Entenda como Quiser So Nao me Julgue
há uma delicadeza na forma como flores dizem o que palavras não alcançam. peônias, por exemplo, não gritam beleza, elas sussurram. abrem devagar, como confidências, escondidas em dobras suaves que parecem guardar um segredo antigo. são como tempo transformado em pétalas: não se revelam com pressa, só com intimidade.
já as primaveras... parecem não saber que são árvores. exageram no florescer, espalham cor como quem deixa alegria cair dos galhos. pintam o mundo sem pedir licença. e mesmo quando suas flores se vão, deixam a lembrança do que foi bonito, como quem marca presença sem fazer barulho.
observar quem gosta de flores é aprender a linguagem do gesto. é notar a forma como os olhos sorriem diante de uma cor, como o silêncio muda quando vem o perfume. transformar esse olhar em cuidado é quase ritual, criar momentos que não dependem de grandes promessas, só de atenção.
e quando vem o vento? a brisa que caminha entre as folhas ensina sobre leveza. a chuva que toca o chão sem pressa fala sobre retorno. é nesse ritmo calmo que tudo se revela, o que floresce fora, e o que floresce dentro.
gostar de flores é mais que preferência: é jeito de existir. é encontrar beleza na espera, no detalhe, no que ninguém vê. é saber que o mundo não precisa ser corrido para ser sentido.
Não brigue com Deus, há propósito e viés. A hora certa virá,
como o caçador e a presa ao revés.
Elogie, corrija com carinho e maestria,
valorize quem está ao seu lado,
com amor e harmonia.
Livro: O respiro da inspiração
"Não há modelo viável de medidas econômicas e sociais que dispense a utilidade da ciência como promotora do desenvolvimento tecnológico. A linguagem, enquanto ferramenta essencial, e a tecnologia, enquanto instrumento de transformação, são imprescindíveis para a adequação humana. É na ruptura de tradições ultrapassadas que se abrem caminhos para novos parâmetros de liberdade e igualdade."
Eu sinto raiva de você por não ser como eu quero...
Sou uma imensidão profunda mas Tb não gostaria de ser assim...
Mas ao mesmo tempo gosto de estar com você e dos nossos bons momentos, são calmos e leves e isso acalma o turbilhão que é minha mente
Sou profundamente atraída por sua paz, sua tranquilidade e jeito normal de levar a vida me encantam!
Porém o meu lado sombra insiste e me dizer que deveria ser do meu jeito, que falta declarações de amor e por conta disso não gosta de mim
Minha alma sussurra suavemente dizendo: relaxe, apenas siga, fica tranquila tudo sempre dá certo
Enquanto isso minhas emoções agem como se estivessem em uma montanha russa! E aí que decido respirar, mediar e usar todos os recursos possíveis para encontrar meu eixo.
A vida é intensa viva cada dia como se não houvesse o amanhã,pois o amanhã não sabemos o que nos espera
Amor,
Não sei como é teu rosto há tanto a tempo
Não provei mais o gosto do teu beijo
Não sei mais como é amar
"Coisas que Não Eram Pra Ser Vistas"
Desde pequeno, sempre tive que ser forte,
como se o mundo exigisse aço em vez de pele.
Vi coisas que não eram pra ser vistas,
fardos demais para olhos tão jovens.
Lembro da despedida do meu pai,
do seu abraço — e depois,
o silêncio eterno, sem mais uma palavra.
Lembro da minha mãe me empurrando,
me chutando para os braços da minha avó,
como se amar fosse errado,
como se um abraço fosse crime.
Lembro de mim e meu primo,
duas crianças na estrada de terra,
planejando fuga com um canivete na mão,
como soldados sem guerra,
mas feridos por dentro.
Lembro da madrugada com duas tias,
uma saiu...
um tiro, um grito, um banho de sangue.
Tentei correr pra debaixo da cama,
mas fui forçado a encará-la.
Ela se apoiou em mim como bengala,
e eu, criança, virei pilar de dor.
Lembro da viatura, do meu tio gritando,
clamando pela chance de matar o atirador.
Meus olhos não paravam de chorar,
meu peito, pequeno demais pro desespero.
Ali, pedi a Deus pela minha morte,
e eu tinha apenas seis anos.
Lembro de não ter mais notícias da minha mãe,
de saber que tinha um irmão,
mas quase nunca vê-lo.
Lembro das reuniões na escola,
e do sentimento de abandono —
só descobria minhas notas
quando diziam se eu precisava de recuperação.
Lembro dos colegas com tênis novos,
e eu, só querendo que a aula acabasse
pra voar na minha bicicleta,
criança-jato rasgando a cidade,
aprendendo o que era contramão
só depois do quarto atropelamento.
Lembro da promessa do meu avô:
"Se passar com todas as notas azuis,
vai ganhar um presente!"
E eu me esforcei, estudei, lutei.
Minha avó buscou o boletim:
todas as notas... azuis como o céu.
Primeira vez que senti orgulho de mim mesmo.
Corri pra mostrar ao meu avô.
Ele me esperava no sítio.
