Espera
Preciso dizer o que quero?
Decidi ligar para você
Só para saber se não está fazendo nada
Se pode sair comigo pra qualquer lugar
E só voltar de madrugada
Não precisa ser um lugar especial
É que eu sozinho não fico legal
Prefiro deitar em cama bagunçada
Sabe...
As últimas coisas que fiz com você
Por mais completas que me pareceram ser
Prefiro pensar que estão inacabadas
Decidi ir ver você
Ficar ao pé da escada
Esperando que abra a porta
Esperando que esteja animada
O que vamos fazer não importa
Com você seguirei qualquer estrada
Só peço que na volta me descanse a alma
Em fria chuva, me chame em chamas para sua casa
A justiça não envolve raiva, nem rancor nem vingança.
Se envolvesse, estaria sujeita a oscilações humanas
Que ora decide ora desiste.
Certas vezes, está além da compreensão
E vocês ficam se perguntando: o que é justo ou não?
Fato é que quando acontece, acontece.
E não há algo ou alguém para impedir
Vem como um tsunami
Passa por cima do teu arrependimento
Pois, então, vigia agora, e não espera a hora
Porque ta pra acontecer a qualquer momento.
Quando a esperança é firme, consciente e alegre, a espera não se faz tediosa, iludida ou angustiante.
Ele estava lá,
A te esperar,
Ele estava lá!
Mas se via sem você,
E era isso que faltava nele,
Sempre com suas lembraças
Em sua mente..
Mas ela tava lá.
O amor vem ao nosso encontro quando menos esperamos , nao impotando o lugar que voces esta ele ira te encontrar...
Para quem fica, esperando por quem vai
Com o fim do dia,
as coisas são o que são;
chegava a monotonia,
o contacto com a cama fria,
vazia,
a mão procurava a mão,
em vão,
a alma entristecia
e, na solidão,
o corpo esperava
inerte no colchão,
por novo dia,
enquanto o sono
não aparecia
e o sonho se construía
nas brumas da fantasia,
que ia e vinha,
vinha e ia,
embalado nas ondas da agonia
de um mar que se desfazia,
durante a noite
que ia, ia e ia
até ser dia.
Seria este o dia?
Seria…
Ela havia prometido: -Nunca mais vou me apaixonar.- E assim passou de pessoa para pessoa, todas já com um prazo de validade, mal se passava um mês, e o amor de sua vida, já era substituída por outra, sem rodeios, sem meras despedidas.
Sim, ela era intensa, embarcava sem medo e sem olhar para trás até a próxima estação e um “obrigada pela carona”. Hã, se ela soubesse como o coração pode ser traiçoeiro às vezes. E foi assim, em uma noite como qualquer outra que mais uma pessoa preparava o navio, mas esse era diferente, pois desta vez não era ela que iria embarcar.
Ana se sentou, meiga, quieta, dava para contar nos dedos as palavras que, vez ou outra, deixava escapar de sua boca. Enquanto isso, Dulce, mal deixara espaço para o silêncio, e entre pequenas pausas, perguntava dentro de si, quais mistérios esse corpo escondia.
A curiosidade fisga, e foi assim que a noite lhe deu uma surpresa espetacular do quanto alguém pode despir suas máscaras quando se está em quatro paredes, porque é bem nesse momento, que qualquer pessoa se torna frágil, a boca cala, mas o corpo, o beijo e o olhar falam mais do que deveriam.
Passaram-se minutos e os detalhes, aqueles que ela havia esquecido, iniciaram a palpitação de seu coração. Era a mão tocando no rosto, os olhares fixos um no outro, atravessando a armadura que ela tinha feito com tanto cuidado.
Passaram-se horas e o toque batia com força em sua alma, não deixando sinais a olho nu, apenas as marcas da vontade, os arrepios que eram desenhados a dedo.
Passaram-se dias, e ela, que nunca tomou cuidado com as palavras, agora, as escolhia minuciosamente. Buscava a melhor pessoa em si, aquela, guardada a sete chaves em que jurara entregar apenas a quem merecia.
Passaram-se as noites, e tudo começou a mudar. A luz que entrava pelo seu quarto, não era mais a que deixava as paredes e os móveis em preto e branco, era o brilho natural que combinava com a pele daquela menina, mulher, tão delicada, tão natural.
Singelo era mesmo quando ela deitava de costas. Dulce observava o coque que ela fazia em seu cabelo, a mistura de alguns fios soltos e outros presos, parecia tão peculiar que depois de algumas horas observando, encostava seu corpo no de Ana e respirava fundo o ar que, agora, era de uma só.
E assim foram se passando, minutos, horas, dias, noites, noites, dias, horas, minutos até os segundos de suas últimas palavras, do último encostar de mãos em seu rosto, do último beijo de despedida e da última estação em que Ana parou- Adeus, obrigada pela carona- E o barquinho continuou navegando.
