Eternidade
Sonho da realidade são apagados no lago da eternidade.
Somos meros objetos jogados no esquecimento.
Mesmo assim continuamos a brigar por espaços de riquezas de por assim dizer o julgo da alienação...
Dores amores superficiais pois o gosto é gostoso.. o melhor ganha prêmio da futilidade do ego.
Natureza se desalinhado sofre e morre a terra vira pasto de gado... o verde morre e humildade perece nos alvais da tecnologia...
Desbravadores do espaço vão compreender a humanidade de hoje ou so terá o deslumbre do são.
Meus pensamentos voam eras a frente as vezes sinto que não pertenço essa era de homens das cavernas.
Na eternidade, a vontade humana se fixa imutavelmente, tornando estéreis as lágrimas e os rogos pós-morte. O arrependimento é um ato do tempo; arrependam-se hoje.
Um novo dia a cada dia que passa, onde o segundo se faz eternidade a cada momento vivido. Na batida do coração que flui, regando seu futuro a chegar e o agora prepara pra que suas escolhas movam sempre na fonte onde todo sentido de viver seja o amor!
Tudo passa nessa vida, só não passa a eternidade... cabe a cada um acreditar ou não que o paraíso existe e que a colheita é certa e justa!
ETERNIDADE É O AMOR
Eu aprendi meio a tanta confusão
Que temos uma estrada a desbravar
Mas assim como numa procissão
Cuidado é o jeito para nao tropeçar .
A gente assim enfrenta o tempo
E quantas pessoas ao nosso redor
Soprando contra ou a favor do vento
Umas querendo o pior e outras o melhor.
Ah se soubesse ouvir a voz da experiência
Teria evitado tantas dores e dissabores
Correria menos e com inteligência
Sentiria a intensidade dos certos valores.
Agora que meus cabelos mudaram de cor
Sinto saudades pulsar meu coração
Tempos de chuva e frio, de sol e calor
Traçando assim o forte elo de emoção .
E deixamos um legado em nossa partida
Para os que ficam ,grande marca de dor
Mas vivemos o caminho a verdade e a vida
Com certeza eternidade só através do amor!
POESIA
JOÃO BATISTA BARBOSA
“O avião não corta apenas o céu — ele rasga o impossível e deixa na eternidade a prova de quem teve coragem de voar.”
"O Grêmio não disputa o jogo, ele trava um pacto com a eternidade; é o lugar onde o azul do céu encontra o metal da armadura para provar que a vitória não é um golpe de sorte, mas a recompensa de quem aprendeu que o espírito só se torna Imortal quando descobre que cair é apenas o impulso para conquistar o que o mundo julgava impossível."
Todo ser humano tem um instinto de eternidade, por isso, o seu desejo de encontrar o sentido da vida aponta para Jesus.
Jesus é a ponte para a reconciliação do homem com Deus, levando-o a viver eternamente com o Pai.
Foi ontem, quando começou nossa eternidade! Quando nos reconhecemos, assim o amor se fez, de uma vez para nunca mais se repetir igual e tão perfeito!
Letícia, Literatura e o Mar
Chegamos ao Rio numa tarde que parecia prometer eternidade.
A cidade tinha essa qualidade enganosa — como se tudo ali fosse durar mais do que realmente dura.
Era a semana mais aguardada da turnê. Três eventos. Três palcos. Três oportunidades de repetir o mesmo ritual: tocar, seduzir, partir.
A carreta estacionou perto da Urca, com o mar logo ali, como se observasse.
Foi no segundo evento que a vi.
Letícia.
Nada nela chamava atenção de imediato — e talvez fosse isso. Enquanto o resto gritava presença, ela permanecia. Morena clara, cabelos soltos, um livro aberto nas mãos como se fosse uma extensão do corpo.
Clarice Lispector.
Aproximei-me sem estratégia. Apenas curiosidade.
— Você lê no meio disso tudo?
Ela levantou os olhos, demorou um segundo antes de responder.
— É o único jeito de não desaparecer.
Sorri.
— E funciona?
— Às vezes. E você? Toca para aparecer ou para sumir?
Não respondi. Pela primeira vez em dias, não havia resposta pronta.
Naquela noite, o show aconteceu como sempre.
Luzes. Som. Gente. Movimento.
Mas algo havia mudado.
Eu tocava — e sabia exatamente onde ela estava.
Na lateral do palco.
Olhando sem pressa.
Não como quem admira.
Mas como quem analisa.
Depois, ela me esperava.
Sempre com um livro diferente.
Bukowski.
Pessoa.
Florbela.
Não me oferecia o corpo primeiro.
Oferecia linguagem.
— Leia isso — dizia, abrindo uma página ao acaso.
Eu lia.
Às vezes entendia. Às vezes não.
Mas entendia ela.
Caminhávamos pela orla como se não houvesse destino.
Falávamos de coisas que não cabem em conversas rápidas:
amor que não se sustenta
verdades que chegam tarde
gente que finge sentir
Ela já tinha amado um poeta.
— Ele escrevia bem — disse —, mas mentia melhor.
— E você sabe a diferença?
Ela me olhou como quem já decidiu.
— Sei quando alguém usa palavras para esconder. E quando usa para sobreviver.
O beijo não veio por impulso.
Veio por acúmulo.
Lento. Contido. Preciso.
Como se ambos soubéssemos que aquilo não era começo —
era intervalo.
Na segunda noite, me levou ao apartamento.
Ladeira do Leme.
Um quarto simples, mas habitado. Livros espalhados. Discos antigos. Um silêncio confortável.
Fizemos amor.
Sem pressa.
Sem espetáculo.
Havia desejo, claro. Mas havia outra coisa — uma tentativa de tradução.
Ela dizia coisas durante o ato.
Frases soltas, quase literárias.
Como se estivesse escrevendo enquanto sentia.
E eu respondia do único jeito que sabia: ficando.
No dia seguinte, escrevi algo no livro dela.
“A Hora da Estrela”.
Não foi um gesto pensado.
Foi necessidade.
“Você carrega o mundo como quem não percebe que ele já é seu.”
Ela leu.
Não reagiu.
Apenas guardou.
Como quem entende mais do que diz.
Na última noite, toquei diferente.
Menos intensidade.
Mais precisão.
Quando comecei “Tocando em Frente”, nossos olhos se encontraram.
E ali ficou claro.
Não havia continuidade possível.
E, pela primeira vez, isso não doeu.
Na despedida, ela não chorou.
Me abraçou com calma.
— Você é como os livros que não terminam bem — disse.
— Eu gosto desses.
Assenti.
Porque também gostava.
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Voltei para o caminhão em silêncio.
Boca me olhou, sem perguntar.
— Foi diferente?
— Foi mais.
Ele riu, como quem já sabia.
Seguimos estrada.
Mas o que ficou não foi o corpo dela.
Nem a voz.
Foi outra coisa.
A sensação rara de ter sido lido
antes mesmo de tentar me explicar.
Aquele que pega a mulher do próximo será pego e preso pelo diabo no inferno, onde a eternidade está no futuro próximo.
