Escola Poema de Rubem Alves
Um sonho
Eu tive um sonho de me elouquecer,
Nele, eu abraçava o teu corpo dourado,
Pensava loucuras e sentia prazer,
Pois nele eu tocava os teus lábios molhados.
Me deleitava e nem respirava,
Ao ver todo o seu corpo lindo,
Nas tuas curvas eu delirava,
Me perdia no teu cheiro doce de absinto.
Só queria amar e ser amado
Sentindo todo o teu ser,
Pena eu ter acordado,
Não pude saciar toda a sede do meu prazer.
Agora fico à ouvir,
As batidas aceleradas do meu coração,
Não posso mais te sentir,
E nem tampouco expulsar essa louca paixão.
Que vontade de sonhar novamente,
Sentir a maciez da tua pele clara,
Viver tudo intensamente,
Menina, tua beleza é rara.
Teus beijos são como o puro mel,
Teus abraços como fogueira em noite fria,
Teus carinhos é viajar no céu,
Tua ausência me causa agonia.
Agora fico somente no ensejo,
De mais uma última oportunidade,
Mataria todo o meu desejo,
Até não acordar de verdade.
Lourival Alves
Jamais
Jamais pude resistir,
Ao teu encanto místico de sereia
Por isso tenho que insistir,
Em você circulando em minhas veias.
Interagir com toda a tua alma,
No silêncio frio dessa madrugada,
Decidir com tamanha calma,
Sem o medo de ser abandonada.
Meu coração flutua,
Na imensidão da vida,
A tua linda religião ele cultua,
Bálsamo que cura as minhas feridas,
Bálsamo chamado amor,
Remédio necessário em toda a sua essência,
Cura os malefícios de uma dor,
Dor causada por minha frágil inocência.
Inocência, displicência e carência,
Ingenuidade,lealdade e necessidade,
Ilusão e vãs aparências,
Não pode podar a liberdade.
Liberdade de poder escolher,
O melhor para o meu coração,
Sem o medo de se perder,
Nesse grande fogo da paixão.
Fogo que me consome por inteiro,
Que me aquece nas manhãs frias,
Fogo sedutor e parceiro,
Calor que contagia e anestesia.
Lourival Alves
Sombras
Chorar e sofrer,
Lutar e seguir,
O cansaço jamais irá me vencer,
Ir subindo e jamais desistir.
O ontem eu era,
No hoje só apenas um vazio,
Sei que a dor é uma fera,
Fera,como um animal no cio.
Vivi uma louca vida,
Viajei viagens alucinantes,
Me machuquei mas também deixei ferida,
Sou novamente, um velho errante.
Ontem havia amor,
Hoje,só sombras e saudades,
E a essência daquela flor,
Era falsa,não era de verdade.
As lágrimas escorrem,
Os sorrisos se escondem,
Nas intuições se descobrem,
Tudo aquilo que não se tem.
Esquecer é necessário,
Rumo ao grande objetivo,
O velho amor é um adversário,
Que partiu e não me deixou motivo.
Tudo tem um começo,
Tudo também tem seu fim,
É um ciclo que às vezes esqueço,
E porque tudo tem que ser assim?
Lourival Alves
Nas madrugadas frias, nos dias de inverno , como um morto vivo, vaguei. Vaguei por caminhos solitários, ladeado de vozes, de sorrisos , de sons, de sussurros vazios, buscando em meio ao alarido, um único som. O som que meus ouvidos é ardentemente a minha alma almejava ouvir. A sua voz.
Vaguei, e em todos os lados, procurei. Cansado de vagar, procurei descanso em meio às rochas, num vale de terra seca e sem cor. Abatido, ferido, com a alma dilacerada, ali descansei .
Um breve sono se apoderou, e me entreguei ao cansaço.
Cansaço, dor, frio! Acordei e em meio ao esgotamento, ouço o som, que me vez vagar pela vida.
Sua voz.
