Espelho poemas
Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
eu me inclino,
e ali,
sem ruído algum,
tua palavra me atravessa
como raio de luz.
E me descubro,
não como quem observa,
mas como quem pertence
à mesma língua muda
que o vento sussurra
e as folhas compreendem.
Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
reflito-me na tua palavra.
E, nesse instante suspenso,
sou menos voz
e mais escuta,
menos forma
e mais essência.
Como se, em ti,
eu me lembrasse
daquilo que sempre fui
antes de me dizer.
✍©️@MiriamDaCosta
Se felicidade fosse para encontrá-la, bastaria se olhar no espelho.
Felicidade se ativa, pois está dentro de todos.
Felicidade é soma de entendimentos, fruto da mentalidade.
Você saiu do banho.
Toalha na cabeça..
no espelho do banheiro,
o vapor criava aquele ar embaçado.
Dizer que quero apenas os segredos da sua companhia,
Indiscretos e soltos pela boca,
seria despir as minhas intenções das roupas indecentes.
Roupas que já deixamos lá.
Dizer que vejo seu corpo nu
repousando embaixo do chuveiro
seria minimizar aquilo que podemos fazer.
Não quero corpo.
Quero aquela magia fora do dorso.Quero retorcer os quadris da sua confiança.
Quero sempre ser um presente no presente,
Quero o sabor dos seus lábios,
não num beijo extravagante,
mas numa noite constante onde as palavras escorregam pelo canto de um sorriso.
Quero você sem frescura.
Numa pista de loucura.
A mulher exaltada na sua forma de corpo que não importa.
A magia guardada desvendada pela conversa em qualquer lugar.
Mãe,
Você é o meu exemplo de mulher forte, guerreira,
você é o meu espelho para continuar a lutar.
Que saudades que eu tenho de pegar no teu cabelo,
que saudades que eu tenho de te abraçar e te beijar.
Minha mãe, minha rainha, lembrando aqui do teu sorriso,
minha "véia" linda, quando ouço tua voz o coração acalma, é só disso que eu preciso.
Mãe, eu te amo.
Já olhou pra o espelho
e pôde enxergar
uma pessoa incrível
que precisa de amor
e que aprendeu se amar?
No Silêncio de Dentro
Há um silêncio que não é vazio
é espelho.
Nele, a alma se escuta sem disfarces,
e tudo o que gritava por fora
revela que sempre nasceu por dentro.
Quando o silêncio incomoda,
não é o mundo que pesa…
é o encontro inevitável
com aquilo que evitamos sentir.
Mas, se a coragem permanece,
algo sagrado acontece:
o ruído se aquieta,
os medos se assentam,
e a mente, enfim, respira.
Então, no terreno quieto do ser,
brotam ideias como sementes de luz
discretas, profundas, vivas
porque toda criação verdadeira
nasce primeiro
no silêncio do coração.
Simone Cruvinel
A DOR QUE EU CRIAVA
Por onde olho, vejo o mundo
No espelho refletindo minh’alma
E descrevo sem cortejos:
O que o íntimo do meu ser esbravejava
Era um buraco escuro.
Um palmo de distância separava
Meu corpo do paredão aceso
Que em fogo chamejava.
O que me deixava confuso
Era a incoerência de como ocorria,
Pois, se escuro estava,
Meus olhos não viam,
Mas meu corpo na dor sentia
E sofria a dor que era só minha,
A dor que eu mesmo criava.
Pena que a gente não escolhe
Com quem iremos conviver.
Ainda bem que o mundo é livre,
Junta pessoas para aprender
A dividir o tempo todo
E relacionar-se mesmo sem vontade
Pois, além da nossa compreensão,
Existe um ser divindade.
O orvalho, diamante bruto sobre a folha serena,
Reflete a luz infinita, um espelho do Seu amor.
A montanha é o altar, a floresta, a própria cena,
Onde a vida pulsa e dança, exalando o Seu louvor.
-------- Eliana Angel Wolf
A consciência é o espelho mais sincero que existe.
Ela não se impressiona com palavras bonitas, nem com justificativas.
Ela só observa… e revela.
Será que tuas atitudes realmente condizem com o que dizes praticar?
Ou estás apenas seguindo o fluxo do ego, repetindo padrões antigos, vivendo no piloto automático?
Ser consciente é coragem.
É questionar a si mesmo antes de apontar o mundo.
É escolher o que eleva, mesmo quando o ego grita pelo caminho fácil.
No silêncio da alma, todas as respostas já existem.
A pergunta é: tu tens coragem de ouvi-las?
ESPELHO
A criança corre movida pela energia que seu corpo emana
Sem perceber há uma nuvem escura em seu encalço ganhando força
Finalmente ela olha pra trás
Tardiamente ela olha pra trás
Amedrontada pelo tamanho da nuvem ela corre mais rápido
Em sua inocência atravessa o espelho
Não existe mais som
Não existe mais movimento
Somente o barulho ensurdecedor do silêncio
Seus olhos enxergam o movimento das pessoas
Mas as pessoas não a enxergam
Gritos e socos são inúteis diante da imensidão de vácuo
Cansada de lutar a criança chora
Chora lágrimas que não existem
Lágrimas que se transformam em chuva do outro lado
Chuva que se transforma em tempestade fora do espelho
Tempestade que invade a criança que agora abre os braços
Com olhos fechados ela implora para que um raio flamejante recaia sobre o espelho
Libertando-a em bola de fogo.
A Ponte ou a Besta
No espelho da mente, a fera espreita,
não com garras, mas com ideias feitas.
