Estação

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Muito respeito com você independente da estação em que está

A cada estação uma nova esperança

⁠O tempo não cura: apenas descasca. Cada estação remove uma pele, até que reste o osso nu daquilo que sempre fomos.

⁠Aproveite cada estação da sua vida, mesmo que seja de dor, porque sairá mais forte,
E se a estação da sua vida for de regozijo e júbilo então aproveite para ser um alguém, uma pessoa-do-bem!

Quer sombra? Plante árvore.
Sombra não nasce em estação de pressa.
Ela vem do tempo, do cuidado, da constância.
Quem planta hoje, descansa amanhã, e ainda abriga outros. miriamleal

Não importa qual é a situação, há uma estação te aguardando.


Há tempo determinado para todas as coisas debaixo do céu.
(Eclesiastes 3:1)
miriamleal

⁠Na estação certa, as pétalas, ansiosas por luz, desabrocham, desvelando a verdadeira beleza oculta, que apenas no ato de coragem de florescer acontece.

Raízes firmes na terra, contra o vento a lutar, o inverno rigoroso, o desafio a enfrentar, mas na primavera, voltam a se levantar.

O orvalho da manhã, lágrimas de alegria, reflete o brilho da nova luz do dia.
As flores, resilientes, não temem a dor, pois cada cicatriz é um traço de amor.

E assim, entre espinhos e suaves fragrâncias, elas nos ensinam com suas elegâncias, que a beleza da vida está em continuar.

Foi como se cada pétala fosse um poema escrito pelo vento, contando a história de resiliência no tempo.

Ventos outonais


O Outono vem embarcando
no ùtero da estação
dos meus versos,


e eu ...
lentamente,
vou caminhando
e sangrando poesia
entre os ventos
orvalhados de folhas,
galhos, espinhos,
pétalas e sementes...


e me deslumbro
cada vez mais
com toda a nudez poética
dos roseirais,
arbustos e àrvores
do meu ser ...


Sou filha do Outono
ovulando Primavera.


✍©️@MiriamDaCosta

O tempo, cruel, passou em vão.
Viu a estação mudar, o ponteiro avançar.
Mas o vazio aqui, no meu coração,
recusa-se a sair, a se findar.
​Somos dois mundos, sem a ponte.
Distantes, sim, e o drama é meu.
Vejo o futuro lá no horizonte,
mas ele é igual ao dia que você partiu.
​Nada mudou.
​Na quietude fria da sala,
onde só o silêncio me acompanha,
escutei, em uma onda, uma farra,
o murmúrio da sua voz, tão estranha.
​É o toque final desta melancolia:
saber que a dor tem seu nome, sua morada.
O amor se foi, mas a saudade é magia
que te traz de volta, em cada madrugada.

Como eu poderia te esquecer, se cada detalhe daquela noite na frente da Estação do Cabo está gravado em mim? Te vejo vindo em minha direção, radiante naquela calça jeans que realçava suas curvas, com os olhos brilhando e um sorriso que desarmou qualquer defesa minha. Você estava deslumbrante, e o impulso foi mais forte que a razão: precisei roubar aquele beijo. Foi ali, naquele instante mágico, que a nossa história começou a ser escrita.

Tudo começou com um beijo roubado na frente da Estação do Cabo. Como esquecer o brilho dos seus olhos e o sorriso que mudou o meu mundo naquela noite? Você estava radiante, e eu, completamente rendido.

Dizem que o outono é a estação das despedidas, mas, para mim, ele sempre será a estação em que eu mais te senti. Enquanto o mundo lá fora perdia as cores, nós criávamos o nosso próprio tom de dourado. Aquele outono não foi sobre o que acabou, mas sobre a paz que encontramos um no outro enquanto o tempo esfriava.
Eu me lembro da luz mais suave entrando pela janela, do café esquecido na mesa e da forma como as tuas mãos buscavam as minhas para fugir do primeiro vento frio. A gente não precisava do barulho do carnaval ou da euforia do sol; nos bastava o silêncio confortável de quem se reconhece na mudança das estações.
Esta é a minha declaração: Eu te amei no ritmo das folhas que caem — sem medo do chão, aceitando cada transformação. Mesmo que o tempo tenha seguido e o inverno tenha chegado para nós, eu ainda sinto o calor daquele casaco compartilhado e a sinceridade de cada palavra dita sob o céu cinzento.
Aquele outono não volta, e eu aceitei isso. Mas a beleza do que fomos ficou gravada em mim, como uma árvore que, mesmo perdendo tudo, mantém a força das raízes. Você foi a minha mudança favorita.

Sonhei em uma estação de trem, perguntando á umas meninas coreanas, onde pegava o trêm pra Itália.




