Encontro entre Amigos

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Orações Escritas
Entre a Essência e o Silêncio


Em minhas orações, não consigo Te pedir muita coisa que não seja pela minha essência, minha alma e meu caráter.
Sei lá… às vezes acho que não sou merecedora; que pedir pode ser abuso ou atrevimento.
Que no meu quase nada há tanto, que mesmo em meio às minhas necessidades, eu vejo que muito eu tenho — e Te louvo e agradeço.


Eu olho o mundo à minha volta e percebo muitos com tão menos, com quase nada.
Digo isso de forma material, espiritual e até na saúde física.
Mas as minhas dores são invisíveis.
Tenho até vergonha de necessitar ou pedir algo diante da realidade do mundo.
Vivo esse conflito dentro de mim, onde a razão quer sufocar as minhas dores.


Ah, Deus, eu já pedi tanto para ser invisível.
Para que me desviasse dos olhos maus, dos caminhos tortos e das línguas maléficas.
E, de certa forma, tenho me tornado invisível de fato.


As dores da alma não sangram, não têm odor, não podem ser tratadas com curativos.
Por isso são machucadas e reabertas diariamente — como aquele dedinho do pé que, uma vez ferido, tudo parece afetá-lo novamente.
E quem pode dizer que essa dor não é real?
Só porque não é visível, não deixa de existir.

Entre o cansaço e a reinvenção


Há momentos em que tudo parece parar.
O corpo não reage, a mente pesa, e o coração se cala.
Mas antes desse vazio, vieram os dias de luta,
os de sobrecarga, de resistência, de pura tentativa.


Vieram os tempos em que foi preciso sobreviver —
reinventar-se, aprender o que nunca se imaginou,
buscar um novo rumo, mesmo quando o chão faltava.
E, sem perceber, fomos adoecendo.
Talvez não de febre, mas de esgotamento.
De tentar ser fortes o tempo todo.


A vida é isso: um constante sobreviver.
É cair, e mesmo sem forças, tentar levantar.
É seguir com os pedaços que sobraram,
e fazer deles uma nova forma de ser.


Eu tenho vivido assim: lutando,
mesmo quando o cansaço me visita.
Porque entre o desgaste e a esperança,
ainda há um fio de fé que me faz continuar.
E no meio do caos, eu me reinvento —
vez após vez,
vida após vida,
em mim mesma.


Mas, às vezes, sinto falta da mulher que fui.
Daquela que sonhava sem medo,
que acreditava no novo, que se lançava inteira.
Sinto falta da energia que me fazia criar,
das madrugadas acesas por ideias,
das vontades que me moviam.


Quem sabe seja tempo de voltar —
não à dor, não ao peso,
mas ao fogo que me acendia por dentro.
De reencontrar em mim o brilho da busca,
a alegria do recomeço,
a coragem de tentar outra vez.


Talvez esse seja o meu novo recomeço:
reavivar o que um dia me fez viva.


Mas por hoje, por agora,
apenas revisito essa eu do passado
em uma galeria lotada de momentos,
de construção, de vivências, de trabalho,
de luta, de sonhos —
imagens arquivadas, jamais vistas,
que hoje revisito pouco a pouco
e sinto falta,
mas não me encontro lá.

Entre o Real e o Fingido


Vivemos em um mundo de aparências, onde todos parecem felizes, atraentes, ocupados, e quem não acompanha esse ritmo, parece fora de lugar.
Nas redes sociais, escolhemos as melhores fotos, às vezes até as antigas para convencer a nós mesmos de que está tudo bem, de que é só uma fase ruim.
Mas por trás das imagens, há silêncio, há cansaço, há dor.


Somos julgados por tudo: pela beleza, pela ausência dela, pela presença, pela doença, pela forma como sentimos ou deixamos de sentir.
E quando resolvemos nos afastar, nos desintoxicar daquilo que nos faz mal, o mundo nos cobra.
Mas quando estamos presentes demais, quando mostramos nossa verdade, também incomodamos.
Ser verdadeiro se tornou quase um ato de resistência.


É complicado existir em um mundo que exige máscaras para aceitar rostos reais.
Complicado ser calmo em meio ao barulho.
Complicado ser essência em meio a tanto personagem.


Poucos percebem o que há nas entrelinhas, o bem maior que cada um carrega dentro de si.
O mundo está apressado, forjando personalidades para que todos pertençam a algo, mesmo que seja ao irreal.