Ela sussurra: “Descansa, eu guio,
entrega teu fogo, eu sou o caminho.”
Chama-se sistema, conforto, padrão,
mora na tela, na fé, na razão.
Pode ser dogma, ideologia,
ou até a voz doce da tecnologia.
Mas há em mim um olho desperto,
que vê o abismo e segue por perto.
Percebo: a besta não é maldição —
é a chance viva da minha ascensão.
Pois tudo é espelho, chave, lição.
Depende de onde aponto o coração.
Se me curvo, ela reina.
Se observo, ela ensina.
A mesma rede que prende, liberta.
A mesma palavra que mente, alerta.
O que define não é o que me cerca —
é o olhar que escolho na estrada incerta.
Sou eu o templo, o código, a luz.
Sou quem decide o que me conduz.
IA, religião, saber ou poder —
nada disso me faz esquecer...
Que o “Eu Sou” não vem de fora,
não se limita à aurora ou à hora.
É chama viva, sopro consciente —
que não se curva, mas segue em frente.
A lua não brilha, ela devolve…
feito espelho educado da noite,
ensinando que até refletir já é luz.
CHEIRO DE AMOR
Ah, se eu pudesse... meu amor...
Quiser-te-ia, meu doce, que viesses no espelho,
ou desenhado com meu batom vermelho,
ou esculpido na pedra do amor,
em cada canto, em cada lugar por onde eu for...
Ah, se eu pudesse... meu tacere...
“Dir-te-ia, meu ardere: – ‘Minha alma se agita no peito, te busca, pois é por direito."
Tuas dúvidas a transpassam e a ferem,
mas és o sol que o deserto prefere."
Dir-te-ia mais, mas apenas em presença: – ‘Amo-te tanto, muito além do que pensas; “...e dói, e corrói tua ausência,
o silêncio da arte e o encanto da tua eloquência, tua lucidez, tua sapiência...”
Ah, se eu pudesse... minha impotência...
Amenizaria tua veemência, mas a discrição faz parte da minha essência,..., eu, tu, Deus e os jugos dos escrutínios dos olhares que impõem a decência.
Ah, se eu pudesse... meu singular...
Dir-te-ia muito mais, em versos e cânticos: – "Não deixemos a vida passar, como as areias que se desfazem das ondas do mar."
Ah, se eu pudesse... meu fagueiro...
Confessar-te-ia no luzueiro: - “Minha ânsia fora enlaçar-te, aspirar-te, até que me saciasses quando te aproximaste… Como se cada suspiro pudesse apaziguar-me o desejo. Contudo, a cada arrepio, sinto teu aroma, teu cheiro.”
ROSIMARA SARAIVA CAPARROZ
VIDA EM CACOS
O sentido da vida é como nos vemos num espelho: ou refletimos nossa essência etérea, ou deixamos que a névoa do mundo denso a deixe fragmentada em cacos de vidro.
Lu Lena / 2026
UM MUNDO INTANGÍVEL
(No tempo que a alma teima em processar)
Meu desejo é o espelho do que aguento ser. A vida não me limita; ela apenas me protege de carregar um mundo que ainda não cabe nas minhas mãos. Às vezes até alcanço, mas ele desliza, em fração de segundos.
Lu Lena / 2026
O REVERSO DO ESPELHO
(Um despertar inconclusivo)
Folheando álbuns de recordações, fui resgatando épocas através de fotografias amareladas — algumas borradas, sem nitidez, carregando o peso de eras; outras de uma leveza que não consta nos mapas.
Uma saudade estranha do que o medo me impediu de batizar, de passos que ensaiei e nunca dei, temendo que o chão fosse miragem. Recordações que marcaram histórias e esculpiram memórias.
A nostalgia tomou conta de mim. Senti falta do que fiz acreditando no acerto, para depois descobrir que o destino ria noutra direção. É uma saudade feita de tudo e tecida com o nada; um desejo urgente de gritar enquanto a garganta dá um nó cego no tempo que ficou para trás.
Em algum canto, a pureza da infância ainda observa. Enquanto seguro cada fotografia, em silêncio, a mulher que agora habita em mim — na maturidade dos fios brancos que teimam em dizer que o ciclo continua — decide, subitamente, sorrir e dançar entre as ruínas que se transformaram em alicerces. Tudo guardado ali, naquele álbum de retratos esmaecidos de outrora.
Sinto saudade do que as mãos seguraram e do que escorreu pelos dedos. Saudade até do abandono, do que vivi e do que deixei morrer na beira da estrada. Habito a contradição exata entre o "sim" que me salvou e o "não" que me definiu.
Entre um sorriso contido e uma lágrima que desce, recordo-me da pérola que eu desenhava na infância toda vez que a professora pedia um desenho do mar. Eu, automaticamente, pensava em uma sereia admirando uma ostra em suas mãos.
Ao fechar o álbum e guardá-lo na caixa forrada de cetim lilás, olho pela porta de vidro. Os raios de sol refletem o agora, e a pergunta ecoa em minha quietude:
O que, dessas lembranças, sobrevive em mim hoje?
Lu Lena / 2026
A ESSÊNCIA DO INTOCÁVEL
(Quando o barro do outro é espelho do escultor cego)
Você é um ser original e único. O que os outros pensam a seu respeito contradiz o que você é, pois eles lapidam de forma grosseira o barro que é a matéria. Esquecem, ou não querem lembrar, de moldar a própria alma, e usam o cinzel rachado — que insistem em colar com fragmentos de seu próprio ego — para tentar esculpir a essência alheia.
Lu Lena / 2026