MAIO DE 2023

benta

Existe um tipo de pessoa que não entra na vida dos outros.

Ela inaugura uma estação.

Antes dela, os dias acontecem como um inverno comprido. As árvores continuam de pé, os carros continuam passando, o relógio continua cumprindo sua obrigação de girar. Mas existe uma diferença silenciosa entre viver e apenas sobreviver. Quase ninguém percebe até encontrar alguém capaz de acender as luzes de uma casa que sempre esteve habitada por sombras.

Foi assim que conheci Benta.

Os olhos mais sinceros que já presenciei em 26 anos de vida.

Bonitas eram as coisas que aconteciam perto dela.

O café parecia mais quente.

As ruas pareciam menores.

Os silêncios deixavam de ser um lugar de abandono para se tornarem um idioma que duas pessoas podiam dividir sem medo.

Ela carregava uma estranha habilidade de fazer o mundo perder o excesso. Como se passasse as mãos sobre a realidade e retirasse todo o ruído que sobrava entre um coração e outro.

Algumas pessoas chegam oferecendo promessas.

Benta oferecia paz.

E isso era infinitamente mais perigoso.

Porque promessas quebram.

Paz vicia.

Passei tempo demais acreditando que anjos tinham asas.

Depois percebi que talvez eles apenas saibam permanecer quando ninguém mais consegue.

Ela nunca precisou salvar ninguém de incêndios, tempestades ou guerras.

Bastou existir.

Há pessoas que nos dão conselhos.

Outras nos dão coragem.

Ela me devolveu uma versão de mim que eu desconhecia.

Na presença dela, eu não precisava fingir ser forte. Não precisava vencer discussões imaginárias, provar inteligência, esconder as rachaduras ou construir personagens. Pela primeira vez, existir parecia suficiente.

E isso me assustava.

Porque quando alguém nos enxerga sem as armaduras, sobra apenas a responsabilidade de não ferir aquilo que finalmente encontrou descanso.

Nem sempre consegui.

É estranho perceber que o amor também pode carregar culpa.

Não aquela culpa dramática dos romances.

Uma culpa silenciosa.

A de olhar para trás e pensar que algumas mãos aparecem apenas uma vez na vida para nos tirar da água.

E nós, ainda aprendendo a respirar, acabamos soltando exatamente a mão que nos mantinha na superfície.

Às vezes imagino que Deus distribui milagres de maneira discreta.

Não em igrejas.

Não em profecias.

Mas em pessoas.

Pessoas que aparecem sem anunciar a própria importância.

Que entram pela porta como qualquer outra.

Que riem de coisas pequenas.

Que bagunçam os cabelos com o vento.

E só depois de irem embora revelam que sustentavam um universo inteiro sem nunca terem dito uma palavra sobre isso.

Benta era assim.

Nunca precisou dizer que era luz.

A escuridão fazia esse trabalho por comparação.

Existe uma rua dentro da memória onde ela continua caminhando.

Não envelhece.

Não se despede.

Não pede que eu a siga.

Apenas continua andando, enquanto tudo ao redor floresce com a delicadeza de quem nunca soube que estava realizando um milagre.

Talvez seja por isso que algumas lembranças doam tanto.

Não sentimos falta apenas de uma pessoa.

Sentimos falta daquilo que éramos quando alguém nos fazia acreditar que o mundo ainda tinha um lugar reservado para a esperança.

Benta nunca foi uma casa.

Casas podem ser reconstruídas.

Ela foi horizonte.

Você pode atravessar continentes inteiros, aprender novos idiomas, dormir em outras camas, conhecer outros rostos.

Ainda assim, em algum momento do dia, seus olhos procuram exatamente aquela linha distante onde o céu parecia tocar a terra.

E então você entende.

Existem pessoas que passam pela nossa vida para serem amadas.

Outras, para serem esquecidas.

Mas há uma categoria infinitamente mais rara.

Aquelas que nos libertam de nós mesmos.

Que chegam quando tudo dentro parece um labirinto sem saída e, sem perceber, derrubam uma única parede.

Não mostram o caminho.

Elas se tornam o caminho.

E mesmo quando já não estão mais ali, seguimos andando por causa da direção que deixaram.

É por isso que nunca consegui pensar em Benta como uma ausência.

Ausências pertencem ao tempo.

Ela pertence ao que existe antes das palavras.

Àquela sensação inexplicável de encontrar abrigo sem precisar entrar em lugar algum.

Se algum dia me perguntarem qual foi o melhor sentimento que experimentei, não responderei com felicidade.

Felicidade é breve.

Direi que, por um instante impossível da vida, conheci alguém cuja simples existência fazia o mundo parecer menos pesado.

