Esqueceu de Mim

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"Quando sonho contigo, o meu pesadelo é acordar.
Despertar-me de mim, olhar ao meu lado e ver que você não está lá.
Vivendo você, meu pesadelo é amar.
Sim, pois, viver sem quem se ama é o próprio ser amaldiçoar.
Odeio todo sonho, pois eles nos mostram que tudo àquilo que poderíamos viver é impossível alcançar.
Por vezes, parece-me, o próprio Deus priva-me de contigo sonhar.
Ao meu ver, é o mais terrível dos pecados, a felicidade de contigo, mesmo em noutra realidade, almejar.
Hoje sonhei contigo, mas quando desperto, senti todo o meu paraíso, em segundos, desvanear.
Só me recordo os lampejos, um seio, um beijo, o macio aconchego e da tez morena, o aveludar.
Maldição do homem, ter coração e poder amar.
Me amaldiçoa aquele ósculo, que jamais pude lhe dar.
O amor é ópio, é preferível ódio, por ser mais fácil de lidar.
Ter quem se ama, tentá-lo, não importa a gana, é demasiado mais fácil secar o mar.
Cada estrela do céu, por cem vezes e mais uma contar.
O próprio Sol, o invejoso de sua luz, amada minha, se apagar.
Quem sabe até o próprio firmamento despencar.
Hoje eu tive um pesadelo, sonhei que nos amávamos e eu lhe dava um beijo, só pude percebê-lo, ao acordar..."

“Há coisas em mim que o tempo não levou. Apenas deixou mais profundas, mais silenciosas e impossíveis de decifrar.”

que cada dia nós devemos lembra do que Deus já vez por ti, por mim, por nós

Chega de Margens

A chaleira começou a gritar antes de mim.

Fiquei olhando para ela no fogão, esperando que alguém tomasse alguma providência. Ninguém tomou. A casa continuou quieta. O gato estava sentado no corredor, olhando para mim com aquela expressão de quem já descobriu que os humanos fazem muito barulho para resolver coisas simples.

Desliguei o fogo.

Passei café.

Era uma manhã comum. Dessas que não prometem nada e, por isso mesmo, costumam ser mais honestas.

Sentei à mesa.

O gato veio até a porta da cozinha, parou e ficou me olhando. Não pediu comida. Não pediu carinho. Apenas ficou ali. Talvez estivesse esperando alguma coisa. Talvez não. Gatos têm a vantagem de não precisarem explicar a própria presença.

Eu devia ter aprendido isso antes.

Olhei para minhas mãos.

A idade estava ali.

Não como número. Número é coisa de formulário. A idade aparece nas pequenas coisas. Na maneira como o corpo levanta da cadeira. Na demora para encontrar uma posição confortável. No joelho que reclama sem ter sido consultado. No espelho, principalmente.

O corpo começa a diminuir.

É uma espécie de ironia.

Passamos metade da vida tentando ocupar espaço e a outra metade descobrindo que o corpo já não pretende colaborar.

Mas alguma coisa acontece nesse mesmo período.

A cabeça começa a fazer o movimento contrário.

Ela aumenta.

Não sei se isso acontece com todo mundo. Talvez não. Algumas pessoas envelhecem apenas. Continuam obedecendo às mesmas regras, repetindo as mesmas opiniões e chamando isso de experiência.

Eu também fiz isso durante muito tempo.

Aprendi a ser aceitável.

É uma habilidade bastante valorizada.

Você aprende a medir as palavras. A esconder certas vontades. A escolher o que dizer e, principalmente, o que não dizer. Aprende a ser fácil de carregar. Fácil de entender. Fácil de amar.

É cansativo.

E ninguém entrega um certificado quando você termina.

Apenas esperam que continue.

O mundo gosta de gente previsível.

Hoje existe uma palavra nova para isso. Várias, na verdade. Há sempre alguém na internet explicando como devemos viver, envelhecer, pensar, comer, vestir, desejar e até fracassar. Os antigos chamavam isso de conselho. Agora tem nome em inglês, câmera frontal e milhares de seguidores.

Talvez eu esteja velho demais para isso.

Ou finalmente velho o suficiente.

O gato atravessou a cozinha.

