Era
ETERNA VIDA EFÊMERA
Demétrio Sena - Magé
Pergunto ao ontem, que até há pouco era o agora, em que buraco se meteu o agora, que agorinha mesmo ainda era. Ele foi para lá? Está nos braços de um novo ontem? Caiu no escuro e no vazio de ninguém sabe o quê? Nunca tenho resposta e logo pergunto ao já futuro e logo passado agora: E o futuro? Cadê o futuro? Virou passado ou se renovou na linha do tempo? É tão clichê dizer que a vida é um sopro... mas é tão clichê dizer que é tão clichê dizer que a vida é um sopro. Porque é... e ninguém há de soprar nada mais original sobre a vida e sua eterna efemeridade.
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Respeite autorias. É lei
POEMA CANCELÁVEL
Demétrio Sena - Magé
Já nasci cancelado por meu pai;
minha mãe também era cancelada
e me fez entender de sobrevida
nesta minha escalada solitária...
Não havia internet, mas havia
essas mesmas pessoas oprimidas
pela vida vazia em seus empenhos
pra mostrar como sabem excluir...
Hoje nada cancela o meu conforto
neste porto seguro do meu dom;
acolher e soltar quem quiser ir...
Meus ebós literários conscientes
dessas mentes tardias de pensar,
geram medo do amor não seletivo...
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Respeite autorias. É lei
AMANTES DA SERVIDÃO
Demétrio Sena - Magé
Quem calava, engolia, era só "sim senhor",
bendizia o chicote, oferecia o lombo,
era grato ao favor de raspar as migalhas
que sobravam dos luxos de todos poderes...
Os que sempre beijavam as mãos dos carrascos
e tiravam chapéus para suas bravatas
ou serviam churrascos que não consumiam
onde nunca deixaram de ser invisíveis...
Esses dizem, agora, que nunca sofreram,
que jamais lhes prenderam por "subversão",
quando são testemunhas da própria utopia...
Hoje gritam bravuras que nunca tiveram,
pregam sua "macheza" de bois patriotas
ou ovelhas devotas de novos senhores...
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Respeite autorias. É lei
PARAÍSO DESFEITO
Demétrio Sena - Magé
Nós trocávamos tanta confiança;
era tanta certeza de que o outro
saberia entender os seus limites
e manter a bonança do que havia...
Nossos olhos mostravam tal pureza;
nossos corpos não tinham medo algum;
era só natureza em sintonia,
sem palavras nem tratos hormonais...
Confiávamos tanto no segredo
e jamais precisamos combinar;
só pairavam no ar magia e sonho...
O que tento repor entre nós dois,
é aquela versão de paraíso
que depois de algum tempo se desfez...
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Respeite autorias. É lei
ALÉM DOS OLHOS
Demétrio Sena - Magé
Era gago na fala e fluente nos olhos;
tinha sempre um discurso de afeto ocular;
escrevia sem pontos, coesão, acentos,
mas errar com pessoas não era o seu texto...
Lia mal; porém lia o caráter de gentes;
sempre foi um leitor impecável da vida;
tinha dentes escuros e o sorriso franco
de pressoa da qual não havia suspeita...
Foi alguém bem além do letreiro da faixa;
era fora da caixa; da bolha; do ringue;
seu swing nos meios foi solto e sem notas...
Teve tanta elegância, saber tão profundo,
que ninguém neste mundo lhe causou inveja;
ele ria, por dentro, de quem ria dele...
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Respeite autorias. É lei
PACTO
Demétrio Sena - Magé
O nosso pacto,
era que algo
tão compacto
não causaria
tanto impacto...
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Respeite autorias. É lei
Precisando tanto de uma retribuição, que me lembrei do quanto era ingênuo em me jogar aos caprichos de vocês.
UMA ASA LAVA A OUTRA
conto de Ádyla Maciel
Era 25 de junho, já chegando o finalzinho do semestre. Tiê usava um óculos boca de garrafa e sentava-se sempre nas árvores da frente, dedicada e silenciosa.
A professora Coruja entrou na mata e disse aos alunos:
—Boa tarde passarada! Já terminamos o nosso conteúdo de aritmética, agora aprenderemos os algarismos romanos. Alguém aqui conhece algum número romano?
E uma voz gritou do fundo da sala. Era Juriti.
—A Tiê não sabe nem quanto é 1+1, não conhece nem os números brasileiros, como saberá os números romanos?
Todos os pássaros da classe começaram a rir. Tiê não deu importância aos comentários de mau gosto.
Alguns dias se passaram e saiu o resultado da prova de matemática, Tiê tirou zero, apesar de ter estudado muito e freqüentado todas as aulas da tia Coruja. Sentiu-se triste, desmotivada e com muito medo das possíveis broncas que receberia de seus pais.
Na hora do intervalo, Tiê voou até o parquinho e sentou-se num balanço, abriu sua lancheira e começou a comer seu sanduíche de alpiste. Quando suas lágrimas estavam quase secando, três passarinhos se aproximaram e começaram a falar da nota que tinham tirado na disciplina de matemática. A águia tirou 9, o beija-flor 8,5 e Juriti 10,00.
