Alice_Souza

Encontrados 3 pensamentos de Alice_Souza

Calabouço


Pouco importa o esforço
Se de todas as formas
Sou engolido
Martigado por meus medos...
Se tudo que fito
São miragens
De conflitos,
Das minhas indagações.
E quantas vezes morro
Renasço,
Me perco
Nos mesmos embaraços,
Os becos escuros
Deste coração?
E quantas vezes fugi
Numa loucura infame,
De achar
Que não seria alcançado,
E que em meu peito
Não seria infligida
Tão momentânea segurança?
Sou forçado a me levantar,
Suportar o peso da culpa,
Os fardos da derrota,
Forçado a alimentar minhas dúvidas,
Duvidar das respostas,
Viver minhas inquietações...

"Seu Olhar Me incomoda"


Seu olhar me incomoda...
não pelo peso, nem pela dureza,
mas porque ele permanece
mesmo quando você não está.


Seu olhar me incomoda...
como uma música que não se cala,
fica girando na memória
sem pedir licença para ficar.


Seu olhar me incomoda...
porque tem um brilho raro,
daqueles que não se aprende,
daqueles que simplesmente acontecem.


Não é luz de vitrine,
nem reflexo de ocasião,
é brilho de coisa viva,
de quem sente o mundo no coração.


Seu olhar me incomoda...
porque hipnotiza sem esforço,
como maré que puxa devagar
quem pensava estar seguro na areia.


E eu fico lembrando
da forma como ele repousa nas coisas,
como observa o mundo
como se cada detalhe fosse importante.


Seu olhar me incomoda...
porque mesmo quando tento esquecê-lo
ele reaparece quieto
no fundo dos meus pensamentos.


Talvez seja isso:
há olhos que apenas veem,
mas os teus…
os teus parecem iluminar
o lugar onde pousam.


E esse brilho raro,
esse pequeno milagre que mora nos teus olhos,
é justamente o que me impede
de parar de lembrar de você.

Ensaio


Quantos naufrágios há de esconder este teu olhar oceânico?
Quantos corações terá tragado para teu íntimo profundo?
Quantos mistérios hão de repousar na calmaria de tuas águas?
E quanto sofrimento desaguou o teu peito por este mundo?


Ah, Poeta!


O que será de mim,
consumida por este mar,
n'uma ressaca tremenda de Amor,
que inconscientemente tragou
para dentro de si meu Coração,
e o arrebatou contra as rochas da Vida?


O que será de meus restos naufragados?
O que há de voltar p'ra mim - além da Solidão?
E o que há levar para si - além de meu Amor quebrado?


Diga-me, Poeta!


- O que há de tão profundo e devastador em teu olhar?