Passou por mim sem qualquer cerimônia e subiu na cadeira ao lado.

Ficou olhando para a mesa.

Não parecia preocupado com a opinião de ninguém.

Pensei que talvez houvesse alguma coisa a aprender com aquele animal.

Não era a independência.

Era a ausência de necessidade de justificá-la.

Foi aí que comecei a entender uma coisa que demorei décadas para entender.

Eu passei muito tempo vivendo nas margens da minha própria vida.

Não completamente fora dela.

Isso seria fácil de perceber.

Eu estava dentro.

Trabalhava, fazia planos, cumpria obrigações, amava algumas pessoas, suportava outras. Ri quando era conveniente. Fiquei calado quando era necessário. Fiz o que precisava ser feito.

Mas havia sempre uma parte de mim sentada um pouco mais distante.

Observando.

Esperando.

Pedindo licença.

Talvez esse tenha sido o meu maior erro.

Pedir licença para existir.

Não estou falando de fazer tudo o que dá na cabeça. Isso é apenas outra forma de imaturidade.

Estou falando de não precisar transformar cada escolha em uma defesa.

De não precisar explicar por que quero determinada vida.

De não precisar reduzir minhas opiniões para que alguém não se sinta ameaçado.

De não precisar esconder minhas contradições para parecer uma pessoa coerente.

Aos 62, 63, começa a ficar estranho continuar fazendo isso.

Há uma certa falta de sentido em passar tantos anos aprendendo quem você é e, depois, gastar o resto da vida tentando convencer os outros de que não é bem assim.

O espaço nunca foi o problema.

O problema era que eu insistia em caber.

E talvez o espaço fosse pequeno demais.

Essa conclusão demorou.

Porque admitir isso também significa olhar para trás.

E olhar para trás não é sempre bonito.

Há versões minhas que eu não gostaria de encontrar novamente.

Não porque fossem ruins.

Algumas eram apenas assustadas.

Outras queriam ser aceitas.

Algumas confundiam amizade com aprovação. Amor com concessão. Educação com silêncio.

Eu fui me ajustando.

Pouco a pouco.

Até quase esquecer que ajuste demais também deforma.

O curioso é que eu não quero voltar no tempo.

Não tenho esse interesse.

A juventude tem sido superestimada desde que inventaram os espelhos.

Não quero o corpo de antes.

Não quero repetir os erros com mais energia.

Quero outra coisa.

Quero a liberdade que existia antes de eu aprender a me diminuir.

Talvez seja por isso que envelhecer possa ser um retorno.

Não uma partida.

Um retorno.

Há uma criança escondida em algum lugar desse homem que passou décadas tentando parecer adulto. Não é uma criança inocente. Essa parte já morreu algumas vezes.

É apenas aquela que ainda não sabia que precisava caber.

O gato pulou da cadeira.

Foi até a janela.

Ficou ali, olhando a rua.

Pensei que talvez ele também estivesse cansado de mim.

Seria compreensível.

Terminei o café.

A casa continuava a mesma.

A mesa.

A chaleira.

A janela.

O gato.

Nada havia mudado.

Mas alguma coisa tinha mudado.

Não era uma revelação grandiosa. Não houve música. Nenhuma luz atravessou a cozinha no momento certo. A vida não costuma ter esse tipo de educação estética.

Foi apenas uma compreensão silenciosa.

Eu podia ocupar espaço.

Sem tirar nada de ninguém.

Podia querer mais.

Sem precisar chamar isso de ambição.

Podia não querer certas coisas.

Sem precisar inventar desculpas.

Podia envelhecer sem transformar a idade em pedido de desculpas.

O corpo talvez encolhesse.

A consciência não precisava acompanhar.

Talvez fosse esse o acordo possível com o tempo.

Ele leva algumas coisas.

Eu paro de entregar outras.

Olhei novamente para o gato.

Ele continuava na janela.

Não parecia impressionado.

Ainda bem.

Talvez fosse melhor assim.

Aos 62, 63, não estou me tornando alguém novo.

Estou apenas deixando de me afastar de quem sempre fui.

Isso muda muita coisa.

Porque crescer, nessa idade, já não significa subir.

Às vezes significa ocupar.

