Escravidão
14 de Maio
No 14 de maio de 1888, o Brasil amanheceu livre. Ou ao menos, livre o suficiente para se parabenizar diante do espelho.
A escravidão fora abolida na véspera, por um gesto régio, breve e elegante, como convinha à pena de uma princesa. A tinta mal havia secado, e já se cochichavam loas nos salões. O Império, enfim, provara sua humanidade — ainda que com duzentos e tantos anos de atraso. Diziam-se modernos. Civilizados. Cristãos.
Mas, nas ruas, não houve fanfarra. Nem pão. Nem terra. Nem nome.
Os que saíram das senzalas na véspera encontraram, no dia seguinte, o mesmo chão duro, as mesmas mãos vazias, e o mesmo olhar de soslaio da cidade que os libertara com uma assinatura, mas não com dignidade.
Alguns acreditavam que o trabalho viria como recompensa. Outros, que a caridade cristã desceria dos púlpitos e dos palácios como chuva mansa. Mas a chuva não veio. Nem a caridade. Nem o trabalho. A liberdade, como os santos nos altares, era bonita de se ver, mas inerte ao toque.
Os senhores — agora ex-senhores — mostraram-se melancólicos. Alegaram prejuízos, saudades das "boas relações" com seus cativos, e passaram a vestir ares de vítimas. Alguns, mais práticos, converteram antigos escravos em serviçais por salário algum, chamando isso de transição. Outros apenas viraram o rosto, como quem se desobriga de um cão abandonado ao portão.
O Estado, por sua vez, considerou missão cumprida. E foi descansar.
No dia 14 de maio, portanto, nasceu no Brasil uma nova classe: a dos livres-sem-lugar. Cidadãos sem cidadania. Homens, mulheres e crianças com a dignidade estampada na Constituição e negada na calçada.
Seguimos livres no papel, presos na realidade. As correntes caíram, é verdade — mas com elas não caiu o silêncio, nem a desigualdade. Só mudou a forma da prisão.
“As experiências utilizadas no passado onde se era imposta à violência para se adquirir o controle não deram certo. Descobriu-se que é necessária uma autonomia, mesmo que ilusória, por parte do controlado, no sentido de permitir o controle sobre si. Foi com esse objetivo que nasceram as redes sociais. Então, nós, movidos a like's prestamos conta aos nossos controladores sobre o que vestimos o que comemos, para onde vamos é com quem nos relacionamos. Atualmente a servidão voluntária tem sido a forma mais inteligente de se escravizar."
Elo entre Era
O negro com alma de branco, fez-se em pranto
Perdido no seu mais belo desejo do viajar;
Intacto, fortuito... preso no seu próprio labirinto
O negro com alma de branco, provou do seu veneno ao ser chicoteado;
Endiabrado pelo momento, ofuscado pelo sentimento
O negro com alma de branco terás que lutar;
Sua liberdade a prova da ampulheta
O tempo marca o que se passou
O Negro com alma de branco
Traz novamente ao seu cotidiano
A dor de um escravo que se libertou;
O Estado (qualquer área pública) é composto por pessoas que querem decidir a vida de outras pessoas sem pagar o preço ou assumir o risco de serem responsabilizados pelos erros, resultados, mortes ou sofrimentos causados em benefício próprio.
É o próprio Senhor de Escravos conduzindo seus humanos.
Reflexão sobre a vida
Durante muitos anos, o povo do Egito viveu como escravo e construiu o império do faraó. Clamaram a Deus pela libertação dessa terrível escravidão. E, de tanto clamarem, Ele atendeu e libertou seu povo.
Após a libertação tão desejada, o que aconteceu? O povo voltou ao faraó, pedindo para ser escravo novamente e ter uma carteira assinada...
O que este povo aprendeu?
Nada!
Quando ele disse que "era melhor ser dono do silêncio do que escravo da palavra", mal sabia ele que o silêncio também escraviza, enquanto a palavra extravasa...
"A verdade liberta, mas nem todos querem ser livres. Boa parte de nós apenas clama por liberdade, enquanto sutilmente venera sua própria escravidão".