O tempo
Abraça-me agora,
Porque faz frio lá fora,
Jamais deixe passar a hora,
Senão, o amor vai embora.
Enigmas embebidos em labirintos,
Fogueiras escaldantes e geleiras,
As vezes felizes,outras, aflitos,
Árduas subidas e ladeiras.
O tempo e o vento,
Companheiros inseparáveis e julgadores,
Sentimentos regados de sofrimentos,
Amores,flores e dores
Sombras e lamentos.
Tristezas e esperanças,
Mergulhos na linha do tempo,
Vejos os sonhos daquela criança.
Criança que ainda acreditava,
Que corria e gritava,
Criança que sorria e chorava,
Criança que simplesmente amava.
Lourival Alves
Era uma vez!
Era um tempo de alegria, um tempo de sonhos, um tempo de tempo de atitudes impensadas .
Há esse tempo ! Não havia medo, não havia dor, não havia enganos, não havia mentiras .
O tempo da inocência, o tempo da transparência, o tempo da intrepidez da juventude.
Era uma vez! Era uma vez, um tempo em que a inocência foi arrancada do ninho. Era uma vez, que a maldade a tentou matar. Era uma vez, que o ódio, arrancou o amor do ninho.
Era uma vez!
Que a transparência foi maculada com as mentiras e amarrada com o engano. Era uma vez! Era uma vez que a inveja, destruiu a felicidade.
Era uma vez! Era uma vez, a mentira se vestiu de verdade e destruiu os sonhos. Era uma vez! Era uma vez que a mentira se despiu e a verdade libertou os sonhos, a alegria, a inocência, a transparência, a felicidade e o amor.
Há o amor! O amor construiu o ninho. O amor venceu! Venceu o ódio, a inveja, a mentira, o engano. O Amor venceu a maldade!
Você me inspira todos os dias.
Que a cada dia, o que temos cultivado, cresça e amadureça.
Que Deus nos dê sabedoria e paciência para esperarmos o momento certo de sermos um só.
Que seja real, cheio de amor, paixão e compreensão.
Às vezes acho que você não é real...
Que te criei na minha mente e você apareceu para mim.
Já te desejo há tanto tempo, que nem sei quando te projetei.
Nem pensei que existisse.
Mas você apareceu no momento que eu mais precisava ouvir uma palavra de carinho e conforto.
E aos poucos, eu passei da admiração a paixão.
É, estou apaixonada.
E você tem culpa nisso tudo.
Adeus, adeus, adeus! E, suspirando,
Saí deixando morta a minha amada,
Vinha o luar iluminando a estrada
E eu vinha pela estrada soluçando.
Perto, um ribeiro claro murmurando
Muito baixinho como quem chorava,
Parecia o ribeiro estar chorando
As lágrimas que eu triste gotejava.
Súbito ecoou do sino o som profundo!
Adeus! — eu disse. Para mim no mundo
Tudo acabou-se, apenas restam mágoas.
Mas no mistério astral da noite bela
Pareceu-me inda ouvir o nome dela
No marulhar monótono das águas!
A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas.
Talvez sempre tenham sido e sempre serão.
Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos.
E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos.
Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá
Tomado pela irracionalidade está aquele dominado pelo orgulho, vaidade, cobiça, inveja e ciúmes.
Não existe razão em alguém tomado por tais sentimentos.
Amor
Prometo viver para te amar,
E flutuar nas asas do tempo,
Deitar,dormir e simplesmente sonhar,
Blindando esse lindo sentimento.
Sentimento de muita paz,
Sentimento doce de uma flor,
Sentimento que não se esquece, jamais,
Sentimento mágico do amor.
Amor que nunca se envaidece,
Que mora nos corações verdadeiros,
Amor que ao fraco,engrandece,
Transformando-o,em um grande guerreiro.
A vida só valeria a pena,
Quando na mesma se tem amor,
Quando a alma deixa de ser pequena,
E essa mesma se enche de cor.
