Etica e Educação
ANTES DO CRISTO:
A ÉTICA COMO SEMENTE NA ALMA HUMANA.
Desde os primórdios da humanidade, muito antes do nascimento de Jesus, o ser humano já buscava compreender o que era o bem, o justo, o nobre. A ética, nesse sentido, não nasceu com o Cristo — ela foi por Ele aperfeiçoada. Antes d’Ele, pensadores, mestres e sábios já se debruçavam sobre os dilemas morais da existência e sobre os valores que dignificam a alma humana. Um desses nomes fundamentais foi Sócrates (470–399 a.C.), o filósofo ateniense que não escreveu uma única linha, mas cujos pensamentos ecoam há mais de dois milênios.
A Ética em Sócrates: O Conhece-te a Ti Mesmo.
Sócrates não pregava dogmas. Ele inquietava. A ética para ele era vivida no dia a dia, na praça pública, nos diálogos francos. Sua máxima “Conhece-te a ti mesmo” não era apenas um convite introspectivo, mas um imperativo moral: só pode agir corretamente aquele que se conhece, que reflete, que examina suas intenções e desejos.
Para Sócrates, a virtude era conhecimento. Ninguém faz o mal deliberadamente — faz-se o mal por ignorância do bem. Seu método dialético buscava, então, a verdade através do diálogo, da humildade intelectual e da coragem de reconhecer os próprios erros. Essa ética racional, baseada na busca do bem por meio da sabedoria, marcou um divisor de águas no pensamento ocidental.
Mesmo condenado à morte por desafiar os costumes da época, Sócrates não fugiu de sua responsabilidade moral. Recusou escapar da prisão, afirmando que uma vida sem exame não vale a pena ser vivida. Morreu fiel à sua consciência, e por isso seu legado ético transcende os séculos.
A Semente Ética no Mundo Antigo.
Antes dele, porém, outras civilizações já refletiam sobre condutas e valores. Os egípcios falavam da Maat, a deusa da verdade e da justiça, representando equilíbrio, ordem e retidão. Os hindus, com o conceito de Dharma, ensinavam que cada um possui deveres éticos a cumprir, ligados à harmonia universal. Os chineses, sob a influência de Confúcio, estabeleceram princípios como respeito aos anciãos, retidão, fidelidade e benevolência, pilares de uma convivência civilizada.
Esses ensinamentos, mesmo que culturalmente distintos, carregam uma matriz comum: a ética como ponte entre o indivíduo e o coletivo, entre o íntimo e o social, entre o dever e o querer.
Conclusão: A Ética que Nos Habita.
A ética não é propriedade de nenhuma época, religião ou povo. Ela é a linguagem silenciosa da alma madura, que reconhece no outro a dignidade de si mesmo. Sócrates não nos deu regras prontas, mas um modelo de pensamento: questionar, refletir, aprimorar-se continuamente.
Em tempos em que a velocidade dos acontecimentos ameaça atropelar a profundidade das decisões, resgatar essa ética socrática — racional, dialogal e interiorizada — é um ato de resistência humana.
Seja no silêncio das decisões solitárias, seja no barulho dos dilemas coletivos, permanece viva a pergunta socrática: “O que é o bem?”
E ao buscá-la, o ser humano educa sua consciência, amadurece sua liberdade e dignifica sua jornada.
A ética não é um mandamento que vem de fora, mas uma luz que nasce do coração lúcido, que pensa, sente e se responsabiliza.
" Reconhecer a diferença é questionar os conceitos homogêneos, estáveis e permanentes que excluem o ou a diferença. As certezas que foram socialmente construídas devem se fragilizar e desvanecer. Para tanto, é preciso desconstruir, pluralizar, reinventar identidades e subjetividades, saberes, valores, convicções, horizonte de sentidos. Somos obrigados a assumir o múltiplo, o plural, o diferente, o híbrido, na sociedade como um todo."
Sou a favor da evolução da ciência, desde que a evolução da ética siga o mesmo ritmo. De nada adiantará toda a nossa história se formos destruídos pelas nossas próprias invenções.
"A Ética é mais pura expressão da consciência humana, é a exteriorização da alma, do desejo e do caráter, é a que nos torna plenos ou miseráveis " (Douglas Ferrari)
ÉTICA PASSADA A LIMPO
Muito se fala sobre ética nos dias atuais. O tema está na ordem do dia, tanto no meio acadêmico como nas ruas, em que se trata de temas cotidianos como a corrupção na política e a violência. Nas universidades busca-se entender as razões pelas quais o ser humano é correto ou não; busca-se viajar pelas sendas da filosofia, onde pensadores de épocas diferentes tentaram responder se o ser humano é naturalmente bom ou não. Há uma angústia recorrente dos filósofos em construir conceitos que ajudam a sociedade a viver melhor.
Protágoras, pensador grego que viveu entre 487 e 420 antes de Cristo, achava que ética era uma coisa empírica. Cada pessoa, segundo ele, adotaria a conduta mais conveniente à sua própria escala de valores. Para o pensador, o certo e o errado deveriam ser avaliados em função das necessidades do homem, e, portanto, os critérios de avaliação variariam de sujeito para sujeito. Posição parecida, mas ampliada, adotaram dois sociólogos franceses, Durkheim e Bouglé, no século 19, que consideravam que os valores éticos (o certo, bom, justo, verdadeiro) são obtidos por apreciação coletiva, e, portanto, variam conforme o grupo focalizado.
