Espelhos
Já não se fazem espelhos como antigamente
A gente estudava que os espelhos podiam ser planos ou côncavos ou convexos... Agora as exigências da imagem perfeita mudaram os tipos de espelhos para os que engordam ou não, ou os que favorecem ou não, ou simplesmente os que você olha antes dos 30 e os que você olha depois. A realidade é que a vaidade misturada com a necessidade de agradar ao público são as mandatárias na qualidade dos espelhos. E haja pose ensaiada no espelho para que a foto no Instagram fique perfeita, quer dizer, fique mais perfeita que o modelo... E haja ilusão de que somos jovens prá sempre, que não teremos espinhas aos 15, que teremos pele de pêssego aos 40, que não teremos bigode chinês aos 60 e que teremos cabelos lindos, sedosos e brilhosos aos 70...
E não pense você que os homens fogem disso, basta saber que o mercado de cosméticos masculino aumentou quase 70% nós últimos 5 anos. Haja pomada prá domar o topete... Haja creme hidratante e tintura para as barbas milimetricamente cortadas...Haja botox para os preenchimentos... Afinal, espelho, espelho meu .. Haverá alguém mais maravilhosamente artificial do que eu?
Rodeado de espelhos infinitos me encontro, procuro a saída com extrema asfixia, mas quando olho para mim, não sei onde estou...
Os outros são como espelhos, e por meio de suas críticas, revelam aspectos da minha personalidade que não consigo enxergar.
Esta guerra é um labirinto de espelhos, em que a verdade é protegida por um guarda-costas de mentiras.
Acredito que devemos ter, em nossa vida, três tipos de espelhos: o que vemos como nos vemos, o que vemos o que somos e o que vemos o que queremos ser.
''Miragem De Um Poeta"
Fechei os olhos e desafiei os espelhos
Apaguei a luz e desafiei os meus medos
Abandonei a arena para vencer
Encurtei a minha idade pra crescer
Miragem de um poeta
Descartei a praia pela margem
Isso não faz sentido!
E o que faz sentido?
Enganei os meus próprios olhos
E convenci a minha mente
Acção pouco precavida vindo de uma mente atrevida
Miragem de um poeta
Rasguei o papel e quebrei a caneta
Para que eu deixasse de ser um poeta
''Não faz sentido''
Ultimopensador
Nós olhamos nos espelhos, mas apenas vemos os efeitos dos nossos tempos sobre nós, não o nosso efeito sobre os outros.
Por que entrar na escuridão?
Você sabe que a vela vai apagar
Lá não tem espelhos
Não tem relógios
Os olhos se acostumam
Isso é fato
Mas os barulhos continuam inexplicáveis
Barulhos dentro de ti
A luz acabou
A vela apagou
E você não se importa
Você tem fogo
Identifica os sons
Quando cansa do teu espelho
Das tuas certeza
Se aventura na minha escuridão
Vaz bagunça
Destrói o que levei anos para construir
Depois vai
Vai se olhar no espelho
Ver as horas
E deixa a bagunça aqui
Não sei arrumar
As luzes estão apagadas
E eu não faço questão de ascender
Quem eu sou, não sei dizer,
Procuro em espelhos, mas não consigo me ver.
Tento achar meu lugar no mundo,
Mas me perco, em cada segundo.
As pessoas? Tento compreender,
Mas são enigmas difíceis de ler.
Vejo o mundo em várias fases,
Da infância às adultas passagens.
Criança, achava o mundo incrível,
Cheio de aventuras, um sonho possível.
Adolescente, vi um mundo cruel,
Onde a realidade rasga o véu.
Adulto, só restou solidão,
Tristeza em cada direção.
As histórias que ouvi, talvez mentiras,
Ilusões sobre felicidades finitas.
O mundo é de engano e de disputa,
Onde o mais forte prevalece, a luta é bruta.
Palavras doces, suaves e macias,
São cobras afiando suas línguas frias.
Não entendo o ser humano,
E nunca, talvez, entenderemos o insano.
Gosto de me isolar, de me esconder,
Enquanto me julgam, sem me conhecer.
Inventam histórias, falsas, vazias,
E eu, perdido, sem guia,
Não sei me expressar, agir ou falar,
Pois ninguém me ensinou como caminhar.
Erro, acerto, sigo sem direção,
Com o pouco conhecimento em minha mão.
Não guardo rancor de quem me feriu,
Pois, na mente delas, estavam no trilho.
A maldade é um véu, tão sutil,
Só percebemos quando já não é gentil.
Achamos que estamos certos, que o mal não fizemos,
Mas só depois, no tempo, é que entendemos.
Gosto da noite, sua paz, seu manto,
Talvez porque nela, não sinto o pranto.
E quando durmo, espero não mais acordar,
Ou que esse pesadelo venha a terminar.