Cor escarlate do amor,
Viva como brasa acesa,
Mais linda que uma flor,
Adornada como uma princesa.
Tudo passa a ter mais sabor.
Com esse novo sentimento,
Pois a vida sem o amor,
É apenas um duro sofrimento.
Lourival Alves
Reaprendendo
É preciso esquecer hábitos antigos,
Reaprendendo uma antiga lição,
Retirar de perto os inimigos,
Que tanto mal,faz ao coração.
Amigos quando estão pertos,
Inimigos,quando ficam distantes,
Como serpentes do deserto,
É essa falsidade no semblante.
Prefiro seguir só,
Do que está mal acompanhado,
Seguir desatando os meus nós,
E jamais ser enganado.
Posso pagar com muita dor,
Minhas escolhas, minhas consequências,
O ódio é o contrário do amor,
E o amor tem que fazer parte da essência.
Essência que cura,
Que salva e liberta,
Pois a vida é muito dura,
E está de portas abertas.
Aproveite essa hora,
Pois ela, é o seu melhor presente,
O amanhã se faz no agora,
Tenha sempre isso em mente.
Lourival Alves
Descobrir
Vivemos em um mundo louco,
Metanoia, tramoia e paranoia,
Do tudo,temos apenas um pouco,
Não distinguimos, o valor de uma jóia.
Turbilhão recheado de loucuras,
Profundos oceanos de devaneios,
Caminhos de infinitas procuras,
Marcados nos livros que leio.
Livros enigmáticos de ficções,
Livros do útil conhecimento,
Livros loucos das paixões,
Livros de implacáveis sentimentos.
Sentimentos de paz e harmonia,
Onde tudo, está em equilíbrio,
E essa força da magia,
Nos arrebata e nos dá o alívio.
Mundo intocável de uma mente,
Mundo límpido de criança,
Mundo da lembrança que se sente,
Mundo que ainda há esperança.
Mundo vivido no passado,
Mundo que será vivido no futuro,
Se não fizeres o errado,
Certamente, não baterás com a cara no muro.
Mundo de visões
De sonhos realizados,
Enigma das civilizações,
De um mistério revelado.
Lourival Alves
Mulher
Mulher,sentido da vida,
Que desperta a velha saudade,
A que cura velhas feridas.
Mulher,verdadeiro caminho,
Sentido reto, sempre,
Capaz de retirar todos os espinhos,
Capaz de carregar vida no ventre.
Espinhos de uma carne ferida,
Onde a dor é imensa,
Mulher,das subidas e descidas,
Mulher, de virtude intensa.
Mulher, que um homem cativa,
Com seu jeitinho gracioso,
Malícia de menina ativa,
O teu beijo é precioso.
Mulher, criatura bela e rara,
Frágil, meiga ou guerreira,
De pele escura ou de pele clara.
Travessa ou séria como uma freira.
Mulher que tanto ama,
Mulher que muito grita,
Atitudes rebeldes e insanas,
O meu simples âmago irrita.
Irrita,pelo mundo não reconhecer,
O valor dessa nobre criatura,
O seu jeito meigo de ser,
Enche o mundo fútil, de ternura.
Lourival Alves
O amor de Deus não é passivo.
É incondicional e luta através de qualquer luta, apesar de qualquer circunstância, apesar de ser ou não recíproco.
É gentil e no entanto, a força mais poderosa.
É uma força que altera a vida, acalma a mais selvagem das tempestades, mudando a mais escura das noites em plena luz do dia.
Sim, ele te encontra como és. Mas é demasiado poderoso, demasiado puro, e demasiado bom para te deixar do mesmo jeito. Querer a sua aceitação sem o seu poder é enfraquece-la e reduzi-la em algo que talvez seja mais confortável. Algo para nos fazer "sentir melhor", mas no final de tudo, permanecer na mesma.
Algo domesticado e passivo. Mas a passividade não teria suportado a cruz. Não teria deixado tudo para trás pra encontrar o perdido.
