Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura
AUTOPRESERVAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se o seu elogio, sincero e respeitoso, ao talento de uma pessoa do gênero oposto é recebido com azedume, frieza ou desconfiança, não se constranja. Simplesmente não o repita, e siga o conselho daqueles caminhões que proliferam no asfalto, aos carros de passeio: mantenha distância. Simplesmente passeie. Não corra mais nenhum risco.
Algumas pessoas são assim mesmo: valorizam tanto a própria lataria, que não são capazes de reconhecer no próprio íntimo, as virtudes ou os talentos que possuem. Até ostentam esses talentos ou virtudes, mas não se levam a sério. Fingem ser, de fato, o que de fato são, mas não sabem. Quando alguém as vê mais profundo, elas não acreditam: habituadas às velhas observações superficiais, temem que os elogios sinceros sejam apenas deboches ou cantadas mais estratégicas de quem só quer arranhar as suas tintas.
Mesmo que um dia essa pessoa lhe pareça mudar de postura, continue a se preservar. Pode ser que o seu segundo elogio chegue de novo em hora errada... exatamente quando ela voltar à postura original. Também aceite a hipótese de que a virtude ou talento da pessoa em questão pode não ser suficiente para superar as questões de fachada.
Massagear o ego alheio com elogio não enche o coração vazio. Para estar bem e feliz é preciso cuidar da própria alma.
Ser correto parece que virou motivo de elogio, quando na verdade não passa de postura que temos obrigação de ter, mas tem certos atos que realmente temos vontade de tirar o chapéu.
Dedique ao seu cônjuge um longo tempo de elogio, dedicação, amizade e amor, antes de preencher os interesses de seu trabalho.
Se você não entende nada de cozinha, ponha um pouco de tempero em seu coração e muito elogio em seus lábios, quando for para o quarto da sua amada companhia, pois ali ela saberá como lhe oferecer o prato cheio de amor.
O elogio traz a alta estima positiva à moral do homem e a crítica em si atrai a voz negativa às suas realizações e abala o emocional da sua reputação.