Ocupar a própria cadeira.

A própria casa.

A própria cabeça.

A própria vida.

Sem pedir licença.

Sem pedir desculpas.

Sem precisar ser compreendido por quem passou a vida inteira confortável dentro da mesma moldura.

Talvez seja isso que ainda estou aprendendo.

Que posso viver uma vida que me caiba.

E que, se ela finalmente ficar grande demais para algumas pessoas, talvez o problema não esteja mais em mim.

Talvez seja apenas a velha margem chegando ao fim.

A chaleira estava fria.

O café também.

O gato continuava olhando pela janela.

E eu fiquei ali.

Sem pressa.

Pela primeira vez em muito tempo, não senti necessidade de diminuir nada.

Nem a voz.

Nem a vontade.

Nem o espaço.

Nem eu.

⁠O povo me vê e muda os olhos, decepcionado ao perceber que tudo o que pensavam sobre mim estava errado.

⁠"Eu ainda não sou rico materialmente, mas sou rico por dentro. A riqueza já vive em mim, e ela está se manifestando todos os dias na minha realidade"

"Todos os dias os mesmos passos apressados passam por mim, os mesmos olhares me ignoram, e no fim da tarde, a minha única refeição é o próprio sonho que eu não consegui vender."

"Foram embora rindo do meu desespero, e a mim só coube rasgar o pão estragado pelo sol, alimentando o corpo com o único produto que sobrou de um dia feito de maldade e desamparo."

Flávio, sobre a Michele!
"Eu tenho certeza de que a Michelle pensa igual a mim", disse. Disso ninguém duvida! É cobra comendo cobra!
⁠

O Tempo em Mim


O tempo não corre, ele pousa.
Às vezes é chá quente na panela,
demora, queima, e a gente nem vê passar.
Outras vezes é 60 anos num piscar.
É filho pequeno que ontem cabia no colo
e hoje me chama pra conselho.
É ruga que chega sem pedir licença
e memória que volta com cheiro de café.
É pressa no corpo, calma na alma.
O tempo não é relógio.
É saudade do que foi,
ansiedade do que vem,
e esse segundo aqui,
agora,
que se eu não abraçar,
ele vai embora.
Sentir o tempo é aprender
que a vida não cabe em calendário.
Cabe em riso, em espera,
em "te amo, filho",
dito no dia certo.

⁠Não faço questão do seu entendimento sobre mim.

ORE POR MIM
Ore por mim
Que fraco estou
Vagando sozinho
Sem rumo
Sem gosto
Sem vontade
Sem coragem.
Ore por mim!
Parece loucura
Sentir-me assim
Muitos não sabem
Não entendem
Que a vida tão bela
Mas que para alguns
Sofrem solidão
Sofrem depressão
Tristezas sem explicação !
Por isso te peço
Ore por mim!
Confio em Deus
Ele é o Senhor
Mas sinto-me fraco
Sem coragem
Pra lutar
Para orar...
Então , por favor
Ore por mim!
JOÃO BATISTA BARBOSA

O CÉU OLHA PRÁ MIM!
O céu olha prá mim
pelo brilho das estrelas,
fala dos sonhos reais
lindas histórias de amor,
variadas formas de nuvens.
O céu olha prá mim
pelo reflexo dos cristais,
pelo calor do sol,
na carícia dos ventos.
Pelas retinas do universo
a vida se eterniza,
para o céu olhar prá mim,
entre coração e estrelas
astros, planetas , luas...
no amor escrito,
nas entranhas do infinito.
O céu cuida de mim,
embalando dias e noites
risos , lágrimas, sol e chuva.
Alivia as minhas dores
espanta os meus pesadelos.
O céu olha prá mim,
pois tenho certeza
que nele estão os olhos de Deus!

JOÃO BATISTA BARBOSA.

CUIDA DE MIM, SENHOR!