Mas no sábado, minha avó recusou —
disse estar com dores.
No domingo fomos.
Saltei do ônibus com o boletim nas mãos,
coração aos pulos...
mas a cancela estava trancada.
Minha avó mandou que eu fosse.
E eu fui — como um cão obediente.
Pulei a cerca, corri...
e o encontrei no chão,
moscas ao redor, sem vida.
Deus, por que mais uma vez?
Por que me fazer ver
o que não era pra ser visto?
Eu tinha só 10 anos...
e já desejava a morte com o coração inteiro.
Lembro de ser tratado como delinquente
pelo tio que mais admirava.
Mesmo com boas notas,
mesmo com certificados da igreja,
seus olhos eram de ódio.
Lembro dele com uma arma,
por eu ter discutido com minha namorada.
Minha voz — mal compreendida — virou afronta.
Corri. Minha avó entrou na frente.
Corri mais ainda.
Ganhara segundos de vida.
E naquele instante, eu soube:
eu estava sozinho.
Eu até queria conversar,
mas o tempo não vai esperar.
Eu até queria te amar,
mas não sei como me mostrar.
O sonho logo vai terminar,
mas, antes de tudo acabar,
posso ao menos seu nome perguntar?
Quando o mundo se sustenta
Há forças que não têm nome
mas sustentam o que somos
como raízes ocultas na terra
nutrindo sem serem vistas
O visível é breve
como reflexo na água
mas o invisível permanece
feito essência que não se apaga
O tempo não caminha em linha
mas se curva em espirais de sentido
e o amor, quando profundo
não precisa provar que existe
Não é o saber que acalma
mas o sentir que acolhe
há luz nas pausas do pensamento
e abrigo nos vazios do entendimento
Tudo o que escapa ao controle
ensina o valor da entrega
e o silêncio que parece ausência
é, muitas vezes, o lugar mais cheio de presença
A Dor Que Não Tem Nome
Acordo e já estou cansado,
como se viver fosse um fardo antigo.
Cada dia pesa dobrado,
e eu sigo — mas nunca sigo comigo.
O espelho não me reconhece,
me olha com pena, com nojo, talvez.
Meu corpo é só o que permanece
de alguém que já morreu mais de uma vez.
As vozes aqui dentro gritam,
mas ninguém do lado de fora ouve.
Sorrisos forçados imitam
uma vida que há muito não coube.
Tem dias que o ar parece ferro,
e cada passo é um crime lento.
O mundo gira, eu me enterro
mais fundo em meu próprio tormento.
A comida não tem mais gosto,
a música me dá desgosto.
O toque é como espinho exposto,
e o futuro... é um céu sem rosto.
Já tentei pedir socorro
em olhares, palavras, mensagens.
Mas tudo soa tão oco e torto,
como gritar em paisagens selvagens.
E o pior não é querer morrer —
é não conseguir mais querer viver.
É ser um corpo que existe por hábito,
um suspiro vazio, um peso estático.
Se um dia eu sumir, não estranhe.
Foi só a dor que me venceu sem barulho.
A tristeza é uma água que banha
até que a alma se afogue no entulho.
Assim como a vela na escuridão, é o Amor de Deus em nosso coração.
Não ofusca os que estão ao seu redor, mas aponta uma direção.
Para que através da minha chama, eu possa acender a sua.
Basta encostar nossos espíritos em agradecimento a D'us.
Que ela se propagará.
Assim é o Amor Divino, espalha luminosidade sem perder a própria Luz.
Amen🙏
Há dias em que você acorda e sente que carrega o peso de uma história que não escolheu. Como se cada memória difícil fosse uma pedra costurada à sua pele. Você olha para trás e se pergunta: por que isso aconteceu comigo? por que minha vida não foi como a dos outros? E nessas perguntas mora o veneno — porque quanto mais você briga com o que já foi, mais preso você fica ao que não pode mudar.
Você precisa entender uma coisa: nada no seu passado é inútil. Nem as quedas, nem as vergonhas, nem as perdas. Mesmo as dores que você jurava não suportar ensinaram algo que hoje você ainda não conseguiu enxergar.
Para ser grande, você precisa parar de brigar com a tua história e começar a honrar cada detalhe dela — até as partes que doeram mais do que você achava que aguentava. Não tem como vencer a vida querendo que ela tivesse sido outra.
A grandeza não está em apagar as cicatrizes, mas em aprender a vê-las como medalhas de quem atravessou a guerra e sobreviveu. Cada pedaço da tua história é um tijolo no chão que te trouxe até aqui. E se você continuar negando esse chão, vai passar a vida tentando andar sem nunca sair do lugar.
Olha para dentro hoje. Reconhece as sombras e as luzes do caminho que já percorreu. Aceita quem você foi, quem você é — para finalmente se permitir ser quem ainda pode se tornar. Não é sobre esquecer. É sobre transformar. Porque ninguém escreve uma nova história rasgando as páginas antigas. Você só segue em frente quando aprende a agradecer por cada uma delas.
Entre os Instantes
A vida não avisa.
