Escritor

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⁠Queria ser ninguém (em meu conservadorismo liberal)

Insistentemente
Como nunca planejei,
Orgulhosamente
Queria ser ninguém.

Identicamente pouco parecidos,
Distorcidos em imagem e semelhança,
Capturo imitações sem compromisso,
Em seu uso um desuso me alcança.

Queria ser ninguém
Em meu conservadorismo liberal.

É difícil se ausentar
À própria presença,
Edifícios arranhando
A paisagem local.

Codifico informações
Ao formular a sentença,
Meu Conservadorismo liberal.

Anti-partidário recém afiliado,
Estaria em cima do muro
Se não o tivessem derrubado.

Superávit de inteligência,
Descreveu não leu é porque não viu,
Déficit de coerência,
Justapostos ao regime que os pariu.

Vá pro regime que te pariu...

Queria ser ninguém
Em meu conservadorismo liberal.

Muito esforço e transpiração, Estabeleceram minha pose, Faturamento anual e crônica neurose.

A recompensa da aposentadoria
E seções de Terapia em hipnose.

Apesar do Jabá, suborno e propina.
Invisto na Amizade,
Respeito e Simpatia.

Como igualar se não descrimina ?
Quando era muchacho não adivinhava,
Que no orbe dos adultos a gente se adestrava.

Afirmação enganada,
Se chama Convicção,
Correta só a Errata,
Convicta de hesitação.

Um grande camarada
Foi o bicho papão,
Me fazia companhia na solidão.

Queria ser ninguém
Em meu conservadorismo liberal.

Inserida por michelfm

⁠Seis quarteirões para alguns, um complexo residencial para outros, o labirinto inconcluível de uma insana trajetória para Edegar.

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⁠Aquele lugar tinha sido em um momento de sua história passada, quase próspero.

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⁠Ali, diversos empreendimentos sobreviveram durante anos, abastecendo a população local em suas mais variadas necessidades; lojas de roupas, sapatos e acessórios, com todos os formatos, cores e tamanhos para os gostos menos exigentes;

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⁠Uma barbearia; uma padaria; uma escola; um carrinho de cachorro-quente; um carrinho de churros que também vendia doce de cocada; uma banca de jornais; uma praça arborizada com uma fonte no centro; um clube.

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⁠Os habitantes daquela localidade conheciam Edegar, mas ele nunca ocupou uma posição de destaque, na política, no comércio, no esporte, na arte; não ganhou prêmios, concursos, rifas, apostas; Edegar nunca apostou.

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⁠Ele gostava de pastel de queijo, jabuticaba, garapa, de vez em quando um trago de pinga, geralmente com vermute, a famosa rabo de galo.

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⁠Edegar era um filósofo, apesar de raramente falar algo, ele notava, notava as pessoas, as construções, os veículos, as sarjetas, o mato que nascia por entre o calçamento; notava o céu, conhecia tão bem as nuvens, as revoadas de pássaros próximas do rio que cortava a vila.

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⁠Enquanto os organismos se transformavam, Edegar permanecia sentado nas ruínas do velho clube abandonado e elas não o abandonavam.

Inserida por michelfm

⁠A arquitetura se modificava, os modismos iam e vinham, tecnologias surgiam a todo vapor virtual, cada qual se ocupava com suas ocupações.

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⁠Edegar despreocupado, permanecia sentado nas ruínas do velho clube abandonado. A maioria pensava que Edegar fosse apenas mais um inativo. Não, ele era notável.

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⁠No entanto num dia desses, passei como de costume na frente do velho clube, e o ilustre guardião das ruínas não se encontrava mais em sua ocupação. O notório Edegar que por tantos anos aquele local ocupou, não ocupava mais seu lugar.

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⁠O Último Rei das Ruínas

Seis quarteirões para alguns, um complexo residencial para outros, o labirinto inconcluível de uma insana trajetória para Edegar.

Aquele lugar tinha sido em um momento de sua história passada, quase próspero.

Ali, diversos empreendimentos sobreviveram durante anos, abastecendo a população local em suas mais variadas necessidades; lojas de roupas, sapatos e acessórios, com todos os formatos, cores e tamanhos para os gostos menos exigentes;

Uma barbearia; uma padaria; uma escola; um carrinho de cachorro-quente; um carrinho de churros que também vendia doce de cocada; uma banca de jornais; uma praça arborizada com uma fonte no centro; um clube.

Os habitantes daquela localidade conheciam Edegar, mas ele nunca ocupou uma posição de destaque, na política, no comércio, no esporte, na arte; não ganhou prêmios, concursos, rifas, apostas; Edegar nunca apostou.

Ele gostava de pastel de queijo, jabuticaba, garapa, de vez em quando um trago de pinga, geralmente com vermute, a famosa rabo de galo.

Edegar era um filósofo, apesar de raramente falar algo, ele notava, notava as pessoas, as construções, os veículos, as sarjetas, o mato que nascia por entre o calçamento; notava o céu, conhecia tão bem as nuvens, as revoadas de pássaros próximas do rio que cortava a vila.

Enquanto os organismos se transformavam, Edegar permanecia sentado nas ruínas do velho clube abandonado e elas não o abandonavam.

A arquitetura se modificava, os modismos iam e vinham, tecnologias surgiam a todo vapor virtual, cada qual se ocupava com suas ocupações.

Edegar despreocupado, permanecia sentado nas ruínas do velho clube abandonado. A maioria pensava que Edegar fosse apenas mais um inativo. Não, ele era notável.

No entanto num dia desses, passei como de costume na frente do velho clube, e o ilustre guardião das ruínas não se encontrava mais em sua ocupação. O notório Edegar que por tantos anos aquele local ocupou, não ocupava mais seu lugar.


Inserida por michelfm

⁠Persuadir, ludibriar, iludir, enganar,
Convencer, viciar, dissuadir, abnegar.

Inserida por michelfm

⁠Efêmeras alegações que desembocam
Em uma sentença,
A propósito a proposta é propensa.

Inserida por michelfm

⁠Abrir mão ou apegar-se,
Ao discurso que é desconfiado,
Quem duvida é duvidoso,
O incerto está acertado,
Ferramentas pra divulgar,
O poder de propagar.

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⁠A propósito esse é meu propósito,
Expressar, estressar, estragar,
Estalar, estrilar, extirpar,
É o Propósito.

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⁠O Propósito

Persuadir, ludibriar, iludir, enganar,
Convencer, viciar, dissuadir, abnegar.

Efêmeras alegações que desembocam
Em uma sentença,
A propósito a proposta é propensa.

Abrir mão ou apegar-se,
Ao discurso que é desconfiado,
Quem duvida é duvidoso,
O incerto está acertado,
Ferramentas pra divulgar,
O poder de propagar.

A propósito é o propósito,
O Propósito.

A propósito esse é meu propósito,
Expressar, estressar, estragar,
Estalar, estrilar, extirpar,
É o Propósito.

A propósito é o propósito,
O Propósito.

O propósito é proposital
E propositalmente eu propositei.

Inserida por michelfm

⁠Inação é o sentimento que move nossos atos trágicos para conosco.

Inserida por michelfm

⁠Minamos a possibilidade de evolução em nós mesmos. Nossa capacidade não deve ser mensurável, mas é.

Inserida por michelfm