Espaço
Quando o ser afrouxa o centro
e se despe do egoísmo,
abrindo espaço para o humano interior,
o sofrimento já não se impõe como destino.
Torna‑se matéria de aprendizado,
passagem silenciosa,
instrumento que prepara
a travessia de algo maior
do que ele mesmo.
Pois onde o eu deixa de ser muro,
o humano floresce
e a vida encontra sentido.
ESPAÇO
Diga-me algo! Você se sente bem nesse mundo sombrio? Um homem uma vez disse que somos seres repletos em um vazio profundo. É inquietante pensar que nossas vidas giram em torno de outras, mesmo que de forma indireta. Como se, no fundo, sempre precisássemos de aprovação. Mesmo quando tentamos esconder nossas emoções, nós nos tornamos o próprio vazio.
Parte de nós são nossas experiências, nosso trabalho, nossas vidas, mas, acima de tudo, nossos sentimentos. É como comparar o vazio do espaço sideral com nossas emoções. Há um universo de galáxias, e mesmo quando pensamos que sabemos tanto, sempre descobrimos algo novo.
Muitas vezes nos sentimos pequenos, como se quiséssemos explorar todo o espaço, mas só podemos visitar os mesmos planetas: medo, tristeza, felicidade e, até mesmo, o amor.
Mas afinal, qual é a distância entre o medo e a felicidade? O quão perto o amor está da felicidade?
Acredito que o espaço, ou o vazio, só pode ser preenchido com amor próprio. É como se conhecermos a nave que nos leva nessa jornada sem destino: nosso corpo e espírito são nossos guias. Todos os dias, temos a oportunidade de mudar nossas vidas e criar nossa própria Via Láctea, um caminho repleto de brilho, mas com um fundo de escuridão, cheio de mistérios e sem um destino conhecido.
Como amante do espaço, gostaria de olhar para trás e ver que tracei meu caminho sempre escolhendo as melhores alternativas que tive. Às vezes, inseguro, às vezes navegando através de uma nebulosa perturbadora que afoga meus pensamentos em bilhões de acontecimentos instantâneos, mas que, no final, gera algo belo.
Por mais desafiador que o lugar que percorremos possa parecer aos olhos de outros, tudo parece mais fácil. E, no final, você percebe que a aprovação que sempre buscou nos outros era, na verdade, a sua própria aprovação. Viva a vida, construa seu caminho, sinta suas emoções, atravesse as nebulosas. VIVA!
Acima de tudo, respeite o seu ESPAÇO!
✍🏻Quando você se retira de qualquer lugar liberando o espaço para quem abusa e cobiça, você recebe automaticamente algo MUITO MELHOR. ASSIM É A LEI DO UNIVERSO, sempre alcança os justos antes, depois os demais.
♾️🌎😉💜💞💕🪷
"Eu sou livre em mim, você é livre em você, e escolhemos criar um terceiro espaço onde as nossas liberdades se encontram para dançar".
Olhai os lírios pelos caminhos
por onde vais.
Eles não gritam,
não disputam espaço
com o caos do mundo.
Apenas estão ali,
silenciosos,
inteiros,
abertos ao sol
e às intempéries.
Enquanto os homens
correm atrás de urgências
que nunca terminam,
os lírios
simplesmente florescem.
Não perguntam
quem és,
de onde vens
ou para onde vais.
Oferecem sua beleza
sem cálculo,
sem testemunhas,
sem esperar aplausos.
E talvez seja por isso
que ainda resistem
à pressa das cidades
à estiagem
e à dureza dos tempos.
Por isso,
quando o peso do mundo
tentar endurecer teus passos,
olhai os lírios
pelos caminhos por onde vais.
Talvez eles te lembrem
em silêncio
que a vida
não foi feita apenas
para ser suportada
mas também
para florescer.
✍©️@MiriamDaCosta
LIBERDADE
A liberdade não é o espaço onde estás, é a paisagem que carregas dentro das grades que te dão. Sou livre, dentro da prisão!
A Dialética do Despojamento: O Belo e o Real
Na redução fenomenológica do espaço e do traço,
a alma repousa naquilo que o pouco revela;
é a beleza do silêncio que rompe o cansaço,
o mundo despido, sem a moldura da cela.
Nesta busca, a imanência se faz clara e contida,
onde o ser se encontra com sua forma mais rara,
longe do ruído que a abundância, em sua lida,
para o consumo da imagem, tão cedo prepara.
Contudo, a simplicidade não é apenas repouso;
é o reflexo da materialidade que a vida impõe;
atrás do pão rústico, há o esforço penoso,
a mão que a estrutura social logo expõe.
O que o olhar esteta consome como harmonia,
é, no solo, o habitus da privação e do rigor;
a existência se molda na escassa e fria geometria,
onde a beleza é o subproduto de um longo labor.
Assim, o simples é um equilíbrio de tensão ontológica,
um palco onde o belo e o trágico dançam no rés;
não há pureza que escape à força da lógica,
que sustenta o encanto, mas fere através dos pés.
A dignidade do nada é o triunfo do espírito humano
frente à violência sistêmica que a carne consome;
a simplicidade é a glória do mais fundo cotidiano,
mas é também o eco da sede e o rastro da fome.
Onde o Céu governa o coração, o inferno não encontra espaço para se manifestar.
Pode haver firmeza, correção e autoridade, mas nunca maldade, humilhação ou destruição. miriamleal
CHEIO DE VAZIOS
De que te enches oh vazio
Com teu espaço invertido
Quão mais robusto mais esguio
Em tantos nadas sem sentido
Do Big Bang deves ser tio
Sem precisão do acontecido
Idas e vindas por um fio
Em teu silêncio merecido
A emoção de ser bravio
De utilidade em ter vivido.
(Alfredo Bochi Brum)
Me calo as vezes, para observar melhor!
Dou espaço para ver seus passos.
Observo mais suas ações.
Guardo suas palavras.
Penso, junto tudo.
No fim descido.
“Quando soltei das mãos aquilo que não me obedecia, o destino encontrou espaço para agir — e o que era turbulência tornou-se ordem.”
