Engano de Amor
Trégua armada
Não é pela data, não pelo brilho vazio,
nem pelo símbolo, o engano ou o ritual.
É só por ser o dia em que é feriado,
o único em que cabem todos, afinal.
Reúno a mesa, o vinho, o gesto lento,
a carne assada e o doce já sem cor.
Mas vejo nos olhares o alinhamento
de uma guerra antiga, de uma antiga dor.
Sempre respiga algo. Um riso que se quebra,
uma pergunta acesa, um tom a mais.
A mãe que chora o filho que não volta,
o irmão que bebe o vinho dos sinais.
E o brinde soa oco como um sino
rachado no rigor do tempo morto.
Natal é o ensaio do sepulcro em família,
Páscoa é a traição de um beijo torto.
Ano novo passa a ferro as cicatrizes,
aniversário é a idade do desgosto.
Eu queria apenas juntar mãos e restos,
mas a união já vem com seu escombro.
E o que deveria ser festa é trégua armada,
onde o amor respira o mesmo ar do monstro.
Então celebra o rito, o calendário,
a desculpa maior que o sentimento.
E se outra família diz que é diferente,
mais verdadeira em cada acontecimento,
não mintas: isso é a farsa transparente.
No fundo, toda família é o mesmo vento.
Você luta como um homem mais jovem, sem nada a esconder. Admirável, mas um engano.
O PODER DE SABER SELECIONAR
Muitas vezes, cometemos o engano de tentar manter por perto pessoas que não reconhecem o nosso valor, como se a insistência fosse uma forma de provar algo. Mas, na prática, forçar presença só traz desgaste e cansaço.
É preciso entender que a energia, o tempo e a atenção que temos são limitados e precisam ser direcionados com sabedoria. Quando se investe muito em quem não sabe valorizar, acaba-se deixando de lado o auto-cuidado e afastando quem realmente poderia acrescentar. Com o tempo, esse peso fica insustentável.
Aprender a soltar e deixar ir não é frieza, é sinal de maturidade.
Nem todo mundo que cruza o nosso caminho veio para ficar. Algumas pessoas passam para ensinar lições, outras para mostrar limites, e muitas simplesmente não possuem mais espaço na fase que estamos vivendo. E isso é natural. Quem realmente quer estar presente demonstra através das atitudes, da constância e do respeito.
Não faz sentido mendigar presença onde não há reciprocidade. O que é verdadeiro não precisa ser sustentado à força, ele se mantém por si só.
No fim das contas, escolher quem tem acesso à nossa vida é um ato de respeito próprio. Não se trata de se isolar, mas de proteger aquilo que se tem de mais valioso: a paz interior. Quando se entende isso, as relações se tornam mais leves, mais sinceras e muito mais alinhadas com a verdade.
Porque o que importa não é a quantidade, mas a qualidade e a sinceridade de cada conexão. E quem realmente merece estar, permanece sem esforço.
(Autor FRANÇA, Fernando em 05 de maio de 2026)
Perdoou dívida, perdoou engano, errar é divino, perdoar é humano. Contudo, não consigo perdoar a falta de educação, nem o abandono.
“Entre o engano e o pedido de socorro existe uma zona delicada onde a ética precisa caminhar junto com a compaixão.”
Do livro Síndrome de Munchausen — A Dor Fabricada, o Sofrimento Real: Uma Jornada entre o Engano e o Pedido de Socorro, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Sentença do Engano
"Sou solteiro", ele indagou e repetiu,
Nas tantas vezes que o questionei.
Prometeu-me a verdade que nunca existiu,
Enquanto em seus braços, enganada, descansei.
Os amigos diziam: "Vejam, ele mudou!"
"Está apaixonado, é um novo homem agora."
Mas era apenas um palco que ele montou,
Para esconder a farsa que viria afora.
Ofereceu companheirismo para a vida inteira,
Sinceridade moldada em falsa jura.
Mas sob o brilho da alegria passageira,
Escondia o ciúme, a mentira e a amargura.
A traição mais amarga veio do silêncio,
Daqueles que viam e preferiam calar.
Negavam o óbvio, guardavam o segredo,
Enquanto eu me perdia sem saber onde pisar.
Você vestiu a máscara de quem não era,
E ao cair o disfarce, o mundo emudeceu.
No meu trabalho, a colheita de uma falsa era,
O prejuízo e a dor que sua sombra me deu.
No fim, você voltou para o próprio desprezo,
Para os braços de quem você mesmo diminuía.
Seu círculo pasmo, diante desse regresso,
Pediu-me desculpas por tamanha hipocrisia.
Que culpa tive eu, se não vi o abismo?
Enfrentei julgamentos e vozes cruéis.
Faltou-lhe a honra, sobrou-lhe o cinismo,
Enquanto eu mantive os meus passos fiéis.
Fui cordial e respeitosa até o derradeiro,
Mas a conta do destino o tempo vai cobrar.
Desejo-lhe sorte em seu mundo de ferreiro,
Pois o meu ponto final acaba de chegar.
(Assinado: Roseli Ribeiro)
“Quando alguém trai quem o ama por quem só o usa, descobre no fim que o castigo do engano é acordar só no próprio vazio.”
O grande engano do nosso tempo é acreditar que ser visto é o mesmo que ter valor.Que receber validação ( curtida)é o mesmo que ser respeitado e desejado. Confundir simpatia e educação como flerte e/ou interesse.
Uma chama ilumina um ambiente por um instante,um farol orienta gerações. Ambos são vistos mas apenas um tem propósito significativo.
Cometer erros é uma parte normal da condição humana. Repetir o mesmo engano duas vezes pode ser motivo de preocupação, mas é compreensível. No entanto, ao repetir o mesmo erro pela terceira vez, é imperativo que você faça uma mudança em si mesmo imediatamente, exceto em atividades que requerem uma precisão extrema!
Por vezes, ponho duas refeições sobre a mesa, embora eu viva só.
É um pequeno engano que concedo ao coração: por alguns instantes, imagino que há alguém comigo, e a solidão se torna menos severa.
Com o passar dos dias, o gesto tornou-se hábito; ainda assim, toda vez que o repito, algo em mim se comove.
Talvez esta seja minha única maldição: preparar um lugar para quem jamais há de vir.
Não é encantador
o causador
de tanta dor
nem é verdadeira
a máscara
do engano
porém o amor
é a própria comunhão
de quem passou pela dor,pelo engano
e pela paixão...
Na dúvida, aceitei o engano como professor, reajustei velas e segui adiante, o vento já conhece meu nome.
Deixe eu errar, deixe eu cometer esse engano; pois aí, no final do meu verso, eu consigo dizer que te amo.
Há um engano recorrente: acreditar que as próprias dores são montanhas enquanto as dores alheias não passam de colinas. Trata-se de ilusão forjada pelo claustro da mente, que amplia o que arde por dentro e minimiza o incêndio do outro. Cada ser caminha carregando cataclismos invisíveis, e nenhum sofrimento é pequeno para quem o atravessa. Quando essa verdade finalmente se impõe, nasce uma humildade funda: percebe-se que ninguém é o centro da tragédia universal — apenas parte de um coro silencioso que tenta, a seu modo, sobreviver ao labirinto.
Ilusão é muito mal falada. Por definição, engano ou erro e sinônimo de alucinação, devaneio, utopia, e por aí vai; porém, é um ótimo anestésico.