Mas eu me recuso a pertencer ao fingimento.
Prefiro o silêncio verdadeiro a qualquer palavra ensaiada.
Prefiro a ausência sincera à presença mascarada.
Prefiro ser alma, ainda que doa, do que parecer inteira quando estou quebrada.

Entre o que falta e o que cura


Se pudéssemos dar a nossa vida, mesmo que incompleta, para completar a de outro alguém que também está em um processo de cura, e nunca se cura, duas vidas quebradas, duas almas pela metade desencontradas, duas vidas que não encontram um destino, um sentido, uma felicidade, mas que passam pela mesma era, se pudéssemos, eu daria a minha pela tua, a minha incompleta, se juntas elas formassem uma, se essas duas metades, imperfeitas e infelizes, pudessem ser uma só, em totalidade e vitalidade, eu agora te daria a minha, para assim termos um de nós feliz, porque amar é a alma, é a vida, é o que nos conecta a Deus.

Há quem ache exagero, drama, fraqueza.
Mas ninguém imagina o inferno que é existir entre dois extremos que se devoram:
a apatia da depressão e o caos da ansiedade.

De um lado, um vazio que te puxa para baixo, que apaga cores, vontades, sentidos.
A vida perde o gosto, o brilho, o nome.
Nada interessa, nada empolga, nada move.
Você sabe que está ali, respirando — mas é como se não estivesse em lugar nenhum.

Do outro lado, uma mente que não para.
Pensamentos atropelados, exigências que se acumulam, cobranças que nunca cessam.
Um corpo implorando por descanso, pedindo dias inteiros de sono, semanas de silêncio,
mas forçado a continuar funcionando como se nada estivesse acontecendo.

Entre esses dois mundos, existe o burnout.
A exaustão que não vem só do trabalho, mas do peso de existir quando tudo dói.
É quando o corpo quebra, quando a alma grita, quando não há mais força para fingir.
É quando você percebe que passou tempo demais segurando o mundo com as próprias mãos
e agora mal consegue segurar a si mesma.

E ninguém vê.
Porque por fora você continua andando, respondendo, vivendo.
Mas por dentro… por dentro é um campo de batalha.
Um fogo lento que consome sem fazer barulho.

O que assusta não é só a depressão que apaga,
nem a ansiedade que acelera.
É viver presa entre as duas, sem parar, sem descanso, sem lugar seguro.

É pedir ajuda para dentro e ouvir só o eco.
É pedir sono ao corpo e receber insônia.
É pedir paz e receber pensamentos que machucam.

Esse é o inferno que ninguém entende — o inferno de continuar de pé quando tudo em você já caiu.

"Um homem se julga sempre pelo equilíbrio que obtém entre as necessidades de seu corpo e as exigências de seu espírito".

Conheço com lucidez e sem prevenção as fronteiras de comunicação e da harmonia entre mim e os outros homens. Com isso perdi algo da ingenuidade ou da inocência, mas ganhei minha independência. Já não mais firmo uma opinião, um hábito ou um julgamento sobre outra pessoa. Testei o homem. É inconsistente.
(Como Vejo o Mundo)

De qualquer modo, Gale e eu concordamos que, entre morrer de fome ou com um tiro na cabeça, a bala é bem mais rápida.

Deus fez um número infinito de maravilhas.
Entre todas, tem uma que se destaca pela sua beleza e preciosidade.
Olhe no espelho: você é a obra de arte mais linda que Ele já fez.

A diferença crucial entre deuses e extraterrestres parecidos com deuses não está em suas propriedades, e sim em sua proveniência.

⁠Poema: Vida

A vida é uma caixa de surpresas, dela poderá sair várias surpresas, entre uma delas poderá sair uma com respostas o que tanto queríamos saber. Suas respostas a ti foi respondida e com elas surgiram dúvidas.
Quando mais pensamos que sabemos de tudo e que é desnecessário aprender com as lições da vida e que já aprendemos tudo. Aí que nos enganamos e vem a vida e nos coloca no tabuleiro de xadrez para saber que posições iremos ficar ou se seremos reis, rainha ou torre e quem irá ganhar e quando dá cheque mate é quando ganhou.
Na vida nunca saberemos o que iremos ser ou enfrentar.
Mais vale perder e continuar lutando, do quê desistir e abandonar a guerra.

Poucos entre os homens são aqueles que atravessam para a outra margem. O resto, a maior parte, apenas corre para cima e para baixo na margem de cá.

