Errar Tentando
Aos poucos vou me reconstituindo, tentando colar os pedaços de mim que a vida esfarelou, mas sei, com uma dor que queima por dentro, que nunca serei inteiro. Sempre restarão fendas abertas, buracos que sangram lembranças e ausências que me rasgam por dentro.
O medo é o hóspede temporário que bate à porta, sempre tentando ocupar um espaço que não lhe pertence por direito, a coragem é o motor a combustão que você aciona, a única força capaz de lançá-lo para além do horizonte ilusório do terror.
Não sou um objeto quebrado, sou uma obra em reforma perpétua, tentando alinhar as peças enquanto o chão ainda treme.
O medo de desistir é, ironicamente, o que me mantém tentando. Um paradoxo doloroso que me empurra para frente.
Não me peça para sorrir para a foto quando minha alma está ocupada demais tentando não desmoronar sob o peso de um céu que hoje resolveu pesar toneladas. A melancolia é o meu estado de repouso, o único lugar onde não preciso fingir que a vida é um comercial de margarina.
Já chorei tentando entender os porquês da vida, até descobrir que a paz mora em confiar nos pra quês de Deus.
Perdemos a vida tentando mapear o oceano da nossa alma para quem só possui a capacidade de navegação em águas rasas.
Eu estava preso em um labirinto de números e razões, tentando desvendar a dor como um enigma matemático, mas a verdade é que o amor não se resolve, ele se vive. Agora, paro de correr em círculos e aceito o passado, a maior superação é reconhecer que a felicidade não está na lógica, mas na ousadia de amar novamente.
Se eu deixar de procurar nem sempre será por que não estou interessada. Posso estar tentando descobrir qual a intensidade do seu interesse.
O mundo de ponta a cabeça e eu aqui deitado tentando montar peça por peça de uma história maluca... que nem lembro se vivi, se inventei ou se sonhei!
PASSAGEM
Estou tentando alguma coisa. Nos lentos passos do quarto á sala, um breve presságio. Som de riso na rua é como badalo de sino, me pedindo pressa. A fenda emperrada da janela, esquecida, vigia minha intensa vontade de que no canto de algum cômodo, morra essa urgência. Que se acumula. E se funde ao pó empreguinado e mal varrido. Lá fora, o frio. No tempo e em mim. Tenho medo desse silêncio; dessa umidez excessiva da vida nos meus olhos. Da fé sendo amputada. Do que assim, venho me tornando. Chega o tempo, em que muitas coisas ao redor, vão se indo. Alcançando outros destinos. E me sinto uma passagem desistida na gaveta. Amarelando sonho.
Vivemos tentando ser felizes, pacientes, solidários, melhores, atentos, justos, amigos, humildes, amados. Tentamos, e se não conseguimos... tentamos novamente, persistindo até nossos limites. Também tentamos não sofrer, decepcionar, agredir, insultar, ofender, magoar, odiar. E no final, vemos que depois de vivermos tentando, morreremos de tanto tentar.
Estou cansada de querer ser perfeita da forma errada, sempre tentando colocar um sorriso inexististe no rosto.
Pessoas erram, pessoas mentem, pessoas se machucam tentando não machucar outras, mesmo assim continuam sendo pessoas. E merecem o seu respeito.
Olha, eu estou realmente tentando, e você sabe que sim. É incrivelmente mais forte do que esse orgulho que grita dentro de mim, mas você poderia dizer alguma coisa que me fizesse ficar, alguma coisa que eu pudesse me agarrar e não me soltar nunca, como uma forma de um fio de esperança. Talvez eu devesse sentar e conversar, falar o que eu preciso dizer - embora você já saiba -, mas talvez seja isso que esteja faltando. Mas eu preciso de algo doce, calmo e que me faça querer continuar tentando, e só.
Decidi me afastar, agora estou tentando tirar da cabeça. É como dizem: "O que o tempo não apaga, a gente finge que esquece." Eu sei o que você deve está pensando que eu sou idiota! Mais acredite, tem gente que me supera.
Eu tenho um jeito todo errado de demonstrar o que eu sinto.
Observando o mundo lá fora, vi que é melhor viver dentro de casa.
Sou normal de um jeito diferente. Sou normal com um pouco de anormalidade. Porque ser completamente normal, é chato.
