Espaço
Você se foi, mas esqueceu de levar o espaço que ocupava em mim. Agora, vivo em uma casa cheia de ecos de um amor que não tem mais volta.
Te ver ali, a poucos metros de distância, e não poder encurtar esse espaço com um toque ou um abraço, é uma das tarefas mais difíceis que já tive que enfrentar.
Olho nos teus olhos e as palavras travam. Existe um universo de "eu te amo" que morre na minha garganta toda vez que você sorri, porque me dói imaginar que esse sorriso, embora brilhe na minha frente, já não é mais o porto onde eu posso ancorar. Eu sinto o teu perfume de longe e ele me traz memórias de planos que agora parecem morar em outra vida.
O que mais me consome é essa encenação diária. Por fora, eu sou o retrato da calma, alguém que aceita o fluxo do tempo; por dentro, cada fibra do meu ser grita o teu nome. É exaustivo sorrir para o mundo enquanto desmorono por dentro, sabendo que você é a pessoa mais próxima de mim fisicamente, e a mais impossível emocionalmente.
Dizem que a distância machuca, mas eles estão errados. O que realmente fere é a proximidade sem o pertencimento. É saber que esse amor que eu sinto não é uma invenção da minha cabeça — ele é real, é denso, é vívido — e, ainda assim, ele não tem lugar para existir no nosso presente.
Fico guardando cada vontade, cada sonho e cada detalhe que eu só consigo enxergar se for através de nós dois. É um amor intenso que sobrevive no escuro, esperando por um tempo que talvez nunca chegue, mas que se recusa a apagar.
Eu finalmente entendi que não adianta insistir onde não há espaço para mim. Amar por dois é um esforço solitário que só traz cansaço. Estou parando de lutar contra a realidade: você não sente o mesmo, e tudo bem. Dói aceitar, mas dói ainda mais continuar esperando algo que nunca vai voltar. Sigo em frente agora, levando comigo a certeza de que fui verdadeiro do início ao fim.
Passei a madrugada em claro hoje, É estranho como a ausência de alguém pode ocupar tanto espaço dentro de um quarto.
Fico repassando nossas memórias e aquela ideia da nossa 'menininha' que você tanto falava. Foi naquele momento que eu realmente senti que tinha encontrado o meu lugar no mundo. Você me deu um propósito e uma vontade de construir algo maior, mas agora que você não está, esse propósito parece um deserto.
Queria não precisar dessas respostas que sei que nunca virão. Queria não me sentir preso no vazio onde você me deixou. Mais do que qualquer coisa, eu queria me reencontrar, mas parece que esqueci o caminho de volta para quem eu era antes de nós. Ainda estou aqui, tentando entender como se continua quando o coração ainda insiste em ficar parado no mesmo lugar.
Dizem que o tempo e o espaço são medidas físicas, mas o que sinto por ti foge de qualquer métrica.
Queria poder estar aí agora, não apenas para dizer que tudo vai dar certo, mas para ser o teu porto seguro enquanto as coisas se ajeitam. Na falta do toque, envio meu pensamento: imagina que cada palavra desta carta é um abraço demorado, daqueles que fazem o resto do mundo desaparecer por alguns segundos.
Saiba que, mesmo que os meus olhos não te alcancem hoje, o meu carinho por ti permanece intacto, firme e profundamente honesto. Torço por cada pequena vitória tua e sinto as tuas dores como se fossem minhas. Você é admirada, você é essencial.
Você nunca atravessa os seus desafios sozinha, pois eu estou aqui, mesmo que em pensamento, segurando a tua mão.
Às vezes a melhor forma de proteger uma amizade não é insistir nela,
é dar espaço para que ela respire.
— Sariel Oliveira 🌙
Com coração cheio de anseio, mas temeroso, continuei a jornada. Viajando pelo espaço solitário, já me encontrava perdido de meu objetivo.
