Entenda como Quiser So Nao me Julgue
TORMENTO:
O tempo que passa, fica.
Como não fico ao tempo,
É vento que brada, fita,
Em silêncio todo intento.
Se pudesse volver à vida!
Minha infância, meu alento,
De certo encontrar a ida
Pra verter meu sofrimento.
A VIDA LIDA:
Neste rio perenes de loucuras!
O permitido permite-se como tal
O que não...
como sempre se perfaz
Na contra mão do abstrato, afinal,
O poeta em sonhos se refaz.
Qual fênix do quimérico pro real
Neste leito de mazelas que me traz
Corre, core... Sobre rio surreal
Como sonho de sonhar tão magistral.
DEUS NÃO SALVE O REI!
Assim como na ficção.
O reino tupiniquim é permeado por falta d’água, submissões e achaques!
Por conseguinte, nesse reino aonde "rola a bola e a bola rola", o vaidoso potentado assim como nas fantasias globais, também rega sua vida real ou fictícia, com suas “Helenas”... A vinhos em suas cartagenas.
Que Deus não salve o rei, eu guardo a Esperança.
INFELIZ ANO NOVO:
Como não se indignar, ao ver crianças morrerem de desnutrição, pessoas dormirem ao relento sem uma única refeição diária, 789 milhões de analfabetose a morte batendo às nossas portas.
E saber que na contra mão, apenas oito "indivíduos" possuem mais dinheiro que o restante do planeta.
É esse o país e o mundo que queremos para as novas gerações?
Novo? Que novo?
Como novo?
Se tudo permanece como antes...
O capitalismo, é sim, modelo inconteste de metástase cancerígena.
Como romântica que sou...
Apesar de não acreditar no "pra sempre",continuo acreditando no amor.
E que seja eterno enquanto dure.
A vida é assim,não temos garantia.
Não temos prazo de validade.
Não temos manual.
Não tem como viver em uma bolha e se proteger de tudo ou de todos.
Assim é no amor:
Um voo livre.
Sem rede de proteção,mas que no caminho e nas quedas tem tantos prazeres,tantos riscos,tanto amor e tanta Luz...
Que vale a pena cair!
"Hoje
parece que as nuvens
não vão embora e o sol se esconde, deixando meu ânimo
como um eco distante."
O passado é como um arquivo, gosto de voltar no tempo e reviver os bons momentos, e não podemos apagar o passado, ele nos ajuda nas escolhas do presente...(Patife)
Assim como ontem, ela não mais voltou a me querer! E eu pra me vingar, também nunca mais quis ninguém...(Saul Belezza - Patife)
Falam tanto em futuro, como se ele realmente existisse, mas ele não passa de um amanha, com a mesma roupa de hoje...
(Saul Belezza - Patife)
Não temos como esconder uma alegria, e nem como disfarçar uma tristeza. Mas sejamos francos. Pra que tanta tristeza, e qual a razão de pouca alegria...(Patife)
A coisa ruim da vida de solteiro é não ter como mentir que estava jogando futebol com os amigos...
(Patife)
Não sei como nem porque, troco muitas vezes o nome, a graça, a pessoas como eu.
Mas quando se trata de bois, nunca lhes troco o nome, pelo contrário: anuncio-os aos quatro ventos, sem medos, comichões ou outros pruridos.
LUZ
Que luz
Que tão tarde
Queres brilhar
Como fogueira que não arde
Na minha escura vida
Que até se me não engana
A amargura invertida,
Nunca soube que existias.
Falso reflexo
A querer alumiar
O meu espelho convexo
Em teus remorsos
Por expiar,
Nos meus derradeiros dias.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-04-2023)
VINGANÇAS
A vingança não dura um segundo
No coração dos simples e puros
Como a água cristalina e corrente
Que desliza frémita e tão contente
Passando apressada nas barreiras
Marcações de pedras fronteiras
E socalcos das terras do mundo.
Água vinha
Água vem
Água se foi
Água mansinha
Sem mais ninguém.
A vingança, por si se dói,
Nos corações benditos.
Nos corações empedernidos
Sem ponta de bons fluídos,
Ela corrói e destrói,
Vem, mas não vai.
É teimosa,
Birrenta
Como égua fanhosa
Peçonhenta
Que rebenta nos piores adjetivos.
Mas vai um dia na noite que cai
Com ventos de depuração.
Vingança que não vai
Não tem razão
De morar nos sem sentidos
Dos corações bandidos.
E eis que os corações tais
Desses empedernidos mortais
Não aguentaram o choque
E morreram sem esperança
Nem reboque
De aplicar a vingança.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 02-05-2023)
O LAR DO SOFÁ VELHO
Não chores meu velho
Como eu, a ficar a sê-lo.
Nunca pensaste como ainda penso,
Vá, pensa:
Porque o pensar é de graça,
Afinal o que nos resta.
Já não é a tua casa,
O teu cheiro
E os odores por ti criados
Naquela casita perto do mar
Onde gaivotas te iam beijar
Pela manhã, famintas,
Do teu dar
E abrigo procurar
Nas tardes fortes de tempestade.
O teu lar, agora, é o teu penar...
Outros cheiros,
Gentes que nem sempre gostam de ti,
Pelo que vi, senti e ouvi.
E então fugi, fugi dali
Tão amargurado.
Que triste, é do homem fado
Deixado num sofá velho
A tremer de medo,
Naquele cubículo sem afetos
Onde reinam os dejetos,
Muita fome amordaçada
E mais...
Aquele horrível pecado
De os não deixar morrer
Na sua velhinha cama.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-06-2023)
SIMPLESMENTE ACONTECEU
Não sei como aconteceu,
Mas você tocou meu ponto fraco, entrou no meu coração.
Coração ferido, remendado, desconfiado, trancado à sete chaves,
Você chegou de mansinho e como quem não quer nada, invadiu meu ser.
Dominou meus pensamentos,
Ocupou cada poro do meu corpo,
Conseguiu impregnar minha alma, sem ao menos me tocar.
Você é o primeiro e o último pensamento que me vem a mente todos os dias.
Quando durmo, meu inconsciente te procura em meus sonhos.
Quando menos espero, me pego pensando no seu doce sorriso durante o dia.
Você veio como um arco íris depois de uma tempestade, trazendo a esperança de dias melhores.
Não sei o porquê, mas sua existência me faz mais feliz!
CONTRADITÓRIO
Você foi minha salvação,
Você chegou como um sopro de vida,
Quando eu não mais respirava!
Você me trouxe um motivo para sorrir,
E com você trouxe um motivo para sonhar!
Você também foi minha maldição,
Quando foi embora levou meu coração,
Levou meus planos ao teu lado,
Me deixou ferida, sozinha.
Levou contigo meu amor,
Me deixou em pedaços,
E não me deixou nenhum adeus!