Ela chega como vento
às vezes brisa, às vezes tempestade.
Passa pelos dedos,
mesmo quando apertamos forte.
Há dias em que tudo pesa,
outros em que o silêncio consola.
E vamos indo,
sem saber se escolhemos o caminho
ou se o caminho escolheu a gente.
Colecionamos memórias
como folhas secas em cadernos esquecidos,
tentando dar sentido ao que não tem nome.
Talvez a vida seja isso:
uma pergunta que muda de forma
antes que possamos responder.
E ainda assim caminhamos
com passos que tropeçam,
mas nunca param.
A alegria não está nas coisas, está em nós, está na forma como vivemos, na maneira como nos conectamos com os outros e na capacidade de encontrar beleza e significado em cada momento.
Eu, nós e você não escolheu ser escravo. Você eu e nós somos escravos do sistema como todo mundo, e independentemente de sermos esses um dos 5% e não querer ser. A diferença está é se você vê as cordas ou não. A diferença crucial não é querer ou não, mas perceber, até porque, quem vê as cordas, sente o peso delas — e por isso sofre mais. Quem não vê, dança feliz, achando que é livre.
Como um Punhado de areia assim é a vida, ninguém conta seus grãos, quando a experiência já não soma tanto; tambem nem importa saber quanto se gasta ou quanto se tem, o que de fato vale é ser amigo de alguém, prosear, cantar e sorrir de coisas boas dos tempos de menino.
Habitar-se é um tipo de exílio sagrado!
Sinto como se não tivesse sido feito da mesma matéria dos outros.
Minha infância era um espelho embaçado,
onde ninguém parecia me reconhecer.
E compreensível ou não, as vezes ainda carrego a mesma sensação,
como se o mundo me oferecesse moldes
que nunca abrigaram a forma da minha alma.
Tudo em mim
sempre foi um pouco desalinhado,
como se eu dançasse um ritmo
que só meu peito escutava.
Descompassado ou não, era o espetáculo que eu entregava - sem holofotes,
Sem plateia, somente a alma.
Nunca vi como os outros viam.
O mundo me parecia um palco deslumbrante e distante
e eu, um espectador melancólico,
sentado à beira do próprio abismo,
tateando sentidos com olhos em carne viva.
Ainda assim,
sempre que alguém cruzava o meu destino,
eu me doava inteiro!
Sem reservas,
sem cálculos,
sem planos de fuga.
Investia o que em mim era força,
o que era luz,
e até o que eu sabia que me faria falta depois.
Porque amar, mesmo que em ruínas,
é para mim,
uma das formas mais sinceras de tocar a vida que se deseja.
Mesmo que por um instante,
eu me permitia vibrar naquela realidade sonhada!
Ali onde o toque era cura,
a presença era templo,
e o “agora” … bastava!
Mas depois do “até logo”,
a maré me levava de volta à margem de mim.
Fechava os olhos ao mundo
e encarava, no escuro,
as rachaduras que ninguém via.
Tentava, com as mãos nuas,
tapar os vazamentos da alma,
ainda que tudo escorresse pelas frestas do silêncio.
Às vezes parecia inútil.
Às vezes era mesmo.
Mas nunca deixei de tentar.
Nunca deixei de viver com tudo que carrego.
Porque, mesmo nos dias em que a existência dói,
ainda creio que viemos experienciar a vida!
E por inteiro!
Não só o riso,
mas também o pranto,
o vazio,
as perguntas que giram sem respostas, nem repouso.
Creio que todos os dias são bonitos.
Mesmo os que machucam,
os que confundem,
os que silenciam demais.
Bonitos porque existem,
porque me atravessam a alma,
e sobretudo, me ensinam!
Alguns chegam com flores,
outros com pedras,
mas todos me convidam a sentir.
E em todos,
me mantenho aceso.
Contudo, alguns são apenas sobrevivência,
tormenta mental sem fim triunfante,
um salto visceral para os corredores mórbidos das camadas que me compõem.
E então compreendo, em silêncio:
as partes que em mim se partiram
não pedem camuflagem,
pedem reconhecimento.
Como ensina o Kintsugi,
não é preciso ocultar a rachadura -
é nela que o ouro se deposita.
É o que rompeu que revela,
é o que feriu que desenha
a cartografia exata do que sou.
E talvez, a beleza mais honesta
não esteja na perfeição preservada,
mas na imperfeição assumida
e transformada.
Porque habitar-se é um exílio, sim,
mas é também a única forma
de não se perder
no mundo dos que jamais se permitiram sentir demais.
Nem sempre por vontade,
às vezes só por não caber em lugar nenhum.
E quando não se cabe,
volta-se.
Para dentro, para perto,
para algo que ao menos ecoe,
para onde a existência faça algum sentido - mesmo que breve.
É ali, nas entrelinhas do sentir e do viver,
no ateliê invisível do tempo,
que acolho meus cacos com reverência
e os ressignifico em arte —
não para esconder a dor,
mas para deixá-la visível,
abrilhatada com ouro,
com presença e vida.
- Por Daniel Avancini Araújo
