Escrita

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Mesmo que distante

Trilhar um longo percurso
Na busca da essência.
Vê-la distante, e acompanhá-la.
Assim… Querer-lhe perto

Em cada momento.
O desejo faz parte de quem
Tanto se quer, e quando
Se quer, vai na busca

Vou partir… – em sua busca,
Somente não sei qual destino tomar.
Não desistirei em momento algum.

Lá, em algum lugar a encontrarei
Para matar a minha sede
E a minha angústia.

Valter Bitencourt Júnior
Passagem: Poesias, 2017

Acontecimento da vida

Nunca vi
Nada tão escuro
Como hoje.
Talvez entrara
Em uma ilusão,
E os acontecimentos
Da vida
Ajudaram.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Na disputa de quem rouba mais o Brasil, os que dizem que estão lutando contra a corrupção estão na frente!

⁠Nem tudo precisa ser dito, mas a vida fica mais leve quando pensamentos são escritos.

⁠Ao poeta, três são os seus martírios:
Primeiro, perder aquilo que pensou antes que pudesse escrever.
Segundo, viver aquilo que com palavras não se pode descrever.
Terceiro, reler aquilo que deixou escrito e ver que o tempo tratou de reescrever.

Fiz meu silêncio ecoar poesia.

Um amor tranquilo
Sabe aquele amor leve, natural, espontâneo? Amor sem pressão, amor sem amarras, amor sem padrões.
Ah, um amor recíproco. Um amor de amantes, mas também um amor amigo.
Um amor sem medo, um amor sem máscaras. Um amor transparente, um amor sem omissões.
Um amor vulnerável. Ah! A tal vulnerabilidade tão temida. Ninguém a quer, mas todos a tem. Quem dera não quiséssemos parecer tão perfeitos o tempo inteiro.
Um amor de vulneráveis em construção.
Um amor que conheça as bagagens do outro, aceite-as e queira evoluir junto. Um amor compreensível, um amor simples.Ah! Um amor tranquilo, um amor sincero.
Um amor leve como a brisa da manhã. ⁠

⁠As minhas palavras mais do que tudo, declaram em gritos a confusão que existe dentro de mim.

Enquanto escrevo, até entendo, pois entrego-me de corpo e alma ao sentimento presente. No dia seguinte por sua vez me faço de leitor para tentar entender, pois um novo sentimento já ergueu-se em mim.

Talvez a chave para interpretar o que digo, não seja apenas lê o que escrevo, mas se entregar ao sentimento que senti.

⁠As tempestades ensurdecedoras que eu mesma crio não me preocupam, desde que não me amputem as mãos.

⁠Acho que quando escrevo não vejo as palavras, vejo as coisas.

Annie Ernaux
A escrita como faca e outros textos. São Paulo: Fósforo Editora, 2023.

⁠Escrevo para não perecer, para não sucumbir à indiferença. Rabisco as letras, para dar traços ao caminho e cinzeladas às pedras da estrada. Registro minhas dores, defeitos, labutas, deleites ou lampejos de luz, para que nunca me esqueça da minha humanidade.

⁠Não tenho medo de me repetir, porque o que escrevo, o que eu digo, não atende às exigências da literatura, mas às da necessidade e da urgência, às do fogo.

Édouard Louis
Quem matou meu pai. São Paulo: Todavia, 2023.

⁠Enquanto a vida se limita a uma sobrevivência constante perante o vazio existencial, escrevo poemas de salvação, meros aperitivos para o vazio que me cerca profundamente enquanto luto para marcar a minha existência sábia e inocente diante das possibilidades que apenas me enlouquecem, assim escrevo poemas, de salvação.

Todas as coisas que segurei


Dentro de mim, segurei tantas coisas…Abstratas, pequenas, grandes, confortantes.
Desenvolvi barreiras para guardar todas essas coisas que segurei, constantemente, estava ali comigo, independente do que houvesse, elas haviam se tornado atemporais, o tempo não transcorria, nada poderia apagá-las na nitidez em que se mantinham firme dentro de mim.
Um desejo incansável de controlar o incontrolável e por ego, não reconhecer a beleza da liberdade. Havia tanto em mim, que pesou. Pesou nas profundezas do interior que já nem era mais meu, entretanto, estava se tornando propriedade daquilo que eu guardava em mim e estava me moldando aos poucos.
No nascer do dia e no fim dele, percebo repetidamente que a vida são fases, ciclos, estações. E tudo de intenso que há no meu peito jamais transformaria-se em concreto eternamente. Não posso guardar, tocar, manter sempre dentro de mim. É preciso soltar, libertar, encontrar o equilíbrio, pois tudo o que realmente nos pertence, jamais vai embora, apenas ressurge em sensações melhores.

⁠Escrever é falar consigo mesmo. Eu tenho feito isso por toda a minha vida.

⁠Só queria ter paciência.
Ou ter você.

Eu costumo descobrir o que penso das coisas no ato de escrever, o que significa que sempre começo pela dúvida.

Luis Fernando Verissimo
Medo da loucura alheia. Rascunho, abr. 2016.

Escrever é um dos modos de fracassar.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica A entrevista alegre.

...Mais

⁠Ser luz é muito mais que iluminar caminhos.
É colorir a vida com amor.

Lealdade

Sê, ó amigo, como a cama
Que com a alta lealdade
Espera todos os dias sua ama

Sê, ó caro, como o nobre cão
Que mesmo maltratado
Tira seus donos da solidão

Age como o tronco caído
Mesmo sabendo que morrerá
É leal ao machado que o fará

Mas não sê como o fraco
Que chora quando sofre
E não cumpre seu trato

Ou o traidor imundo
Das palavras em vão
Do escárnio profundo

Cultiva a tua lealdade
E abre teu coração
Para a alma da bondade.