Espelho
QUADRAGÉSIMO TERCEIRO HEXÁSTICO
Assenhora-te do espelho
Refletor de todos os caos
Ainda para ti irrevelados
Debulha-te duplo narcísico
Toda estética será falsa
Se nela faltar toda essência
SOBRE O ESPELHO D’ÁGUA.
Márcio Souza. 687 13.08.18
Vais caminhando em passos lentos,
Sobre o espelho d’água beijando a areia,
Confundindo-me o olhar e o pensamento,
Se tu serias uma Deusa ou uma sereia.
Vais flutuando calma e serenamente,
Observando as ondas espumando o mar,
Num caminhar tranquilo, quase inocente,
Sob os coloridos sonhos no teu olhar.
Água e areia fina tocando teus pés descalços,
Naquela silente quietude e calma imensidão,
Pensei envolver-te com os meus abraços,
E saciar meus desejos de amor e paixão.
Caminharíamos juntos deixando nossos rastros,
Que a cada açoitar de ondas os apagariam,
Como um caminhar no céu a pisar nos astros,
De dois amores de almas que se encontrariam.
E nesse nosso caminhar a se perder de vista,
Naquela vastidão de água e azul do mar,
A cada passo tu meu coração conquistas,
A vontade de amor e cada vez mais te amar.
Seria o reencontro natural de duas almas,
Que vieram agora juntos o amor buscar,
Sobre a areia mansa e com toda calma,
Aquele sonho de outrora a se completar.
Abraçaríamos assim nossas metades,
Transformando-as juntas numa só paixão,
O amor de duas almas numa só unidade,
Ao juntar feliz ao meu, o teu coração.
SONETO AO PIOR DO HOMEM
Seres abomináveis e sem alma
No cintilar do sangue como espelho
Em mortífera ira que não se acalma
Diante das lágrimas, do sol vermelho,
De aflição e vergonha por esse trauma
Que se pudesse rogaria de joelho
Pelo bem de Gaia, que em dor se faz calma
E num apelo sem voz, o aconselho
A lutar pra que a raiva não o tome
Em espírito de arrasar a Terra
Frente a tanta ganância que o consome
Afinal você é homem que sempre erra
À sombra do mal sem rosto e sem nome
E que se fez só pra viver de guerra
Eu acredito que nossos olhos são o espelho da nossa alma.
Sempre que olhamos seja para uma comida que gostamos, para risadas com os
amigos ou com certeza para o sorriso de quem te faz feliz...sentimos nosso
espirito e alma sendo abastecidos por uma energia inexplicável acredito que
está mesma energia move a todos, essa energia nos fazem levantar todos os
dias, como se fosse algum tipo de droga que todos viciamos, me pergunto.. o que seria de nós sem essa energia?
"Eu me olho no espelho pra não quebrar a cara e cortar meu orgulho ferido com os cacos do meu teto de vidro..."
Mesmo que acorde depressivo, eu , exijo que olhe-se no espelho com dignidade. Levante cedo, faça a barba, arrume os cabelos, vista suas melhores roupas. E o cérebro que se exploda...Apenas aproveite o intervalo.
As Sete Aberrações
II - O Espelho
"Não é tão ruim assim" - Pensei, engolindo seco.
Enquanto a saliva descia feito serragem em minha garganta, ele desceu, envolto de luzes brancas e azuis, finalmente pousando às pontas dos pés, no mesmo lugar em que se sentava a criatura anterior.
Apesar do par de chifres no topo de sua cabeça, sobressaindo discretamente por entre os cabelos louros, o par de asas às suas costas, revestidas de plumas brancas e douradas, tornavam a imagem do jovem garoto de olhos azuis, um tanto quanto angelical. Meus olhos lacrimejaram neste momento, de forma diferente da noite passada, graças ao alívio que o atual devaneio me proporcionava.
Antes de encarar-me, questionou aquilo que ainda sequer tinha visto:
"Por que choras, jovem humano?" - Pude ver que a criatura trazia consigo, um espelho em sua mão direita.
Secando as lágrimas, vislumbrei a iluminada figura à minha frente, tentando me explicar, logo em seguida
"Ontem me foi dito, que abandonavam-me os anjos, mas tua bela imagem me alivia"
Sem esboçar qualquer expressão, o tal anjo sentou-se, direcionando-me outro questionamento:
"Te alivias minha presença? Sabes o que sou?"
Um silêncio profundo toma conta do lugar, enquanto nos encaramos.
"Tu decepcionas mais do que esperava" - Lamentou
"Você é um deles. Uma das aberrações".