Mas antes deles alguém definiu, com mais precisão, o sentido da palavra ética. Foi Aristóteles, que afirmava existir um valor supremo, que norteia a vida das sociedades. Esse valor é a felicidade. Felicidade, em grego, é a junção de eu (bom) e demonia (espírito). A corrente foi enriquecida, mais tarde, por outros filósofos que consideravam que a felicidade era o fim, o objetivo, e que a virtude era o meio, a ferramenta, para se alcançar a felicidade.
No meu livro Os dez mandamentos da ética, faço uma reflexão sobre a genial obra "Ética a Nicômaco", de Aristóteles. Apresento os passos para que a ética seja vivenciada.
O primeiro é fazer o bem.
O segundo é agir com moderação, buscando o equilíbrio, eliminando os excessos.
O terceiro é saber escolher, e aí está implícito o favor de subjetividade que é preciso existir em cada conceito, porque cada ser humano é diferente do outro, e carrega sua experiência, sua cultura, que o torna único. A questão, envolvida na escolha, é que a decisão, para ser boa, precisa levar em conta, necessariamente, os dois passos anteriores: fazer o bem e agir com moderação.
O quarto passo é praticar as virtudes. Uma atitude essencial, porque não basta fazer o bem, agir com moderação e saber escolher, se a pessoa não se dedicar a praticar os valores que adquiriu.
Com isso, o quinto passo é praticamente automático: viver a justiça. Quem segue os quatro primeiros passos aprende, incorpora o sentido de fazer as boas coisas olhando para o outro e para as necessidades do outro, sem esquecer de si mesmo. Isto é a base da justiça.
O sexto passo é valer-se da razão, ou seja, da consciência, do pensamento analítico. Está intimamente ligado ao sétimo passo, que é valer-se do coração. Duas orientações que se complementam: a pessoa deve usar uma balança em que se equilibrem, com peso equivalente, o racional e o emocional. As chances de que as escolhas sejam acertadas, agindo assim, são grandes.
O oitavo passo é ser amigo. Quem é amigo aplica todos os conceitos que acabamos de ver, sem dificuldade.
O nono passo (cultivar o amor) é quase um corolário para o décimo (ser feliz).
Aí está, portanto, um rosário de recomendações que retira o aspecto generalista dos conceitos que historicamente acompanham as discussões sobre ética. Norberto Bobbio, um dos grandes pensadores contemporâneos, por exemplo, aponta a honestidade como uma virtude válida para todos os homens, mas que, ao mesmo tempo, é uma atitude unida à conduta correta de uma pessoa no exercício da sua profissão. Ou seja, o homem tem que ser honesto, mas o médico também tem que ser um profissional honesto. É isso o que se diz nas ruas e em todos os lugares.
Este tema é fundamental na escola. Um dos tantos objetivos da educação é ensinar a conviver. E o convívio significa respeito, cooperação, ternura, enfim. E isso é a ética. A ética se aprende nos livros, nas lições dos grandes mestres. E se aprende no cotidiano, no exercício de ser correto.
Bom seria se os pais dessem o exemplo primeiro. Os filhos precisam de referências. Que os políticos e as pessoas de alguma visibilidade também se preocupassem em viver de maneira correta e que na escola professores e alunos interagissem de modo a construir relações éticas que gerassem um clima de confraternização e cooperação. E esse aluno-cidadão será um profissional-cidadão. E portanto ético e portanto feliz.
Aliás, esse é o conceito já presente em Aristóteles: nascemos para ser felizes e para fazer os outros felizes. Isto é a ética.
(Artigo publicado na Revista Profissão Mestre, edição de novembro de 2007)
Vejo pessoas pregando moral, respeito, ética, justiça, mas percebo que nem mesmo sabem os verdadeiros significados desses valores. Devem ver outra pessoa no espelho quando se dizem praticantes dos mesmos. Seja bom ou seja ruim, seja sempre você mesmo! Mais atitude e menos blá-blá-blá!
Nunca uso o Estado nem as Leis como medida para ética, nem caráter ou moral de ninguém. A escravidão, o holocausto, a segregação... um dia foram Legalizados pelo Estado.
A internet, sendo um sistema multimídia baseado em mensagens e interrupções, tem uma ética intelectual que valoriza certos tipos de pensamento utilitários, voltados para a solução de problemas, que encoraja as multitarefas e a rápida transmissão ou recepção de migalhas de informação.
A repercussão de um mau caráter sempre foi resultado de escolhas imorais...
A ética não existe para ele,quando ele quer conseguir o que quer, até a ética ele manda matar!
"A ética é a forca abstrata por trás de toda boa ação. O bom senso e a prudência são suas mais explícitas manifestações dentro de um contexto em que se faz necessária uma intervenção moral."
Vivemos uma crise de integridade e de ética e a única forma de vencemos é dobrando os Joelhos e os nossos Corações diante daquele que é a Esperança JESUS !
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