Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Então, pequena Amélie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. Se deixares escapar esta oportunidade, eventualmente o teu coração vai ficar tão seco e quebradiço como o meu esqueleto. Então, vai apanhá-lo!
Existem quatro perguntas que você deve fazer para descobrir o significado da vida.
1° O que é espirito
2° Do que o espirito é feito
3° Por que nascemos
4° Por que morremos.
E todas as respostas se resumem numa só
"Amor"
Pode ficar irado como um cão raivoso da forma como as coisas acontecem... pode praguejar e amaldiçoar o destino... mas quando chega perto do fim... tem que perdoar.
Ainda que eu esqueça, minha consciência reconhece: uma dose de loucura não desaparece. Apenas criamos um espaço para repousar, até o despertar de simplesmente ouvir o seu nome.
Em meio à calmaria, depois da tempestade, ler foi como uma dose de remédio; loucura maior tornar-me tão seu, sem me esquecer do meu eu. Compartilhar o mundo a sua volta cai tão bem quanto uma poesia que nunca termina. Então nos damos conta de que não é a velocidade do vento que passa, mas a direção que toma.
Quem nunca escreveu uma bela historia, não compreende a loucura do escritor. Mas quem já leu uma bela história faz da loucura do escritor uma mente brilhante.
A vida e importante demais
pra ser levada tão a sério,
um pouco de loucura é necessário,
ela é quem nos dá a certeza
de que estamos vivos.
Entre os teus lábios é que a loucura acode,
desce à garganta, invade a água.
No teu peito é que o pólen do fogo
se junta à nascente, alastra na sombra.
As Pedras
Eu converso com as pedras
E só elas me entende
As vezes parece loucura
Mas o papo se estende
E eu me perco na doçura
De um grande gesto bonito
Porque pedra quando fala
É tão alto e profundo
Que chega a tocar o infinito
As pedras são grandes amigas
E grandes guerreiras também
Elas guardam lembranças antigas
E são sempre pisadas por alguém
As pedras são heroínas
E guardiãs de grandes segredos
Dos mais loucos desejos
Ás águas mais cristalinas
As pedras escondem mistérios
Que a vida não sabe explicar
Porque existe matar
E esses tais de cemitérios
As pedras sabem amar
E também o valor do perdão
Porque vem do coração
O que sempre sabem falar
As pedras tem sempre emoção
E sabem tão bem escutar
Mesmo que o desatino é chorar
E de sempre perder a noção
Elas tem sempre razão
E grandes sentimentos
Pois entendem de tudo
E conhece cada tormento
Desde as dores do mundo
Em meio a multidão
Aos amores profundos
Em meio à ilusão
Quando a maré vem
E o barco se afunda
Quando a brisa levanta
E o sorriso se fecha
Quando se atira um flecha
E o cupido se espanta
Quando feliz é quem vive
E não só o que canta
Quando não é primavera
E as flores se enganam
Quando os aromas se emanam
E já não é o que espera
Quando o pó virar tédio
E o amor virar ódio
Quando o pavor virar sódio
E o suor virar remédio.
Pretendeste deixar-me... que loucura!
Acaso pode a luz deixar o dia?...
E o ser deixar a forma, poderia?...
E pode o fel deixar sua amargura?...
Vivemos separados, de mistura,
O meu ser no teu ser em harmonia...
Se tu me abandonasses, criatura,
De mim, em ti, já nada restaria.
Não me deixaste a mim; deixaste a casa.
Temo-nos desenhados na alma em brasa.
Somos um coração íntegro e nu.
Não podias deixar-me... que no mundo,
De tal sorte contigo me confundo,
Que nem sei se eu sou eu, ou se eu sou tu.
A música das almas...
Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma. E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangulavam a terra...
Depois veio a claridade, os grandes rios, céus, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto.
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.