Não podes ter amor incondicional sem o seu poder transformador. São inseparáveis.
Onecina Alves
Filho do deserto
Eu sou o árabe, filho do deserto,
Já comi poeira nessa árdua caminhada,
Estive longe e hoje estou perto,
Gratidão,ao lembrar da fria madrugada.
Durante o dia,sob um sol escaldante,
E as noites, eram longas e geladas,
Com um sofrimento frio e degradante,
Estava eu e minha consciência de mãos dadas.
Vivia em constante preocupação,
Com as insistências do vil inimigo,
Eu,embrenhado naquela solidão,
Procurando ajuda ou apenas um abrigo.
No deserto impera a lei do forte,
Onde bestas feras vivem à torturar,
A vida,briga com a morte,
E os pesadelos, conflitam com o sonhar.
No deserto há muito medo,
Há também a sonhada alegria,
Um grande e eterno segredo,
Envolto numa eterna magia.
No deserto também se purifica,
Há encontros e desencontros,
Onde a alma se sacrifica,
Em um duro e demorado confronto.
Deserto do aprimoramento,
Deserto dos bravos e dos fortes,
Onde há dor e também o sofrimento,
Tem nascimento e também morte.
Lourival Alves
APELOS
Queixume
O Sol que declina
Por traz da colina
Qual perola fina
Mudando de cor.
Seus raios que tingem
Os lábios da virgem
Sentindo vertigem
Falando de amor.
Seus raios ondulantes
Etéreo, constante
Deixando corante
De rastro no céu.
Enquanto se ver
No entardecer
Sentindo prazer
Rasgando este véu
À noite caindo
Estrelas surgindo
O céu colorindo
A água do mar.
A vaga alisando
Suave beijando
Em tudo deixando
Vontade de amar.
A cada queixume
Exala perfume
Causando ciúme
Suspiros de amores;
Enquanto se esquiva
Se sente cativa
Sem jeito se priva
Em gritos de dores.
E nesse momento
O meu pensamento
Vagueia no vento
Do meu coração.
Procura obter
Em tudo que ver,
E parte sem ter
Uma explicação.
Sem canto sem lira
A lua se mira
E ver quem suspira
Num banco de praça.
Quem busca obter
Em tudo prazer
Um dia se ver
Sorrindo sem graça.
APELOS
Impotência
A cada gracejo
Estalo de um beijo
Matando o desejo
De quem nada fala.
O tempo escurece
O dia fenece
A noite se esquece
A lua se cala.
Em cada recanto
Sorvendo seu pranto
Sem lira, sem canto.
Procura esquecer,
A lua calada
Sem brilho, parada.
Parece chocada
Com tanto sofrer.
Além sobre a baia
Na beira da praia
Espera que saia
O sol outra vês.
Curtir novas dores
Falar dos amores
Antigos favores
Dos risos, talvez.
A rua germina
E nessa oficina
Saber quem domina
Assim tua mente.
Sorrindo te chama
te leva pra cama
Quem diz que te ama
Te torna impotente.
E nessa floresta
Ouve-se a festa
Saindo da fresta
Um beijo ofuscado,
Em pleno alarido
Se ouve o gemido
De alguém escondido
Sofrendo calado.
APELOS
Lamento
Além no infinito
Sufocas teu grito
Caminhas aflito
Em densa montanha.
A cada esbarro
Te prendes no sarro
Enquanto um escarro
Enfim te acompanha.
A noite é assim
Um eco sem fim
Alguém que diz sim
Depois se esquece.
O cantinho escuro
Sem jeito, inseguro.
Um beijo obscuro
Alguém que padece
A vida se aplica
Na voz que replica
E se multiplica
Em outros prazeres.
A noite esfria
O tempo vigia
A vida de orgia
Aumenta os seres.
A cada momento
Um vago lamento
Perdido ao vento
Fumaça se esvai.
Sem queixas, sem luta.
Na dor que oculta
Nessa força bruta
Um corpo que cai.
