Esconder
Ensaio
Quantos naufrágios há de esconder este teu olhar oceânico?
Quantos corações terá tragado para teu íntimo profundo?
Quantos mistérios hão de repousar na calmaria de tuas águas?
E quanto sofrimento desaguou o teu peito por este mundo?
Ah, Poeta!
O que será de mim,
consumida por este mar,
n'uma ressaca tremenda de Amor,
que inconscientemente tragou
para dentro de si meu Coração,
e o arrebatou contra as rochas da Vida?
O que será de meus restos naufragados?
O que há de voltar p'ra mim - além da Solidão?
E o que há levar para si - além de meu Amor quebrado?
Diga-me, Poeta!
- O que há de tão profundo e devastador em teu olhar?
A arrogância tenta gritar alto para esconder o vazio, mas a humildade sussurra verdades que ecoam para sempre.
Há pessoas que usam uma capa de santidade apenas para esconder a podridão da alma; quem tem visão real enxerga além da fachada e escolhe caminhar com os puros de coração.
Rotular quem tem esquizofrenia como perigoso é a desculpa dos ignorantes para esconder a própria falta de amor; desperte e pare de julgar.
"Quem vive alardeando o pouco que faz costuma usar essa narrativa para esconder o muito que prejudica."
O tempo da recuperação ensina aquilo que a pressa da vida costuma esconder: cada conquista possui seu próprio ritmo.
Melhor o silêncio a jogar palavras de ofensas e mentiras. Quem faz isso é capaz de esconder a verdade com falsos argumentos.
Esconder-se atrás de falsos conceitos de progresso para promover a degradação e a depravação extrema é uma afronta direta aos princípios da verdadeira liberdade.
Dizem que o tempo cura, mas ele também serve para esconder aquilo que nos recusamos a perder. Eu aceitei a nossa distância, mas nunca aceitei o nosso adeus. Caminhei por lugares onde você não estava e vivi em silêncio, mas você continua presente em cada esquina da minha memória.A minha vida se tornou cheia de dúvidas e incertezas. Guardei o seu nome em um lugar protegido, onde a rotina não consegue apagar. O meu amor por você não precisa da sua presença física para existir, mas ele precisa de um sinal para não se sentir completamente sozinho.A verdade é que:Meus passos mudaram de direção, mas o meu olhar ainda busca o horizonte por onde você foi embora.A minha esperança é teimosa e continua viva se alimentando das nossas lembranças antigas.Viver sem você foi a escolha que a vida fez, mas amar você foi a promessa que a minha alma nunca quebrou.Se o destino for justo, ele vai entender que caminhos diferentes podem se cruzar novamente no futuro. Se um dia você me perguntar, a minha resposta será a mesma de sempre: eu nunca, nem por um segundo, esqueci você.
Quem julgou o seu esforço com inveja vai se esconder de vergonha quando perceber que a sua vitória foi tão colossal que mudou o jogo de vez.
**Entre Dois Amigos**
Augusto olhava a noite pela janela com uma inquietação difícil de esconder. Havia em seu silêncio uma espécie de fadiga antiga, como se carregasse pensamentos que já haviam amadurecido demais dentro dele. Depois de alguns instantes, falou em voz baixa:
— Há uma coisa que me inquieta profundamente: a sensação de que nascemos para uma única forma de existência e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava lentamente o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
Augusto manteve os olhos voltados para a rua vazia.
— Falo daquilo que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Havia nele certa reverência, como se ambos reconhecessem que algumas reflexões exigem espaço antes de serem tocadas novamente.
Augusto prosseguiu:
— Talvez o grande problema seja esse desvio constante. Nascemos artistas, não apenas no sentido do ofício, mas na maneira de perceber o mundo. E, no entanto, passamos a vida tentando nos adaptar a papéis: marido, cidadão exemplar, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos com atenção.
— E você acredita que isso seja um erro?
— Não exatamente um erro. Talvez uma incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a própria essência.
Miguel recostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive completamente fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço por isso.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu discretamente.
— Isso soa mais como orgulho do que filosofia.
Augusto negou com serenidade.
— Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. Trata-se apenas de reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos nos encaixar à força, alguma coisa em nós acaba se rompendo.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso breve, quase cansado.
— Tentei. Com disciplina, inclusive. Acreditei que bastava insistir, repetir hábitos, cumprir funções… como um ator aprendendo um papel.
— E o que aconteceu?
— Percebi que a vida, quando não é verdadeira, transforma-se num teatro sem plateia.
Miguel permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez todos estejam representando. Alguns apenas têm mais consciência disso do que outros.
— A diferença — disse Augusto — é que certos homens sabem que jamais poderão sair do palco.
— E você se considera um deles?
Augusto desviou o olhar para a rua escura.
— Sei que não consigo viver longe daquilo que me constitui. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas exige tudo em troca.
Miguel assentiu lentamente, absorvendo aquelas palavras.
— E não existe conciliação possível?
— Existem tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, agora mais denso e mais humano.
Depois de algum tempo, Miguel falou novamente:
— É curioso… o mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que existe algo essencial que nos define.
Augusto voltou-se para ele com calma.
— Não insisto. Apenas reconheço.
— E quem não reconhece isso?
— Talvez viva melhor.
— E você prefere o quê?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo sobre a mesa.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo antes de concluir:
— Nesse caso… talvez não sejamos artistas.
Augusto olhou para ele com uma serenidade quase melancólica.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez naquela conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
Não há como esconder desejos sexuais acesos do marido pelo corpo monumental da esposa, uma vez que ela provoca nele direto e indiretamente, expondo suas formas incendiárias de ser mulher.
Aprenda a ler os olhos de uma mulher; eles dizem tudo o que as palavras tentam esconder, da alegria mais radiante ao pedido de ajuda mais desesperado.
Quem usa o altar como escudo costuma esconder atrás do texto sagrado o caráter que a doutrina não conseguiu consertar.
Você pode tentar correr, se esquivar, se esconder e interpretar. Fazer seu jogo, sua dança e seu alvoroço.
Você pode subir em árvores, montanhas e voar com as aves. Gosta de brincar com fogo, com o desespero o sorriso de bobo, mas no fundo,
sinto teu choro.
Você faz de propósito, sem dó ou remorso. Implica, mas nega. Quer apostar corrida, brincar de pega-pega.
Quer acelerar a vida, tomar na rédea e fingir que não quer te controle, mas nesse jogo, meu amor.
Não há perdedores, apenas predadores.
Numa noite chuvosa, até a lua parece se esconder, mas teu sorriso encontra um jeito de amanhecer. Se a chuva canta baixinho na janela, é porque a noite ficou mais bonita ao lembrar de você.