E desde então passei a desconfiar que certos anjos aceitam viver entre os homens apenas para lembrá-los de que a salvação, às vezes, não desce dos céus.

Às vezes ela sorri.

E atende por um nome que ninguém mais compreenderá.

Benta.

Eu já peguei trem errado
E fiz uma descoberta
Quando achei tá enganado
Cheguei na estação certa.


Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN

Versos de estação em estação

Janeiro... sol e calor
Veraneou a primavera.
Sol e sal...
à beira mar...
minha tez a queimar... a salgar.

Março... são as águas fechando o verão.
Inundam o mundo de melancolia.
Do outono que a nostalgia traz...
Arrastam restos de outra estação.
Desmorenar bem devagar.

Junho... invernou...
Profunda e fria solidão.
Um violão mal tocado
no canto da sala...
meu sono embala.
Do frio que hoje meu coração sente
a cada noite mais se ressente
minh’alma carente... só ...
só... e isso me apavora...
só queria que tudo passasse brabdamente...
sem ventanias, nem tempestades...
só invernasse suavemente.

Setembro... outra estação.
Descongelar.
Perfumar.
Quase a marear...
Jogar no mar...
... deixar a onda levar.

Recomeçar?

​"Na estação da fartura, todos se abrigam sob a copa. Na seca, poucos permanecem para honrar as raízes. A árvore pode perder as folhas, mas a sua história de generosidade fica gravada na terra. Não espere gratidão de quem só busca a sombra."
— Ginho Peralta

Nem tudo são flores porque nem toda estação é primavera.

​A Explosão na Estação e os Espectros dos Trilhos
​Por Celso Roberto Nadilo
​Ouvi essa história do meu avô, que era caminhoneiro e conhecia os trechos da serra como a palma da mão.
​Naquela época distante, não havia corporação de bombeiros nem hidrantes por perto; qualquer faísca era uma sentença de desastre. A Maria Fumaça aguardava na plataforma, tomada por passageiros ansiosos para retornar a São Paulo, tendo como destino final a Estação da Luz.
​Mas, dentro da cabine da locomotiva, a tragédia já se desenhava. O maquinista estava distraído, perdido nos braços de um namorico com uma mulher casada. Enquanto as chamas desse amor proibido tomavam conta de sua atenção, a pressão no motor subia sem controle. No esquecimento fatal das válvulas de alívio, o vapor acumulou uma força devastadora.
​Quando o aço não suportou mais, a caldeira explodiu. O impacto foi avassalador: o fogo consumiu a estação em minutos, enquanto bilhetes picotados voavam pelos céus e passageiros eram arremessados para longe. Muitas pessoas perderam a vida ali naquele dia.
​Até hoje, quem caminha pelos trilhos na calada da noite jura sentir a presença daquele desastre. Às vezes, a antiga Maria Fumaça surge cortando o nevoeiro, deslizando silenciosa pelas vias férreas como um espectro do passado. Em outros momentos, surgem as sombras dos escravos que construíram a linha — ainda acorrentados, trabalhando eternamente na manutenção dos trilhos, presos a um tempo que nunca passa.

NEM TODA PLANTA FLORESCE NA MESMA ESTAÇÃO


Eu sou uma planta crescida.


Um dia fui apenas uma pequena muda, frágil e cheia de esperança. Dependia de mãos que me regassem, me protegessem e acreditassem no meu crescimento. Mas aqueles que deveriam cuidar de mim partiram.


Veio a sequidão. Quase morri.


Nos dias de sol intenso, o calor parecia querer consumir tudo o que ainda havia de vida em mim. Fui queimado pelo excesso, testado pelo abandono. Ainda assim, resisti.


Então a chuva chegou. Não foi cedo, mas chegou. Era exatamente do que eu precisava. Minhas raízes, que insistiam em viver, encontraram forças para continuar.


Nunca floresci. Talvez porque nem toda planta floresça no mesmo tempo. Talvez porque algumas precisem primeiro aprender a sobreviver antes de aprender a florescer.


Cresci.


Em alguns galhos faltam folhas. Há marcas do que vivi, cicatrizes que o tempo não apagou. Mas continuo de pé.


Ainda não dei mudas. Talvez porque o meu tempo ainda não tenha chegado. Nem tudo acontece quando queremos; algumas sementes esperam a estação certa.


E quando esse tempo chegar, ou quando eu for enxertado à planta certa, espero que a outra parte de mim e eu possamos, enfim, florescer juntos. Que nossas raízes encontrem força uma na outra e que, desse encontro, nasçam belas mudas, frutos de uma história que conheceu a seca, resistiu às tempestades e nunca desistiu da vida.


03/10/2016