Textos lindos sobre envelhecer com reflexões sobre este privilégio

Envelhecer e saber que nunca é tarde para ouvir opniões e concelhos, estamos nesse mundo para evoluir sempre.

⁠Envelhecer é inevitável, então que seja com dignidade, com aprendizado e com gratidão.

Preta Gil
Preta Gil: os primeiros 50. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2024.

Amadurecer, como envelhecer, consiste em descartar sonhos aos poucos.

O melhor de envelhecer é não se importar com o que todos pensam.

⁠Começamos a envelhecer nos olhos das pessoas, e então, lentamente, passamos a pensar como elas.

Malcolm Cowley
VIORST, Judith. Perdas necessárias. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2005.

⁠As pessoas chamam umas as outras de velha, como se envelhecer fosse feio, fosse crime. Meu bem, envelhecer é privilégio e estar vivo é uma dádiva que nem todos têm a bênção de ter.

Envelhecer com qualidade é também encontrar equilíbrio entre dentro e fora, entre ação e descanso, entre luz e sombra.

Envelhecer na presença de Deus.

Veja Sara e Abraão, é bem desde que tenhamos gosto de nós, as boas fontes da juventude.

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.

Bíblia Sagrada
Provérbios 22:6.

Envelhecer é caro.
É um corpo que cobra pedágios a cada passo,
um tempo que arranca juros da carne e da memória.

É dolorido.
A pele se rasga em silêncios,
os ossos gritam,
a mente tropeça nos próprios vazios.

É triste.
Nada de auréolas douradas,
nenhum encanto escondido.
Tentam pintar flores sobre a ferrugem,
inventar poesia no apodrecer,
mas a verdade é dura:
a velhice é o desastre que ninguém quer nomear.

E o humano, com sua mania de suavizar tormentas,
cria palavras doces para açucarar o fel.
Mas no fundo, todos sabem:
o peso dos anos não tem romance,
tem custo, dor e solidão.

Contos sobre mim parte 44 - A beleza do envelhecer…

Sobre quem eu sou, de marcas latentes, forjado em batalhas, com choro e dores, sorrisos que atraem, certeza de ir quando não mais quero ser, solitude de mim e do que quero fazer, sou cheio de graça, sinceros abraços, sou tido por muitos de poucos eu sou, nascente poente, ouvir o som das águas e aqui me encontrei.

Sobre quem quero ser, não mais água ardente, um pouco de tudo, não tudo de vez, quero andar entre as águas, cria brio e coragem pra nascer e crescer, quero ouvir som de pássaros, andar em seus braços, jamais perecer, a paz das montanhas, amores me ganham e vim pra vencer. Vencer meu passado, vencer o outro lado, vencer, só vencer, e aqui já me basta, se lá estarei, terei a certeza de que entre belas as feras desceu e eu flor que nasce, desboto entre laços pra ser cor de vida, naturalidade me encontro em meus passos pra ser quem eu sei.

Sobre quem eu fui, não sei, não recordo, só sei que discordo, pois, não o quis ser, encontro outro mundo, desvio, vagabundo, ali não sou eu, a fé me abraça e eu todo dela sou feito de luz, prazer que me toma, cintila, retoma, me enche de risos por ter bem crescido sabendo que sou, quem eu quero ser, mas, profundamente quem fui não me lembro, se fui já não sou e isso me basta, pra ter um abraço “do eu que tornou”, de tudo um pouco, calado, translouco, fadado e romântico, me torno galante sem lembrança alguma do ser que eu fui.

Márcio Ribeiro

⁠Envelhecer é subir um morro na planície...

Envelhecer é estranho. Por dentro, sigo sendo a mesma.. meus sonhos, meus risos e até minhas inquietações continuam com a mesma voz. Mas o corpo, esse mensageiro do tempo, insiste em contar uma história que eu não sinto ter vivido tão depressa.
As pessoas que não me veem há anos se espantam com minhas marcas novas, esquecendo-se das que o tempo também gravou nelas. Às vezes dói esse choque nos olhos alheios, como se só eu tivesse atravessado os anos.
Envelhecer, para mim, é aprender a acolher essas mudanças sem perder a essência. É reconhecer que há beleza nos traços do caminho, mesmo quando a saudade do rosto de antes aperta. É um exercício diário de amor-próprio: olhar no espelho e enxergar não apenas rugas, mas histórias, resistências e memórias.

Envelhecer é aceitar que cada traço guarda uma história e que ainda existe vida, força e beleza no agora.

Envelhecer não é perder beleza, é ganhar histórias. Cada ruga é um traço do caminho percorrido.

Envelhecer é uma dádiva, um privilégio negado a muitos... Que Deus em sua infinita misericórdia e soberania nos permita viver e envelhecer saudáveis 📚📖🖊️

Envelhecer é saber

Envelhecer é saber,
ou será que o saber está no envelhecer?
O tempo, esse velho companheiro,
não passa ele fica,
fica em mim, nas dobras da pele,
nos fios de prata que o sol insiste em acender.

Uma vida de experiências,
ou foi um experimento viver?
Entre escolhas e silêncios,
entre quedas e renascimentos,
aprendi que o corpo é casa,
é território sagrado onde o tempo planta sabedoria.

Tudo que diz respeito ao meu viver
está guardado aqui,
neste corpo que carrega histórias,
memórias e marcas ancestrais.
Sou feita de caminhos trilhados por outras,
das que vieram antes,
das que sonharam liberdade
quando o mundo lhes negava o direito de sonhar.

Minhas rugas são mapas,
meus olhos, rios antigos,
minhas mãos, conchas de lembranças
que o tempo não leva , só transforma.

O envelhecer é rito, é canto, é retorno.
É o corpo se fazendo reza,
é a vida me ensinando a ser raiz
enquanto continuo flor.

E quando o espelho me chama pelo nome,
sorrio
porque sei que não envelheço sozinha:
trago comigo cada mulher,
cada ancestral,
cada memória que fez de mim
o que sou agora.

Envelhecer é saber.
E saber… é continuar viva.

Envelhecer é aprender a olhar no espelho e reconhecer não só marcas, mas memórias e vitórias.

Envelhecer é um privilégio raro: o de assistir, como testemunha, ao desenrolar do tempo.

O bom de envelhecer é a transição para a fase mais honesta de nossas vidas. Não havendo mais preocupação com empregadores em potencial, e nem com o perfil obrigatório de “bom moço” mostrado nas redes, mais repressores que a mais torpe das ditaduras, é quando se pode usar apenas a alma e o caráter para mandar às favas o “politicamente correto”, derrubar a masmorra que aprisionava a essência indômita e arrancar a última mordaça que prendia na garganta a voz das vítimas dos achaques e das injustiças.