Escravidão

Cerca de 869 frases e pensamentos: Escravidão

⁠Mente livre, ventre livre

Não era liberdade completa, é certo
a lei mantém a condição de objeto.
A liberdade não veio das mãos de quem
escravizou. Nem escravo, nem livre foi
o que o negro se tornou. Mas a liberdade
caçou seu jeito de acontecer. Quando o
ingênuo viu que a verdadeira alforriaera oacesso ao saber.

Inserida por Epifaniasurbanas

O dia 14 de maio

Acordei, no dia 14 de maio, esperançoso de auroras resplandecentes. Liberto, sim, mas ainda preso. Meu nome, outrora oculto nas sombras da escravidão, ansiava por um reconhecimento que jamais parecia chegar. Caminhei pelas ruas, indiferentes à minha nova condição de homem livre. A liberdade, dizem, é a mais preciosa das conquistas; todavia, ela se apresentava como uma dama esquiva, vestida de promessas que não se cumpriam.

Eu, que trazia a senzala na alma, vi-me entre o cortiço e a favela. Estes novos lares eram apenas novas formas de cativeiro, onde as correntes invisíveis da miséria continuavam a me atar à dura realidade. Subi as encostas na esperança de um dia descer, mas a promessa de descida era tão ilusória quanto a liberdade conquistada na véspera. Sem nome, sem identidade, sem retrato, eu era um espectro vivo; do lema da bandeira, conheci apenas as vielas do progresso.

No dia 14 de maio, ninguém me deu bola. Tornei-me mestre na arte da sobrevivência, fazendo do trabalho árduo meu sustento em um campo onde o futuro se mostrava tão incerto quanto o destino dos muitos que, como eu, foram libertos na letra, mas não na vida. A escola, um sonho distante, fechava suas portas, negando-me a instrução necessária para ascender aos degraus da dignidade.

Minha alma, contudo, resistia. Meu corpo, acostumado à luta, sabia que o bom, o justo, também deveriam ser meus. A certeza de minha própria existência, de minha identidade, tornou-se a âncora que me impedia de sucumbir às tempestades da indiferença. Mudanças só nos anos; sinto que ainda vivo no dia seguinte à abolição.

Inserida por Epifaniasurbanas

⁠14 de Maio

No 14 de maio de 1888, o Brasil amanheceu livre. Ou ao menos, livre o suficiente para se parabenizar diante do espelho.

A escravidão fora abolida na véspera, por um gesto régio, breve e elegante, como convinha à pena de uma princesa. A tinta mal havia secado, e já se cochichavam loas nos salões. O Império, enfim, provara sua humanidade — ainda que com duzentos e tantos anos de atraso. Diziam-se modernos. Civilizados. Cristãos.

Mas, nas ruas, não houve fanfarra. Nem pão. Nem terra. Nem nome.

Os que saíram das senzalas na véspera encontraram, no dia seguinte, o mesmo chão duro, as mesmas mãos vazias, e o mesmo olhar de soslaio da cidade que os libertara com uma assinatura, mas não com dignidade.

Alguns acreditavam que o trabalho viria como recompensa. Outros, que a caridade cristã desceria dos púlpitos e dos palácios como chuva mansa. Mas a chuva não veio. Nem a caridade. Nem o trabalho. A liberdade, como os santos nos altares, era bonita de se ver, mas inerte ao toque.

Os senhores — agora ex-senhores — mostraram-se melancólicos. Alegaram prejuízos, saudades das "boas relações" com seus cativos, e passaram a vestir ares de vítimas. Alguns, mais práticos, converteram antigos escravos em serviçais por salário algum, chamando isso de transição. Outros apenas viraram o rosto, como quem se desobriga de um cão abandonado ao portão.

O Estado, por sua vez, considerou missão cumprida. E foi descansar.

No dia 14 de maio, portanto, nasceu no Brasil uma nova classe: a dos livres-sem-lugar. Cidadãos sem cidadania. Homens, mulheres e crianças com a dignidade estampada na Constituição e negada na calçada.

Seguimos livres no papel, presos na realidade. As correntes caíram, é verdade — mas com elas não caiu o silêncio, nem a desigualdade. Só mudou a forma da prisão.

Inserida por Epifaniasurbanas

“As experiências utilizadas no passado onde se era imposta à violência para se adquirir o controle não deram certo. Descobriu-se que é necessária uma autonomia, mesmo que ilusória, por parte do controlado, no sentido de permitir o controle sobre si. Foi com esse objetivo que nasceram as redes sociais. Então, nós, movidos a like's prestamos conta aos nossos controladores sobre o que vestimos o que comemos, para onde vamos é com quem nos relacionamos. Atualmente a servidão voluntária tem sido a forma mais inteligente de se escravizar."

Inserida por Epifaniasurbanas

⁠Elo entre Era

O negro com alma de branco, fez-se em pranto
Perdido no seu mais belo desejo do viajar;

Intacto, fortuito... preso no seu próprio labirinto
O negro com alma de branco, provou do seu veneno ao ser chicoteado;

Endiabrado pelo momento, ofuscado pelo sentimento
O negro com alma de branco terás que lutar;

Sua liberdade a prova da ampulheta
O tempo marca o que se passou
O Negro com alma de branco
Traz novamente ao seu cotidiano
A dor de um escravo que se libertou;

Inserida por Aquila

⁠A história é um diário com as crônicas de homens que foram considerados grandes, por não serem mortos antes de se tornarem conhecidos.

Inserida por LeonardoBrelaz

⁠Só admira a vingança quem nunca entendeu o prazer que José sentiu ao perdoar e ajudar os irmãos que o venderam como escravo.

Inserida por LeonardoBrelaz

⁠No universo da resistência Negra, talvez não haja crueldade maior do que ter que Resistir sem ao menos poder Existir.

Inserida por ateodoro72

É vera a mancha de Caim,

Que o Brasil traz na fronte,

A consciência aos poucos

Vem sendo temperada...;

E, a escuridão dissipada.

Ninguém pode suportar,

Condenação tão dura assim...;

O Brasil ainda esconde...

O olhar está se abrindo

- aos poucos,

A alma ainda chagada,

Agonizando está a terra amada.



O grito gemente por liberdade,

Geme em todas as alturas,

No solo estão os sinais das torturas...



A Pátria é como uma Mãe

Que não suporta ver os filhos

abandonados à sorte e infelizes.

Ela espera com esperança,

Que os homens educados,

- sejam abolicionistas

E, libertem todos aqueles

que neste solo têm pisado.

Aspira o fim da degradação

- naturalmente humana -

E assim cultivemos juntos

uma Mátria de pessoas felizes.





A dor pungente na pele do escravo,

Perpassa os séculos e todas as cores,

Sangra o Brasil de partos e dores...



Até a utopia passa a ser tortura,

O nosso povo não sabe mais sonhar.

O gosto do cálice grudou na boca,

- a Repressão deixou tatuada,

Sou a filha desterrada,

- sou negra, sou branca, sou indígena

A herança é oriental,

- sou afrodescendente

Brasileira - sou caboclinha,

Em minha pele carrego um 'cado' de tudo,

- tenho a cor de todas as cores

Perante toda a América e todo o mundo,

Acredito que seremos um país de homens

e mulheres livres quando acordarmos do

falso sonho de independência e nos

tornarmos abolicionistas das

penas que nos foram [infligidas por

todos que tiveram poder sobre as nossas [vidas.

Inserida por anna_flavia_schmitt