu boceja poesia...
✍©️@MiriamDaCosta

Meus pensamentos arranham
meus sentimentos,
e meus sentimentos acariciam
meus pensamentos...


Não consigo evitar
de pensar com sensibilidade
e sangrar sentimentos embebidos
no plasma de pensamentos sinceros,
coagulando ideias bordadas
pelos glóbulos do meu sentir...


Meus pensamentos raspam
minha carne interna,
arranham fundo,
e ainda assim são meus sentimentos
que voltam e os acariciam,
como se quisessem curar
o que eles mesmos feriram...


Sou feita dessa contradição
que pulsa forte,
penso com as fibras
expostas do sentir ,
sinto com os nervos
incendiados do pensar ...


Sangro emoções misturadas
ao plasma cru dos meus pensamentos,
e deixo coagularem em mim
essas ideias vivas,
bordadas com glóbulos de afeto
que insistem em não morrer.
Meus pensamentos, às vezes,
arranham o peito,
mas meus sentimentos, dóceis,
voltam para suavizar a dor.
É impossível não pensar com delicadeza,
não sentir com profundidade.


O que penso nasce já tingido de emoção,
o que sinto vem já tecido de ideias.
Tudo em mim se mistura:
sentimentos que sangram
no plasma claro dos pensamentos,
pensamentos que repousam
no aconchego cálido do meu sentir.


Sou um sentir visceral
que gera e transborda pensamentos
e um pensar cortante
que hidrata e balsameia sentimentos...
✍©️@MiriamDaCosta

Ode ao Senhor Tempo


Oh! Tempo!
Como aprecio-te!
Gosto de ter-te nos meus passos,
no meu trilhar o tempo do viver.


Sem pressa e afobação,
a pressa me conturba, me confunde;
a afobação me irrita,
é enervante!


A minha pressa
é a da calma,
do meu tempo
sem tempo apressado.


Oh! Tempo,
meu silencioso companheiro,
gosto de sentir-te nos passos,
marcando o compasso do viver.


Não te quero correndo,
nem arfando nos relógios do mundo.
A pressa me turva,
me dispersa da inteireza.


A afobação grita,
e eu prefiro o sussurro.


Minha pressa
é feita de calma,
é o tempo que caminha
sem se perseguir.


Oh, Tempo,
não te temo,
te cultivo.


Quero-te nos meus passos,
não como urgência,
mas como presença.


A pressa me rouba o sentido,
me embaralha os gestos,
me desencontra de mim.


A afobação não é movimento,
é ruído e caos.


Eu sigo outro ritmo,
a pressa da calma,
esse tempo que não corre,
apenas vive em mim
em versos que correm
no tempo sem pressa
da poesia do viver.
✍©️@MiriamDaCosta

Meus olhos cevam-se
enquanto devoro palavras.


Ler é nutrir a alma
faminta de sentido
num mundo que a esquece
à míngua.
✍©️@MiriamDaCosta

Oh! Outono!
Volta para os meus braços.
Já não suporto o calor excessivo do verão.
Vem, refresca os meus dias
e embala as minhas noites com frescor.


Oh, Outono,
retorna ao abrigo do meu colo.
O verão me exaure
com seu fogo insistente.
Vem com teus ventos mansos,
refresca esses dias febris
e derrama silêncio fresco
sobre minhas noites.


Oh! Outono…
volta para os meus braços sedentos.
O verão arde demais em minha pele e na alma.
Preciso do teu sopro âmbar,
das folhas que caem como suspiros,
do frio suave que acalma o corpo
e adormece os pensamentos.
Vem…
refresca meus dias abafados
e devolve às minhas noites
o direito de respirar.


✍©️@MiriamDaCosta

No tremor das letras,
sou terremoto de palavras,
no tsunami dos meus versos.


Abalo sílabas,
desloco sentidos,
rompo diques de silêncio.


Não escrevo:
erupciono.


Não declamo:
transbordo.


Sou falha geológica
no solo raso do óbvio,
placa que colide
com a hipocrisia das margens.


E quando a maré baixa,
não sobra calmaria,
sobram ruínas férteis
onde germinam
novos alfabetos de fogo.
✍©️@MiriamDaCosta

Trancei meus fios capilares
em folhagens poéticas ...

E me encontrei
penteando meus versos
com a leveza do vento
entre galhos verdejantes...


Havia musgo nos meus silêncios,
clorofila nas minhas palavras,
e uma espécie de paz selvagem
me atravessando por dentro
como se eu já não fosse corpo,
mas selva que escreve....


Ali,
onde a natureza respira calma,
minha alma se fez floresta
e a poesia…
brotou mansamente verde.
✍©️@MiriamDaCosta

Nesses meus anos de vida
pude perceber que as pessoas
que mais encheram a boca para falar
de Jesus ou de Deus...


foram as que mais
(de um modo ou de outro)
tentaram infernizar o meu viver...


e as que mais demonstraram ser
as concorrentes do diabo
nesse meu trilhar a vida.


