Eternidade
"Deus escreve a eternidade com as tintas do tempo; nada do que é pequeno aos nossos olhos é irrelevante no traço d'Ele."
Sim, somos divinos, mas frágeis em tentações. Sonhamos com a eternidade, conscientes de nossa vida passageira. Acreditamos ser donos do nosso destino, ainda que limitados por tantas forças.
Mas é nesta tensão que acontecem as Paixões. É no abismo entre o medo de amar e o anseio por liberdade que somos corajosos. Este conflito não é sua prisão, é o campo de batalha onde você se torna quem verdadeiramente é: um ser que brilha ou uma sombra, barulhento ou pensativo...
Coisa de gente!
É só a minha opinião
Alexandre Sefardi
Sua carne não se preocupa com a eternidade, porque ela não irá para lá com você.
Quem viver apenas para satisfazer a carne perderá de vista aquilo que realmente é eterno.
O paraíso deve ser um lugar insuportável. Imagine passar a eternidade cercado por pessoas que passaram a vida inteira sendo chatas o suficiente para merecerem entrar lá.
Se a eternidade é o jardim de Deus, o tempo é a cela onde Ele nos trancou para observar nossa decomposição.
Prefiro o brilho curto de uma vida bem vivida ao mofo de uma eternidade suportando a mediocridade de quem não tem nada a dizer.
Ninguém prova a eternidade da ordem. No início, talvez nem Deus fosse mais do que um lampejo de desordem.
Argumento da Contradição da Eternidade
Premissa 1: O religioso afirma que a regressão infinita (uma cadeia de causas sem um início) é logicamente impossível.
Premissa 2: O religioso define deus como um ser "eterno" (sem início e sem fim).
Premissa 3 (Conclusão Intermediária): Uma existência eterna é, por definição, uma regressão infinita de estados temporais ou existenciais para o passado.
Premissa 4: Se deus é eterno, então a regressão infinita é, na verdade, possível e real.
Premissa 5: Se a regressão infinita é possível para Deus, não há impedimento lógico para que a natureza/universo também seja eterna e sem início.
A memória é uma forma imperfeita de eternidade: aquilo que desapareceu continua existindo dentro de alguém.
O ser humano procura eternidade porque sabe que é mortal e procura sentido porque sabe que pode morrer sem encontrá-lo.
eternidade é vasta demais para caber numa sentença humana, e talvez justamente por isso continue sendo digna de contemplação.
Se houver um tribunal da eternidade, talvez sua sentença mais rigorosa seja reconhecer que nenhuma testemunha humana possui competência para depor sobre o absoluto.
O casamento é, por vezes, a tentativa de conferir eternidade jurídica a um sentimento cuja natureza é essencialmente transitória.
Prometer eternidade é uma das mais belas ficções humanas; exigir que ela sobreviva ao tempo é o primeiro confronto entre a poesia e a realidade.
O romantismo sonhou com a eternidade; o casamento tentou dar-lhe forma, testemunhas, assinatura e reconhecimento civil.
