Epoca de Cora Carolina
Depravados.
E foi quando seis corpos de pecado uniram-se no mesmo quarto transpirando perversidade em gotas. Ali, naquele ambiente abafado de tanto suor cítrico, os seis, ou pelo menos três dos envolvidos, revelaram-se no mais ardente, íngreme desejo.Tornou-se ciclo vicioso.
Gula.
Engulo as falas tuas
Devorando-as nas entranhas minhas.
Cortando-me com olhos teus
Dominas-me, refreias a pele minha.
De ti sinto sede.
De mim sentes fome.
Sentimos e sentiremos;
Gula.
Ser meu, ser teu; ser sua.
Ela ampla, ela acanhada, ela oscilante, de fato palpável. Olhara da vidraça por inúmeras vezes e dali insignificância avistava. A névoa que a fuligem do cigarro apoiado em seus dedos provocava, cegava seus olhos intensos, impedindo com que notasse o que permanecia ali, em sua frente. De boca em boca, encontrava-se alagada. Fumo, licor, rubro, membro contra membro. Obscuridade, vivacidade resistente dos braços seus, fascinados com braços apetecidos. Imergir em corpo ilhado em cabelos, saliva em contato; as línguas permutadas. Depois não quer, agora diz: seres meu, meu corpo teu; enfim ser sua.
Vestígio.
Os olhos manchados de ontem; pele ainda dormente; cheiro de cigarro impregnado nos cabelos. Aquela música continua em meus ouvidos. Desconhecidos, e eu, desconhecida; Deus do céu, onde é que eu fui parar? Após cometido, sinto-me presa ao indesejado. Tirai-me da ilusão.
Eu tranco a porta
Pra todas as mentiras
E a verdade também está lá fora
Agora a porta está trancada
A porta fechada
Me lembra você a toda hora
A hora me lembra o tempo que se perdeu
Perder é não ter a bússola
É não ter aquilo que era seu
E o que você quer?
Orientação?
Eu tranco a porta pra todos os gritos
E o silêncio também está lá fora
Agora a porta está trancada
Eu pulo as janelas
Será que eu tô trancado aqui dentro?
Será que você tá trancado lá fora?
Será que eu ainda te desoriento?
Será que as perguntas são certas?
Então eu me tranco em você
E deixo as portas abertas
Eu pulo as janelas
Será que eu tô trancado aqui dentro?
Será que você tá trancado lá fora?
Será que eu ainda te desoriento?
Será que as perguntas são certas?
Então eu me tranco em você
Eu me tranco em você
E deixo as portas abertas
Nuance.
Touché. Naquele ínterim ela concluiu que aqueles cachos negros caídos sobre a testa dele já não a cegavam mais, era tudo tão burguês, trivial e tornou-se transitório de extrema repugnância. Coxeou, e entre calúnias e mentiras, numa única objeção desvendou tamanha rispidez que ele carregava sobre as costas. Colapso. Sempre tão soberbo, presunçoso e ostensivo, após ser desmascarado, encontrava-se iminente, exposto, fraco, literalmente vulnerável. Aquele sentimentalismo rasgado existente entre um casal... Ahn, desgaste. Físico e moral. Aquelas calcinhas e sutiãs perderam a elasticidade e as cores ofuscantes. O relacionamento tornou-se bege. Au revoir!
Ela, outra e outras.
Mais uma vez em uma neurose desmedida onde quaisquer diminutivos em meio a consignações infames, façam com que se sinta abominável, ignóbil. Não num sono aéreo; presa em um denso, ofuscado e grave pesadelo, importuno, um desgosto desmesurado. Talvez não seja ela, ou nela tentam buscar o que desejaram de outrem. Até teria, garante-se que numa veemência muito mais profunda, mas era preciso que vejam que é ela ali e não a outra, outras. Apreensiva. Mil palpitações. Lágrima fluindo vagarosamente por suas sinuosas rugas de expressão.
Um aperto; o mesmo que sentira no momento da certeza de uma infidelidade, mas o ensejo era outro. O receio de perder o apego que ultrapassou os limites de outros apegos. O medo de terem, outra vez, recaídas passadas e ela, novamente, submergir.
Suspiros.
E ele se foi, deixando em mim apenas saudades e a incapacidade de aproveitar mais do que deveria.
Amigos....
Amigos pensamos que temos...
Quando preciso de ajuda.....você não está lá pra ajudar.
Quando estou chateada......você não vai me consolar.
Quando levo bronca......não admite que a culpa foi sua.
Quando caio.....você não vai me segurar.
Quando danço....você ri para não chorar.
Quando canto......você canta mais alto, para me convencer de parar.
Quando choro.....não tem pano pra secar.
Quando pulo...você diz que o chão quebrar.
Quando penso.....você tenta me imitar.
Quando sorrio.....diz que meus dentes vão rachar.
Quando falo.....diz que o mundo vai parar.
Qundo ando....fala pra não andar.
Mas quando você faz algo........eu tenho que apoiar...
Saudade de Nada
Sozinho na madrugada
Escuto na vitrola o chão de estrelas
Olhando na vidraça aquela chuva
E minha alma esquecida escuta o céu de pedras
Sozinho na madrugada
Não tenho relógio no meu pulso
Saudade de nada
O instrumento é o violão
Desejava tocar as cordas do teu coração
Sozinho na madrugada
O amor e a chuva são como agulha e linha
Quase uma coisa só
E minh'alma se costura na sutura da solidão
Da chuva, do violão
Da linha, do relógio
E as estrelas lá do chão
Não sei a que horas giram na vitrola
Saudade de nada
Ainda é madrugada
Nunca tenham a audácia de perguntar o porquê das partidas que a vida vos prega! Tenham, sim, a perspicácia de ultrapassá-las! É aí que consiste o vosso triunfo! Em ultrapassar esses mesmos obstáculos!
Não foi desistindo que chegamos até onde estamos e não será desisitindo que chegaremos onde pretendemos
Engana-se quem, religiosamente, resume 'saúde' ao simples estado de ausência de doenças. Enquanto a sociedade e instituições adotarem este pensamento limitado, haverão pessoas com bem-estar prejudicado jurando estarem saudáveis.
Três noites. Colados. Umbigo com umbigo. Agora sim, meus lençóis tiveram o prazer imensurável de sentir teu corpo castanho roçando neles. E não só eles tiveram esse prazer, diga-se de passagem...
- Relacionados
- Cora Coralina: frases e versos que inspiram e encantam
- Pensamentos de Natal para refletir e celebrar esta época de luz
- Poemas de Cora Coralina
- Poema Mulher de Cora Coralina
- Mensagens de Natal motivacionais para inspirar corações nesta época de luz
- Cartas de Natal criativas para espalhar magia nesta época de luz 🎄✉️
- Poemas curtos de Cora Coralina
