Escritor
Inicie comprometendo,
Prossiga acentuado,
Termine infinito,
Para variar.
Nunca fomos bons em ortografia,
Mas dissertamos à vontade sem hesitar.
Nunca dominamos idiomas e línguas,
Fluentes na arte de como questionar.
A sorte foi cruel, na ciência da vida,
O mérito adveio dos jogos de azar.
Não há âncoras,
Há coragem,
E a ancoragem que naufrague.
Mesmo que nada tenhamos,
Ainda teremos nós.
Uma porção de insistência,
Cercada de resistência
Por todos os lados.
Deixo-te me levar,
Por franca-espontânea atração.
Deixe-me navegar,
Nesta ondulada vastidão.
Tragado no redemoinho,
De tua astuta maresia.
Bastava, a simples combinação,
Dela e do Violão,
Para que o mundo todo
Encontrasse harmonia.
Ah Maria,
Você salvou meu dia primeiro;
Depois salvou minha semana,
Meu mês e finalmente,
Salvou meu ano inteiro.
Sujeitos Insubordinados
Desponta imponente
A legião solícita,
De luzes ofuscantes
Contra nós.
Em contração a conta bate,
Pelos meus cálculos,
Nenhum resultado correto
Ou significante.
Onde não há prova real,
Os problemas, são meros produtos
Felpudos, deste sistema envolvente,
Gracioso calculista acolhedor.
Permita-me carregar,
Todo o peso necessário,
Prossigo satisfeito
Com meus fardos.
Nós estruturamos
Nossa própria imposição,
De Sujeitos
Insubordinados.
Fadário Sutil da Grosseria Aguda
Nos enfrentamentos do pedante inveterado,
Sustenta-se apenas um único desejo,
Inundar o mundo de poesia,
Num dilúvio de versos catatônicos.
Que toda mediocridade débil,
Intolerância senil,
Decrépita miséria psicológica e atitudinal,
Seja delicadamente trucidada,
Varrida pela torrente das estrofes.
Repetida realidade reflexa.
O "novo" e o "novamente" se fundem,
Se confundem, se desfazem,
São recursos, gastos, obsoletos, renováveis.
Tudo acontece com tamanha frequência,
Que somos tomados pela indiferença.
Talvez tenha chegado o momento, de se importar.
Nada de sublime nos homens.
A digna elevação humana,
Benévola e sacra,
Só pode ser localizada em algumas mulheres (Mães, vez por outra).
Todos podem agregar algo a este mundo,
Mas não espere que o façam.
A grande maioria das pessoas,
Chegou e partiu sem motivos,
Continuará chegando e partindo sem motivos
E pouquíssimos terão algo a acrescentar.
Que abandonemos os ensaios,
Que tudo se resuma a estreias.
Apenas outro fragmento,
Desse todo confuso,
Profuso e sedento.
Traz alívio, conforto, alento.
E ainda que tímido,
Voraz.
(como é bom versar, com alguém que entende de verso).
Nas Aguadas Aventuras do Homem Mexilhão,
O Peso do Mundo sobre a Tróclea do Tálus,
É reduzido, graças ao empuxo.
Ele aconteceu por acaso,
Deu a mínima pra nada
E partiu sem querer.
A Arte é um apetrecho mordedor,
Desejando mastigar todas as Gominhas do bairro.
Às vezes porventura pode ser que talvez, quem sabe entretanto e contudo tão indefinido; mas o porém, todavia, não sei dizer ao certo.
Dentre trezentos e sessenta e tantos dias, que compõem os anos, foi este que escolhemos, foi neste que estreamos; juntos, até que a eternidade nos imortalize. Despontamos no epicentro dos vendavais, deixamos a unanimidade para trás, nosso ímpeto consolida a união, somos o delírio absoluto da multidão.