Senhor !
Neste súbito momento de emoções
Não sei explicar tamanho vazio.
Quando a dor consome o meu corpo
Sinto-me caindo e meus olhos virando.
E , como pássaro ferido
Na espreita das serpentes
Que desejam devorar-me.
Senhor!
Tira-me das fraquezas humanas
Revela em mim a fé
Que possa levantar-me
E ter ânimo para caminhar.
Senhor!
Sou teu filho pecador
Que nesta hora fragilizado
Busca em ti consolo
Busca esperanças de paz
Busca a realidade maior
Que é viver pelo amor!
Amor que transforma
Refresca minha alma
Que tão somente em Ti
Posso confiar plenamente
E pedir com toda humildade
Cuida de mim, Meu Senhor!

AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS
MIMOSO DO SUL- ESPÍRITO SANTO
CELULAR/ZAP - 28 - 999714550

TÔ QUERENDO SER FELIZ!
Tô querendo fugir de mim
Atravessar o oceano inteiro
Chutando o balde do tempo!
Tô querendo ir pra bem longe
Onde só os pássaros alcance
E a liberdade me faça voar!
Como um toque de magia
Flutuar pelos sete mares
Buscando um pouco de solidão.
Quero modelar montanhas
No brilho intenso do sol
Ver o reflexo das emoções
Todas que já vivi um dia.
Enquanto fujo por aí afora
Mais encontro dentro de mim
Nos sonhos que embalam
Essa vontade tão refeita
De fugir de mim vez em quando
Somente pra ser feliz!

AUTOR – JOÃO BATISTA BARBOSA
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS
MIMOSO DO SUL - ESPÍRITO SANTO

EU, DENTRO DE MIM!

Por vezes nos achamos perdidos
Sem o sabor de viver a vida
Paramos consumindo futilidades.
Por vezes deparamos com a tal lucidez
Entre choque de realidades e fantasias.
Somos um nada no meio de tudo
E na cabeça rolam muitas emoções
Que nos alucinam noite adentro.
Temos que vivermos cada instante
De formas a buscar alternativas
Mas por impacto de nossa natureza Encontramos com certas adversidades
Que frustram as nossas expectativas .
Mas isto faz parte do cotidiano
Que as vezes deixa o ritmo desenfreado...
E, quando topamos com uma muralha
Entendemos que somos seres humanos.
As reflexões nos trazem ao isolamento
Para que avaliemos o passado e presente
Em busca de um futuro com solidez
E não cairmos nas armadilhas da estupidez
De pensarmos quem somos realmente
Ou que ao inverso do que imaginamos
A fragilidade nos deixa frustrados ...
Por estes momentos é que renascemos
De choques que sacodem corpo e alma
Para que entendamos que entre fases
Vamos intercalando as nossas atitudes
Revendo valores num mundo caótico.
Precisamos da verdade dos caminhos
Que entre espinhos e flores
Vamos dissipando nossos momentos
Na magia de sobrevoarmos nosso interior
Para encontrarmos o verdadeiro eu
Que existe dentro de nós mesmos!

AUTOR – JOÃO BATISTA BARBOSA
POESIA

Minha força não vem de mim; vem Daquele que me criou, me sustenta e guia meus passos todos os dias."

⁠Tornando-me

"Fiz de mim o que não soube, e o que podia fazer de mim não o fiz.''
Mas hoje, olhando ao redor, encontro quem verdadeiramente sou.
Nas falhas, nas conquistas, no que errei e aprendi, e no que sempre fiz,
Descobri a beleza única de ser eu mesmo, sem qualquer tabu.

Não sou perfeito, nem pretendo ser, pois na imperfeição reside a humanidade,
E é nela que encontro minha força, minha coragem, minha identidade.
Cada passo, cada escolha, moldou meu caminho, minha verdade,
E assim sigo, com fé no coração, rumo à minha felicidade.

No fim das contas, o importante não é o que os outros esperam de mim,
Mas sim o que eu espero de mim mesmo, em cada amanhecer.
Fiz de mim um ser em constante evolução, rumo ao meu fim,
E nesse processo de autodescoberta, aprendi a simplesmente ser."

Corri atrás dela e perdi o orgulho, mas encontrei a mim mesmo.
Querer ser escolhido é descobrir a própria vulnerabilidade.
Às vezes, amar ensina mais sobre nós do que sobre o outro.

"O Desejo De Amar, é Maior Do Que Deixar Você Partir De Perto De Mim. Há Saudade é Infinita Para Estar Com Você."