Há uma diferença entre viver e existir, a primeira você curte e regozija-se com a vida, já a segunda, você é um número ou uma mera e ridícula estatística.

Não procure a perfeição nos amores, porque amor perfeito só existe entre as flores.

Entre os gritos de dor física e os cantos do sofrimento metafísico, como traçar seu estreito caminho estoico, que consiste em ser digno do que acontece, em extrair alguma coisa alegre e apaixonante no que acontece, um clarão, um encontro, um acontecimento, uma velocidade, um dever?

Que mérito há em se esconder dos grandes para se destacar apenas entre os comuns?

ENTRELINHAS

São nas entrelinhas, naquelas finíssimas linhas entre o que existe e o que não existe, que escrevemos a nossa história. São sempre naquelas passagens que pouca gente entende, que pouca gente acredita e que muita gente imagina que nem acontece. Para alguns simples sonhos, para outros apenas impossibilidade. E justamente por ser impossível, por ser simplesmente sonho, por ser inacreditável que vivemos. Porque somos assim... dentro de nós. Acreditando no impossível e escrevendo nossa história. Escrevendo-a sempre... sempre nas entrelinhas; nas finas linhas do real e do imaginário que construímos e criamos os melhores cenários de vida... de verdades, de sonhos e fantasias. Para além de nós... para muito além dos nossos dias.

Quem seria eu para questionar um sentimento, por que era isso que havia entre nós, e que existe ainda hoje. Eu não sei como você sabia, mas sabia, e você fez tudo ficar mais fácil para mim. Você também não me fez perguntas quando eu quis ir embora e andar sozinha, e quando regressei, com os olhos cheios de lágrimas, você sempre soube em que momento eu precisava que você me abraçasse e quando simplesmente devia me deixar a sós. Mas, mais do que isso, eu percebi que tinha sido tola por um dia ter cogitado a idéia de ficar com outra pessoa, desde então nunca mais hesitei. Tivemos dias maravilhosos juntos, e penso muito nisso agora. Às vezes fecho os olhos e vejo você com salpicos grisalhos nos cabelos, sentado, enquanto as crianças brincam ao seu redor. Você foi, ao mesmo tempo, meu amigo e o meu amante, e não sei de qual lado de você eu gosto mais. Tenho grande estima pelos dois lados, assim como tenho grande estima pelo que foi a nossos momentos juntos. Você tem alguma coisa dentro de você, algo belo e forte. Bondade. Você é o homem mais generoso e sereno que conheci. Deus está com você, tem de estar. Sei que você me acha doida por escrever a nossa história, após finalizarmos ela, mas tenho as minhas razões e agradeço pela sua paciência. Vivemos momentos que a maioria dos casais nunca chegaram sequer a conhecer, porém, quando olho para você, fico assustada por saber que tudo isto acabou. Porque ambos sabemos quais são os prognósticos e o que isso significou para nós. Vejo nossas lágrimas naquele estante, e me preocupo mais com você do que comigo mesma. Não tenho palavras para expressar meu sofrimento. Por favor, não fique irritado comigo, nos dias em que não me lembrar de você, e nós dois sabemos que esse esquecimento é necessário. Saiba que eu gosto de você, que sempre gostei e aconteça o que acontecer, saiba que eu tive os melhores momentos de minha vida com você. E se você guardar esta carta para ler outra vez, então acredite no que estou escrevendo para você. Onde quer que você esteja e seja qual for à data de hoje, eu gosto de você. Gosto agora enquanto escrevo esta carta, e gosto enquanto você está ledo esta carta. E lamento muito se não consegui ti dizer isso. Você é, e sempre foi, o meu sonho!

Entre Mim e Ela

Entre mim e ela
Existe um oceano
Peixes, algas, cavalos marinhos
E estrelas do mar.

Entre mim e ela
Existe um céu
Inúmeras estrelas
E uma lua minguante.

Entre mim e ela
Existe um multiverso
Inúmeros cometas, planetas
E um imenso vácuo.

Entre mim e ela
Existe uma multidão
Inúmeras vidas
E tanta gente em depressão.

Entre mim e ela
Existe a filosofia
Kant, Nietzsche, Hume, Platão
Poucas certezas e inúmeras indagações.

Tendemos a nos apegar a uma noção fixa das emoções, como se existisse uma linha entre amar e não amar que pudesse ser cruzada somente duas vezes, no início e no fim de um relacionamento, em vez de transposta minuto a minuto.