Visto e considerado esse dado de fato,
perdi a total confiança em qualquer pessoa
que em qualquer tipo de proferimento inclui o nome de Jesus ou de Deus.


Sobretudo aquelas que como fossem, de alguma forma, superiores aos demais,
estufam o peito , levantam o rosto e exclamam como fosse uma intimidação:


- Eu tenho Jesus!
- Eu vivo em Jesus!
- Jesus vive em mim!
E por aí vai...


E eu?!
Aprendi a observar,
escutar
e "sofrer" de afonia.
✍©️@MiriamDaCosta

Oh, Itaipu!
reconheço as raízes profundas
dos meus pés
entre o vosso mar, vossa lagoa,
vossas dunas, ilhas e igarapés.


Os meus passos eu sei de cor
nesse sereno andejar a compor
o meu singrar o tempo,
o vento e o sol
mansamente a se pôr...


Oh, Itaipu!
Em vós reconheço
que o movimento dos meus pés
não são passos,
são raízes que caminham.


Entre o vosso mar salgado
de eternidades,
a lagoa que espelha silêncios,
as dunas que guardam
segredos do vento,
as ilhas que flutuam
como pensamentos antigos
e os igarapés que sussurram histórias
que só a poesia da terra entende...
eu me reconheço.


Os meus passos, eu sei de cor,
não porque os decorei,
mas porque fui escrita por eles.


Nesse sereno andejar
que me atravessa,
vou compondo o que sou
com o que me antecede.


E singro,
não apenas o tempo,
mas o sopro invisível das horas,
o vento que me desarruma e arruma
inteira por dentro,
e esse sol que, ao se pôr,
não morre,
me dissolve em serena luz.


Oh, Itaipu!
Há raízes nos meus pés
que só em ti reconhecem
o seu lugar.


Entre o mar, a lagoa,
as dunas que respiram
e os caminhos de água
que murmuram,
eu caminho lentamente,
como quem se escuta.


Sei de cor os meus passos
(versos tatuados de brisa e areia),
porque eles já me conheciam
antes mesmo de eu existir.


E nesse manso caminhar,
vou singrando o tempo,
o vento
e o sol que se despede,
como quem aprende,
em silêncio, a pertencer
mais do que já pertence.


Óh! Itaipu!
Posso até distanciar-me de vós,
mas nunca serás distante de mim.
✍©️ @MiriamDaCosta

E assim
vou vivendo
com os meus pensamentos organizados
no caos desse mundo.

As paisagens abraçam
a minh’alma,
com seus braços
de vento e horizonte,
acolhem meus silêncios,
acariciam minhas feridas,
e bordam em mim
um descanso antigo....


As montanhas
me erguem,
os rios
me devolvem movimento,
as árvores
me vestem de sombra e calma,
e o céu, vasto,
me devolve a memória
de ser infinita...


Tudo respira em mim,
tudo me recolhe,
tudo me pertence
quando me deixo ser
apenas paisagem
também...


✍©️@MiriamDaCosta

Penso fora da caixa porque dentro dela nunca houve espaço para os meus sonhos.

O gado diz que meus posts são conversa para boi dormir, então por que ainda estão acordados? Confundiram a postagem com pastagem?

para me castrar,
basta encarcerar os meus lábios tristes

Você não é apenas parte da minha vida, você se tornou a própria razão pela qual os meus dias ganham sentido. Se cinco meses ao seu lado já têm a densidade de uma vida inteira de felicidade, mal posso esperar para colecionar eternidades junto de você.
_Enzo Ruchell_

Quando a voz suave dela penetrou em meus ouvidos,ecoou por toda a minha alma sua doçura.

Que meus olhos nunca tenham pressa e possam ver com ternura mais um presente amoroso de Deus, um novo dia para viver.

Não sei o que você viu em mim,as palavras dela ainda ecoavam em meus ouvidos,então pensei,pois é tem tanta gente interessante por aí,mas logo meu coração disparou:
Você viu nela tudo que te faltava,a alegria nos dias tristes,a risada gostosa que se espalha pelo ar,sua leveza de menina moleca,mas que esconde uma mulher. encantadora,a doçura de sua voz que me faz sonhar .
Ela é caos disfarçada de calmaria,chegou sem pedir licença e invadiu todos os lugares vazios que encontrou.
Foi assim que vi muito além do que os outros viam,pude ver a beleza de sua alma,que apesar das cicatrizes,reflete a luz da sua essência,e ouso dizer que virei poeta por sua causa.
Eu vi AMOR,e vai ser sempre amor,pois meu coração te escolheu pra ser meu par por toda a eternidade.

⁠Que meus olhos nunca deixem de ver a poesia escondida nas coisas simples, seja numa flor, num pássaro, ou num novo dia que nasce, e que meu coração saiba ser grato em cada batida.