Eu Amo meus Inimigos
Quando eu fugiria da dor,
Ele ficou.
Quando eu clamaria por socorro,
Ele se calou.
Era o Cordeiro mudo diante dos algozes,
Mas dentro d’Ele, um trovão de amor rugia.
Cada gota de sangue dizia:
“Eu estou aqui, porque você um dia viria.”
Algo de mim
Quisera eu...
Ser mar, ser jardim, mundo afora ou em mim.
Tenho em mim tão pouco.
Se parto, em vão; se fico, a sós.
Quisera eu...
Ser assim, ao menos em mim:
mar... jardim...
Pois se fico, em vão; se parto, a sós.
Morna tristeza
Quisera eu livrar-me da morna tristeza, que chamejasse, pouca ou alguma verdade.
Há fogo, contudo, aceso na chama do desapontamento, assim, como carne e sangue.
Fragmento IV - Conação
Entre corpo e alma, eu.
Um entre-espaço, dito maneira, que tange a esfera transcendental da mística à relação lógica e contemplativa do abstrato.
Assim, o corpo existe apenas como relação meramente espacial da afirmação, ao passo que, a mente flutua, introspectivamente, em busca de sua intuição.
Nesse radiante e permeável oaristo, de um ao outro, eu.
Nebulocoginição
Que vejo eu, se ver é só ideia vã,
Reflexo vão da mente, sombra escura?
Se tudo quanto é mundo se me espelha,
Será o mundo real? Ou só figura?
Quem me afirma que há pedra, céu e chão,
Se tudo é sonho feito em consciência?
Talvez o Sol se apague ao meu fechar,
E Deus, talvez, em mim só tenha essência.
De que me serve a carne e seu quebranto,
Se não sei se é de mim, ou de um invento?
Pois posso ser apenas leve encanto,
Imagem ou curto pensamento.
Eu me sentia indisposta, mas não era de rejeitar serviços.
Atendimento agendado para o sábado, tínhamos que viajar, a professora e no momento minha cliente, tinha casa em outra cidade.
No caminho todas as conversas possíveis, eu sempre atenta a ouvir e aprender, e blá-blá-blá...
Lá pelas tantas... Silêncio absoluto! (e sequer um "aham"... eu dizia)
A professora fez uma pergunta:
– Jô, você está direitinha?
– Não professora! – proferi quase em agonia. – Estou mal, tenho calafrios.
– O que posso fazer para ajuda-lá?
A viagem ainda era longa...
Dos dois lados da estrada canavais, lá ao longe se avistava uma casa... dois agricultores do lado de fora...
A professora desceu do carro...
Perguntou se a dona da casa estava.
Um resmungo e um aceno de cabeça afirmavam que sim...
Da porta da frente se avistava o quintal, vindo em nossa direção aquela senhora simpática... nos acolheu.
Uma curta cortina servia de porta, no lugar do chuveiro um pote com água e uma cuia.
Era ali que eu tinha que me aliviar do mal estar.
Muita agradecida pelo gesto de carinho...
E nossa viagem prosseguiu serena até o destino previsto.
(Contos que conto)
EXCEÇÕES
Antes que me perguntem novamente eu respondo:
Sim, eu me acho, mas isso não é uma regra... eu tbm me perco, e me acho de novo e sempre.
DESISTO
Eu desisto de amar, pois meu coração já não aguenta mais abrir novas e velhas feridas o tempo todo. Acho que me lançaram uma maldição, onde jamais seria amada apesar da entrega, ou o meu melhor jamais seria suficiente aos olhos mesquinhos dos outros... estou cansada, frágil, só precisava de um pouco de colo, de ser amada, compreendida, de sentir meu coração aquecido
recebendo de volta o amor que ele vem abundantemente desperdiçando ao longo da minha jornada.
Se o amor existe, eu não fui feita pra ele!
Minhas poesias são reflexos das minhas dores, talves se não as tivesse, eu seria um escritor encéfalo.
A vida sempre me bateu muito, fez eu adquirir calos. Ao longo de anos, fui mudando, me moldando e me blindando. Hoje sou apenas alguém que não possui sentimento algum.
Aqui eu ouço os que assim como eu, já caminharam entre a dor e a fé.
Assim como eu, tiveram a infância roubada, mas que ainda à esperança e que persistem.
E a todos os que, mesmo em silêncio, continuam lutando para existir.
Não se trata de mudança de humor constante, trata-se de, às vezes, eu não conseguir fingir que estou bem. Sem perceber, às vezes sou verdadeiramente eu, e isso incomoda.
Ao não conseguir mascarar a verdade interior, sinto-me exposto à própria fragilidade, como se deixar que meu “eu” verdadeiro apareça fosse admitir que tenho falhas e medos que fogem ao controle. Essa transparência, ainda que
dolorosa, revela que a força que me sustenta vem de aceitar minhas quebras em vez de fingir perfeição.
A escuridão não é a ausência de luz. É algo muito mais complexo. Eu já estive lá várias vezes, aliás, ela, de vez em
quando, vem ao meu encontro. Mas, mesmo nas sombras, eu sei que Deus está sempre comigo, nunca me
desamparou. Mesmo na escuridão completa, segura a minha mão e me mostra o caminho. A ausência física de claridade simboliza apenas a fração visível do que sinto, há uma densidade sombria que engole sentido e esperança. Porém, a percepção de uma presença divina me faz acreditar que existe, mesmo no ponto mais escuro, uma mão invisível capaz de me guiar quando minhas forças falham.
A hipocrisia está em todo lugar, em todos. Eu a carrego também, de certa forma, mas, ao perceber, tento injustificadamente me alinhar aos princípios que alguém hipócrita nos deu de herança. Vejo hipocrisia nos olhares que disfarçam repulsa de compaixão, e reconheço traços dela em minhas próprias ambições frustradas, querer ter um dia de paz, mas manter
meu rancor como combustível. Tento me policiar, mas sou parte desse ciclo, recebi valores enviesados de gente que, ao pregar bondade, agia de maneira oposta.
Chorar não adianta mais. Eu e meu choro fazemos companhia um ao outro.
Já chorei até não sentir mais nada, as lágrimas se esgotaram, deixando apenas um vazio duro. Hoje, o choro é como um amigo que visita minha face sem quase derramar gota, ele lembra o tanto que tentei e falhei em encontrar alívio na própria tristeza.
Talvez eu seja transgressor da minha mente, sendo infesto com minha existência. Sinto-me invadido por pensamentos que me repelem, como se minha própria consciência fosse inimiga, uma traidora que me enche de dúvidas sobre o direito de continuar existindo. Essa sensação de infecção mental corrói meu senso de identidade, questionando se ainda há algo de puro em mim para resgatar.
Tem uma coisa que eu sou muito bom, sou bom em não ser bom em nada... Ao admitir minhas incoerências e falhas, percebo que me curvo a uma verdade dolorosa, minha identidade se fragmentou quando meu corpo e minha mente falharam. Reconhecer essa “incapacidade” sem me ressentir é um ato de amor próprio que ainda carrego como ambiguidade, saber que posso “não ser bom” em qualquer coisa, mas ainda assim mereço existir.
Talvez eu jamais descubra o que vim fazer no mundo, mas enquanto tento me achar, vou errando, me decepcionando e sempre tentando, cada tentativa de redescobrir um propósito me levou a beiras do abismo, onde a incerteza corrói a confiança, no entanto, admitir que
posso errar e decepcionar-me revela que ainda estou vivo e aprendendo, mesmo que a cada passo eu tema desabar de novo.
