Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura
Quem dera a loucura e a insensatez viesse arrebatar o medo, é assim como quem não quer nada, mas simplesmente querendo tudo, provocasse a alma e como num delírio roubasse a calma. Assim veria em teus olhos a doce súplica do querer e teria certeza então de tua dor por meu amor, poderia provar de tua angústia e me deleitar no prazer do teu ser. Seria a tempestade a tanto esperada, nos tomaria em total desequilíbrio, derrubaria as barreiras e seria semelhante ao caos, nada iria escapar do turbilhão de sentimentos e ressentimentos que viriam à tona. Quando o chão viesse novamente a nossos pés e a mente recobrasse os sentidos, a mansidão traria o silêncio a embalar nossa culpa, é assim com profundas cicatrizes, voltaríamos ao esquecimento.
Só entendemos a loucura quando nos tornamos os protagonistas de uma paixão, vivemos um delírio e a alma busca abrigo e aconchego. Fica difícil impor limites, já não sou eu, somos nós e estamos em tão sublime sintonia que não depende só do meu querer, juntos e sem controle nos perdemos. A busca incansável pela sensação do toque que se dá por inteiro e sem reservas, fica o sussurro das palavras insanas no auge do prazer....., lentamente e no mesmo ritmo voltamos a realidade e já não está tão perto, fica apenas o respirar ofegante tentando se encontrar.
Para suportar tanta realidade ! É preciso um pouco de loucura e intensidade. Com o tempo a dúvida desaparece.
Bom dia 12/03/2017(Domingo)
Existem dias em que há necessidade que permitamos que a loucura sadia ande junto com nossa sabedoria.
Ale Villela
