Era
Às vezes eu sinto uma saudade enorme. Só não sei de quê. Talvez seja da minha infância. Era tão boa. Tudo era tão simples, tão fácil. Ou talvez seja das pessoas. Daquelas que passaram, mas não ficaram... se foram sem se despedir. Mas também pode ser os momentos. Esses que marcam e pairam na nossa mente. São sem dúvida especiais. É como se o agora fosse dispensável, e o pensamento voasse, procurando algo que não sabemos bem o que é. E nosso olhar insiste em ir em direção à janela. Como se a resposta desse aperto no coração estivesse além. Não sei se sensação é boa ou ruim... Sinto-me agradecida por tudo que vivi; mas ainda há uma enorme vontade de quero mais.
Um dia me falaram:
Que forte era aquele que não amava. Discordo. Fortes são os que arriscam o coração e as lágrimas por um amor de verdade. Fraco é quem não ama por medo de perder uma noite de sono, ou duas. Por medo de perder a razão, de tirar os pés do chão! eu me arrisquei,quebrei a cara,mais pelo menos assumo que fui feliz entre tanto fingimento
Somos a Teia e somos quem a tece;
somos o Sonho e o sonhador..."
No princípio eu era a Eva...
Nascida para a felicidade de Adão.
E meu paraíso tornou-se trevas,
porque ousei libertação!
Mais tarde fui Maria...
Meu pecado redimiria.
Dando à luz aquele que traria a salvação.
Mas isso não bastaria,
para eu encontrar perdão!
Passei a ser Amélia...
... a mulher de verdade!!!
Para a sociedade,
não tinha a menor vaidade.
Mas sonhava com a igualdade!
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Hoje não sou só esposa ou filha...
Sou pai, mãe, arrimo de família!!!
Sou caminhoneira, taxista, piloto de avião.
Policia feminina, operária em construção!
Ao mundo peço licença,
para actuar onde quiser.
Meu sobrenome é competência...
O meu nome é Mulher!
Achava também que qualquer vida era um risco e o risco maior era o de não tentar viver.
Suzanne: Só faltava. Era a única coisa que ela ainda não tinha pego: amor.
Hipólito: Ninguém está imune.
"De tão grande era o desejo que no primeiro beijo se perdeu.
Se entregou de corpo e alma ...morreu , viveu , renasceu...
do desejo, do beijo...sonhos que era tão meu quanto seu..."
Eu me lembro que ainda muito jovem li as memórias de Goethe. Goethe era um sujeito que achava que nós deveríamos cumprir todas as nossas obrigações para com a sociedade. Porque nós temos de ser superiores a ela, não inferiores. Se nós consentimos que a sociedade nos marginalize e nos derrube, então nós seremos seus escravos.
Eu tinha muita amizade com o doutor Juan Alfredo César Müller. Ele era um sujeito goetheano. A ética que ele seguia era a do Goethe, baseada em três coisas: o homem deve ser digno, prestativo e bom. O dr. Müller era a encarnação dessas três coisas, era digno, prestativo e bom. Você não pode fugir das suas obrigações sociais. Claro que, às vezes, você as cumpre imperfeitamente. Mas você não pode fugir delas, porque se você fugir, você se enfraquece. E se você se enfraquece, você torna-se uma vítima inerme da pressão. Você tem de se esforçar, tentar fazer o máximo para que seja mais forte do que a pressão da sociedade, não mais fraco, jamais uma vítima.
Goethe fala de sua ética do trabalho em seu livro de memórias "Poesia e Verdade" e nas "Conversações com Goethe", escrito por seu secretário, que teve a prudência de anotar os diálogos que tinha com Goethe nas conversações do dia-a-dia e que eram jóias.
Você jogou fora tudo que era precioso para você em troca desse poder inútil que você está prestes a perder!
Quando eu era garoto, eu não sabia o que queria ser quando crescesse. Os adultos sempre perguntam isso para as crianças. Eu nunca tive uma boa resposta, não até aos vinte e oito anos. Até o dia em que eu conheci você. Foi aí que eu soube exatamente o que queria ser quando crescesse. Eu quero ser o homem que faz você feliz.
A música era o meu refúgio. Eu pudia rastejar para o espaço entre as notas e dar as costas para a solidão.
Eu sempre soube que vivi um pouco diferente de outros homens. Quando eu era um garoto não vi nenhum caminho antes de mim, simplesmente dei um passo e depois outro. Sempre em frente, sempre para a frente, correndo em direção a algum lugar que eu não sabia onde. E um dia eu virei e olhei para trás e vi que cada passo que eu tinha tomado era uma escolha, ir para a esquerda, ir para a direita, ir em frente ou até não ir. Cada dia, cada homem tem uma escolha entre o certo e o errado, entre o amor e o ódio, e às vezes entre a vida e a morte, e a soma dessas escolhas torna-se sua vida. O dia que eu percebi isso foi o dia que eu me tornei um homem.
Cada vez que o olhava sorria inquieta, procurando sem muito êxito uma forma de traduzi-lo. Ele era um mistério, o seu doce mistério.
A princípio foi esse olhar um simples encontro; mas, dentro de alguns instantes, era alguma coisa mais. Era a primeira revelação, tácita mas consciente, do sentimento que os ligava. Nenhum deles procurara esse contato de suas almas, mas nenhum fugiu. O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao Céu cabia ouvir, porque não eram vozes da Terra, nem para a Terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única.
E lembro-me de quando o conheci, foi-me tão claro que ele era o único para mim.
Ambos de nós soubemos, de imediato.
E, com o passar dos anos, as coisas tornaram-se mais difíceis, fomos confrontados com mais desafios
Eu o implorei que ficasse
Tentasse lembrar-se do que tínhamos no princípio
Ele era carismático, magnético, eléctrico, e todo mundo sabia disso
Quando ele caminhava
A cabeça de cada mulher se virava, todos se levantavam para falar com ele
Ele era como este híbrido, esta mescla de um homem que não conseguia se conter
Eu sempre tive a sensação de que ele se tornou dividido
Entre ser uma pessoa boa e perder todas as oportunidades que a vida poderia
Oferecer a um homem tão magnífico como ele
E dessa forma, eu o compreendi
E eu o amava
Eu o amava, eu o amava, eu o amava
E eu ainda o amo
Eu o amo
"Cospe a pedrinha, Mansur!"
(*) Frase que se tornou proverbial. Mansur era um "boca-suja", sacristão de um bispo, que tentava inutilmente corrigir-lhe a linguagem, permeada de palavrões. Até que lhe ocorreu a idéia de que Mansur mantivesse uma pedrinha na boca para ajudá-lo a lembrar-se de evitar expressões indecorosas. Num certo dia de intenso calor, o bispo percorria a estrada - a pé, acompanhado por Mansur -, em visitas pastorais, quando ouviu uma velha que com insistência chamava por ele, do alto de um morro. Quando os dois acabaram de subir a penosa encosta, a velha explicou que o chamara para abençoar sua ninhada de pintinhos... O bispo, passando o lenço na testa, voltou-se para Mansur (também ele furioso...), dizendo: "Tudo bem, Mansur, pode cuspir a pedrinha!"