Navegaste os mares, óh Europa audaz,
Dizias buscar terras novas e paz,
Mas ao chegar, saqueaste sem temor,
Escravizaste povos, espalhaste dor.
Velas ao vento, nações a desbravar,
Não para unir, mas para dominar,
Desenhaste fronteiras com sangue e punhal,
Deixaste um rastro de luto, tão banal.
E ao assistir o destino Palestino,
Calada, foste cúmplice do desatino,
Criaste a ONU, teatro a encenar,
Mas de fantoche, só podes reinar.
Quem te deu o direito de julgar?
Se a história que trazes é de esmagar,
O tempo não apaga, o mundo vê,
Que a justiça que pregas, jamais será plena.
Óh Majestade Europa, agora teus súditos sabem que foram iludidos, e que vossa majestade é na realidade apenas um fantoche dos Estados UnIdos.
O proibido é um sentimento viciante, hedonista, egoísta, inconsequente, imoral, perverso e raramente terá volta. Uma vez que todo aquele que o prática naturalmente corromperá seu senso mental, moral, espiritual, se tornando uma presa e escrava de seus devaneios, anseios e saliências.
Só existe uma raça, humana...
Não deveria existir ninguém superior entre nós além do nosso Criador....
Não deveria haver orgulho, somos todos humanos!
Não deveria existir disputas nem comparação entre nós, daí surgiu as guerras, a indiferença tomou o lugar da humanidade e nos acondicionou a ver sangue até mesmo pela simples opinião!
Não deveria haver partidos, seja religioso ou político, eles nos dividiram, a sociedade está segregada em fundo de ESCRAVIDÃO disfarçada de democracia, vive aprisionado e com um medo sombrio
Tenho por certo, que a liberdade é uma escolha, que nem todos podem fazer, não porque não querem, mas porque aprenderam amar a ESCRAVIDÃO moderna voluntariamente!
..a humanidade carrega algemas no corpo, na mente e no coração!
A liberdade em tempos atuais só existe na mente!
É a ignorância dos povos que mantêm os grandes no poder, é também a ignorância dos povos,que os mantêm na escravidão!
É vera a mancha de Caim,
Que o Brasil traz na fronte,
A consciência aos poucos
Vem sendo temperada...;
E, a escuridão dissipada.
Ninguém pode suportar,
Condenação tão dura assim...;
O Brasil ainda esconde...
O olhar está se abrindo
- aos poucos,
A alma ainda chagada,
Agonizando está a terra amada.
O grito gemente por liberdade,
Geme em todas as alturas,
No solo estão os sinais das torturas...
A Pátria é como uma Mãe
Que não suporta ver os filhos
abandonados à sorte e infelizes.
Ela espera com esperança,
Que os homens educados,
- sejam abolicionistas
E, libertem todos aqueles
que neste solo têm pisado.
Aspira o fim da degradação
- naturalmente humana -
E assim cultivemos juntos
uma Mátria de pessoas felizes.
A dor pungente na pele do escravo,
Perpassa os séculos e todas as cores,
Sangra o Brasil de partos e dores...
Até a utopia passa a ser tortura,
O nosso povo não sabe mais sonhar.
O gosto do cálice grudou na boca,
- a Repressão deixou tatuada,
Sou a filha desterrada,
- sou negra, sou branca, sou indígena
A herança é oriental,
- sou afrodescendente
Brasileira - sou caboclinha,
Em minha pele carrego um 'cado' de tudo,
- tenho a cor de todas as cores
Perante toda a América e todo o mundo,
Acredito que seremos um país de homens
e mulheres livres quando acordarmos do
falso sonho de independência e nos
tornarmos abolicionistas das
penas que nos foram [infligidas por
todos que tiveram poder sobre as nossas [vidas.
No universo da resistência Negra, talvez não haja crueldade maior do que ter que Resistir sem ao menos poder Existir.
A história é um diário com as crônicas de homens que foram considerados grandes, por não serem mortos antes de se tornarem conhecidos.
Só admira a vingança quem nunca entendeu o prazer que José sentiu ao perdoar e ajudar os irmãos que o venderam como escravo.