Perguntaram a nota de Tié e ela ficou muito sem jeito. Juriti, que tinha tirado a nota máxima zombou de Tié
—Aposto que tirou zero; eu tirei 10, sou a mais inteligente da mata.
A professora Coruja, preocupada com o desempenho escolar de Tié encaminhou-a para o gavião psicopedagogo. Lá descobriram que ela tinha discalculia, um transtorno caracterizado pela inabilidade de refletir sobre tarefas e coisas que envolve números. Logo que descobriu, iniciou o tratamento e foi entendendo aos poucos qual era seu lado direito e seu lado esquerdo, além de aprender a lidar minimamente com números.
Tiê tinha sempre notas boas em português e nas demais diciplinas e descobriu que Juriti tinha muita dificuldade em português, então resolveu ajudá-la, descobriu também que que Juriti tinha dislexia, dificuldade para compreender palavras e interpretar textos.
Juriti aceitou a ajuda de Tiê e em troca ofereceu aulas de matemática.
Tié passou a dar aulas de português para Juriti e Juriti passou a dar aulas de matemática para Tiê.
Juriti percebeu que uma mão lava a outra, e se ajudarmos uns aos outros aprenderemos a voar mais longe e mais alto para lugares belíssimos. Todos nós temos alguma limitação. Isso não significa que não somos inteligentes, temos diferentes níveis de aprendizagens. Existem diversos tipos de inteligência, entre elas a linguística, a musical, a espacial, a naturalista e muitas outras. Assim como os peixes que sabem nadar e os pássaros que sabem voar.
"Eu fui deixada pra traz e era pra chorar,porque eu estava Esperando lá fora, Sorrindo com um olhar perdido, mas Foi quando eu decidi... simplesmente não me importar.... afinal, Por que eu deveria me importar?
"sempre me ensinaram o quão era inconveniente, me apaixonar, diziam que eu era forte demais pra me render a sensibilidade que uma paixão exige pra ser correspondida, e o que aprendi: tinham razão."
O chamado ao grande "palco" de realizações nesta nova era, é o grande objetivo dos mentores amigos que nos impulsionam à grande marcha. O espaço é infinito, o propósito é sublime, e a vida que nos cerca, é abundante... Como é doce e suave a brisa da manhã, como é belo e majestoso o cantarolar dos pássaros, anunciando um novo dia... Em tudo existe luz... Emanem o sorriso, façam vibrar o sentimento, como jamais o fizeram, busquem o "eu" edificante que já transita dentro de vós, e transcedam-no verdadeiramente em espírito e verdade... O Divino carpinteiro nos apresenta o seu espetáculo todos os dias, aos olhos e ouvidos da Terra, e na imensidão de todas as galáxias... A Harmonia, meus irmãos, está presente na sutil atmosfera daquilo que sentimos, e isto é, diretamente proporcional ao bem que juntos plantamos... Estamos entre vós e permaneceremos... Que Deus, em sua soberania, abençoe este trabalho, e inunde de graça o nosso planeta...
Ai de mim
Ai de mim
Quem me dera
Ser sincera
Ai de mim
Quem soubera
Quem eu era
Ai de mim
Quem deveras
Compreendera
Ai de mim
Quem me dera
Quem deveras
Me amou.
Os Que Ficaram
William Contraponto
Era.
Sem disfarces.
Mas também — sem cartazes.
Fui o que era,
sem anunciar,
sem negar.
Toquei muitos —
como eu —
sem nomear o que havia.
Corpos sabiam,
palavras não.
Alguns chamariam de busca,
outros, de fuga.
Para mim,
era caminho.
Até que me aceitei.
Me revelei.
Não ao mundo —
mas a mim.
E bastou.
Enquanto tantos,
com quem me perdi,
optaram por se esconder.
Assinaram papéis,
tiveram filhos,
ergueram casas.
Mas não abrigo.
Fizeram o que se espera.
E esperam, ainda hoje,
que a vida passe
sem que ninguém veja
o que falta por dentro.
Ficaram nas sombras
das aparências.
Eu?
Neguei esse papel.
Lembranças de uma infância
Um ursinho de pelúcia,
Marrom e branco, todo peludinho.
Era um amigo para todas as horas dificies.
Minha querida avo é quem me presenteou,
O melhor presente que já ganhei.
Havia vários outros brinquedos,
Mas esse foi o melhor.
Tenho saudades da minha vida calma de criança,
Com brincadeiras e gargalhadas,
Mas quando aprontava, levava bronca.
Como era boa a minha infância,
Carinhos e caricias para todos os lados,
Sempre tirando risos e sorrisos das pessoas.
Poderia eu voltar no tempo?
Introspectiva, as vezes não...
Eu não sabia quem ela era,
Sorria, brincava de felicidade...
Nomeava sons imaginários
Ouvia o anteceder da chuva
Sonhava com raios e luzes.
Em uma noite sem palavras
Ela gargalhou com os olhos
E pensou alto sem dizer...
Nesse ato eu a reconheci
Feito melodia para cegos,
Tateei sua face, sutilmente.
Quis tê-la pela metade,
A outra eu guardei no espelho.