Sem nem ao menos notar fui puxado vagarosamente para um lugar que me cativava com suas belas paisagens e me deixava maravilhado com tão belas canções. Aquele universo fazia acreditar que ali era meu descanso...
Ouvia histórias e promessas sem fim, que sedavam meus sentidos, como morfina em minhas veias... Em tão pouco tempo deixei todo medo de lado e a dor já não me reprimia.
Fiz ali morada, como quem é convidado a entrar e descansar, fechei meus olhos e adormeci...
Solidão Cósmica
Flutua pelo vazio do espaço
Quem faz da dor um grito silencioso
Vagando sem rumo através dos astros
Desenha palavras não ditas
Que ecoam como algo precioso
Passa por cometas e estrelas
Sobrevivendo ao frio e ao calor infernal
Se fortalece cada vez que morre
Mas as marcas que ali ficam
Lembram que a dor é incondicional
Alguma vez no vasto universo
Orbtaria um majestoso lugar
Numa via de estrelas distanciadas
Descansa na sombra de um planeta
Com vista para um belo luar
A Dialética da Hipocrisia
Tem gente que sonha e não busca seu espaço.
Tem gente que briga, mas é um eterno covarde.
Tem gente que adoece e jamais procura a cura.
Tem gente que planeja e nunca se organizou.
Tem gente que se diz discreta, mas adora fazer alarde.
Tem gente que é lenta para o dever, mas veloz para o interesse.
Tem gente que é tagarela, mas não quer ouvir.
Tem gente que grita e não se cala na hora certa.
Tem gente que chora e não suporta ver ninguém chorando.
Tem gente que crê em Deus, mas vive chamando pelo demônio.
Tem gente que canta e não deixa ninguém assobiar.
Tem gente que reclama e nunca reivindicou coisa alguma.
Que pela manhã seus pensamentos sejam renovados e que assim tenha espaço a ser ocupado pelo amor. Quando você ama, apenas ama!
Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Soo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.
Eis a vez, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.
"O Silêncio de Não Ser Pai"
Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.
Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.
O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?
Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.
Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.
Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.
Há no silêncio…
um mundo que grita baixinho,
um espaço onde os pensamentos
ecoam mais alto que qualquer voz.
Há no silêncio…
lembranças que voltam sem aviso,
sentimentos que se revelam
quando ninguém mais está por perto.
Há no silêncio…
um refúgio e também um abismo,
onde a gente se encontra
ou se perde dentro de si mesmo.
E às vezes,
é nele que mora a verdade
que o barulho do mundo
não deixa a gente ouvir.
Todos estão iludidos pelo espaço, quando estão presentes num pequeno ponto, indo e voltando, sem sair do lugar.
Não existe o espaço, dentro ou fora, antes ou depois, porque cada coisa está sobreposta a cada coisa. Tudo coexiste com tudo. Tudo é uma coisa só. Isto não é exato porque a forma não é exata.
O invisível que carrego dentro de mim ocupa o espaço onde eu deveria estar, e observa-me quando tu estás perto de mim, e ainda assim não posso tocá-lo.
A maior distância entre dois pontos não é o espaço, mas o conflito que o seu personagem carrega no peito.
Para todas as mamães,
Ser mãe é carregar o mundo no peito e ainda ter espaço pra dar colo.
É transformar noites mal dormidas em sorrisos ao amanhecer.
É ensinar com o olhar, cuidar com as mãos e amar com a alma inteira.
Hoje o dia é de vocês, que fazem do amor o trabalho mais bonito e mais corajoso que existe. Que dão conta de mil coisas e ainda assim são o coração da casa.
Que vocês sejam lembradas, abraçadas e celebradas não só hoje, mas todos os dias. Porque mãe é sinônimo de força, de recomeço e de amor que não mede esforços.
Feliz Dia das Mães a todas vocês, que fazem do mundo um lugar mais humano só por existirem! 🌷💛