A criatura me encarou, enquanto a calmaria se esvaía lentamente, dando espaço para uma angústia ainda controlada pela minha prece, repetida incessantemente em minha cabeça: É só um sonho.
"Pois" - chamou minha atenção - "consideras-te belo?" - Ergueu o espelho que trazia consigo, voltado a mim. Nele, não vi meu reflexo, mas sim, memórias.
Memórias específicas, de momentos em que fui diminuído por minha aparência, minhas diferenças, minhas próprias aberrações. Chorei ao revisitar aqueles momentos, através daquele espelho aparentemente mágico. Mais uma vez, o anjo questionou:
"Consideras-te belo, jovem?"
Finalmente respondi, com a voz alterada graças à angústia:
"Não..."
"E mais uma vez, tu decepcionas" - retrucou, quase imediatamente e então, continuou - "Tudo que vistes, são julgamentos banais. Julgamentos carnais de seres carnais, a ti voltados, graças aos quais, não reconheceste tua beleza e torna-te a ti mesmo um juiz, como os tais que lhe afligiram. Entenda, criança, sois estrela cadente em céu estrelado: bela, rara, iluminada, mas ainda, passageira. Sua luz se esvai, assim como sua carne se deteriora. A estrela simplesmente desaparece, tal como sua vida se acaba e, tudo o que sobra é a verdadeira beleza, teu legado, tua essência, o espaço vazio entre as estrelas do firmamento, que agora brilharão mais fortemente".
Pude ver as plumas da aberração soltando-se atrás do espelho e encobrindo o ar de todo o local com seus brilhos.
"Diga-me, jovem... Ainda sou belo?" - perguntou, com uma voz, agora, mais grave.
As asas emplumadas haviam dado lugar a outras, revestidas de uma pele negra, como a mais escura das noites. Seus chifres se estenderam para o alto, se destacando ainda mais dos cabelos que, outrora loiros, tornaram-se tão negros quanto as asas e alongaram-se até cobrirem os olhos, que abandonaram o azul celeste e se dilataram em um mar, vermelho, forte como sangue. Sua boca estampava um sorriso bestial, com presas vampíricas, enquanto esperava pela minha reação.
Encarei-o, curiosamente, sem medo qualquer e então, tomei a palavra:
"Provas tua beleza, quando ensinas outros a vê-la. De todos que já vi, tu, és o mais belo ser que meu coração já vislumbrou".
O anjo espantou-se, depois, sorriu novamente, ao ouvir o som de quatro badalares. O sorriso, desta vez, deixara de ser irônico, demonstrava satisfação.
"Sabia que podia esperar ótimos resultados de ti. Jovem, passaste por minha provação com êxito".
Despediu-se, assim, a criatura, quando mais uma vez, abri meus olhos, deitado em minha cama, chorando de emoção com a lição recebida, enquanto preparando-me psicologicamente para a próxima aberração que, como as anteriores, poderia vir disfarçada de terror, e provida de outra provação.
(Às vezes, existem cordeiros feridos, por detrás das peles de lobo que lhes colocaram)
"É belo olhar para o espelho e ver os cabelos se despedir dos anos joviais.Como uma fruta,amadurece a maturidade,com novos anos celebro a realidade,da responsabilidade do título de pai.Vivo e morro por ti minha alquimia,dou Parabéns a minha pequena Maria,que contempla a inocência e esperteza audaz. Te amo Maria! 2 anos!
No espelho retrata um rosto com marcas traçadas que se parece a estrada de um caminho, a beleza que se parece que não é tão bela , agora é a mais bela das belezas, pois traz consigo uma história marcada de alegrias e tristezas, o espelho físico mostra a matéria, porém o sensível transborda em essência.
Verdadeiramente Todos São Espelho Que Refletem a Imagem De Deus,Mas Poucos São Os Que Refletem No Coração, a Imagem
Da Iluminação Dás Palavras De Jesus Cristo.
Meu espelho refletindo um olhar perdido...
Meus olhos, um mar de sentimentos
Minha alma sabendo amenizar tantas incertezas e trazendo de volta a esperança de quem sabe rir e chorar Oscilando entre aceitar e lutar.
Chega de ouvir os outros
Chega de aceitar conselho torto
Todo dia é dia de olhar no espelho
E de abusar do meu batom vermelho
Do fundo do poço, eu não passo
Do fundo do poço, eu não passo, não
Não adianta estar perfeito no espelho e por dentro, solidão.
Você não precisa provar nada.
A sua vida não é um produto na prateleira.
Não viva de fachada.
A ilusão pode ser bonita, mas não é verdadeira.
