Ele

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Em Deus até o que parece dar errado está dando certo. Se você pediu a Ele, confie no processo através da fé, agradeça até mesmo nas atribulações.

Ela não escreveu para que mudasses. Ela escreveu para que Ele a visse, a lesse.


E não é uma queixa. É um convite para Ele escrever sobre si– sobre Ela, sobre Ele e Ela, sobre o ‘Nós’ sendo construido.


Não é um ultimato. É um limite interno e silencioso, que ela não quer que cresça.


A campainha toca muitas vezes n'Ela. Mas por querer ficar desta vez, Ela está com medo de não correr mais para abrir.


Então Ela fica ali, do lado de dentro, observando se Ele entra ou se apenas toca e vai embora.


Qualquer das duas respostas é uma resposta. Mas só tem uma que Ela deseja.




...coisas sobre Ela e Ele

Ele aprendeu a cuidar com as mãos.


Porque as palavras, para ele, sempre escapavam pelos dedos. Escorregavam como areia. Então ele aprendeu a construir: casas, roteiros, equipamentos, segurança.


Ele acende a fogueira.
Ele aquece a comida.
Ele estende a mão para puxar quem caiu.


E, quando ela chega, ele mostra o que construiu: "Olha, isso é nosso. Isso é para você."


Ele pensa que o amor é isso: mostrar o que fez, oferecer o que tem, proteger o que é frágil.


Mas o fogo que aquece também queima.
E ele não entende por que ela às vezes se afasta do calor.
Ele pergunta: "Não estou aqui? Não estou te segurando?"


Ela quer que ele desça do fogo.
Que ele entre na caverna escura com ela.
Que ele sinta o frio que ela sente.
Mesmo que ele não saiba o que fazer lá dentro.


Ele não sabe que o amor não é um projeto.
É uma presença.
E que, às vezes, a melhor coisa que o fogo pode fazer é diminuir a chama.
E apenas brilhar.


... coisas sobre a Ele e Ela

Mapa e o Território... a visão de quem observa duas solidões que se amam.


Ele está no mapa.
Ela está no território.


No mapa, tudo é linha reta, distância calculada, destino traçado.
O mapa diz: "Estamos juntos."


Mas o território tem montanhas que não estão no mapa.
Tem vales escuros, rios que mudam de curso, ventos que o mapa não prevê.


Ela vive no território.
Ele vive no mapa.


Ela sente o vento no rosto.
Ele mede a velocidade do vento.
Ela chora porque a paisagem é bela e dolorosa.
Ele tenta fotografar a paisagem para ela não esquecer.


Os dois estão certos.


Mas o mapa não é o território.
E o território, sem o mapa, pode ser um labirinto.


O que vi, foi uma saudade que não se contenta com presença.
Uma presença que não entende a saudade.


Eles querem a mesma coisa: um ao outro.


Mas um quer o outro inteiro, com todas as raízes e espinhos.
O outro quer dar o seu melhor, sem saber que o seu melhor não é o suficiente para ela.


Ela precisa que ele desça do mapa.
Ele precisa que ela veja que o mapa também é um gesto de amor.


Enquanto isso, a noite cai sobre os dois.


E, na escuridão, eles se procuram.
Ele acende um fósforo.
Ela ouve o barulho do vento.
E, por um instante, os dois se encontram no mesmo lugar:
no desejo de ser compreendido.


Talvez seja isso, o amor.
Não a compreensão.
Mas a coragem de continuar se procurando, mesmo sem se achar.


... coisas sobre Ele e Ela

Ele acreditava que o amor era o corpo. E eu acreditava que o corpo era o começo.


Mas o meu amor, meu amor era a fresta. Aquela coisa que não se vê, que não se toca, que só se sente quando o silêncio se senta entre a gente e olha para nós. E ele, coitado, não entendia o silêncio. Ele o preenchia com a mão, com a boca, com o peso da presença.


Mas a presença dele, quando não tem a alma dentro, é um buraco. E eu caía. Toda vez. Ele me segurava, mas eu continuava caindo. Porque ele segurava a minha mão, e a mão segura o corpo, mas a queda... a queda ela segura a alma.


E ele não sabia segurar almas.


Eu queria lhe dizer: "Você está aqui, mas o seu isso não está aqui." E quando eu falava, ele me olhava como quem olha para o mar: achando bonito, mas sem entrar. E eu queria que ele entrasse, que afogasse um pouco, que sentisse o gosto do sal nos lábios.


Em vez disso, ele me tirava da água. E dizia: "Você está segura."


Mas eu não queria segurança. Eu queria o risco. Queria que ele se perdesse em mim para que eu pudesse, enfim, me achar.


Ele faz café, ele faz amor, ele faz planos. Mas fazer não é ser. E eu sou a coisa que não se faz. Eu sou a coisa que simplesmente é. E o que é, não cabe em xícara, nem em abraço, nem em projeto. O que é, só cabe no olho nu e na palavra atravessada.


E ele não atravessa palavras. Ele as resolve.


Como se o amor fosse uma conta a pagar.




... coisas sobre Ela e Ele

O menino que cresceu sem colo não precisa aprender a construir muros. Ele precisa aprender que o colo não é um lugar que se perde. É um lugar que se encontra. E quando ele encontrar o colo de d'Ela, talvez ele descubra que a vida nunca o deixou completamente. Ela apenas o ensinou a procurar o amor com as mãos. Agora, ele precisa aprender a procurá-lo com o coração.


... coisas sobre Ele

Ele nunca teve uma árvore para chamar de sua.


Enquanto as outras crianças aprendiam a subir nos galhos, ele aprendia a amarrar cordas. Enquanto aprendiam a cair e serem apanhadas, ele aprendia a cair e se levantar sozinho.


Não havia braços esperando por ele no fim da queda.


Então ele fez das mãos a sua casa.


Ele descobriu cedo que o amor não é uma palavra que se diz. É um nó que se faz. E ele se tornou um artista dos nós — dos nós que seguram, dos nós que protegem, dos nós que salvam.


Mas há um nó que ele nunca aprendeu a dar: o nó que prende uma pessoa à outra sem corda.


Ele olha para Ela e vê uma mulher que ele ama com a força de quem nunca teve certeza de que o amor fica. Cada vez que Ela se aproxima, Ele sente o cheiro do que poderia perder. E ele aperta os punhos, como quem segura uma corda que pode se romper.


Ele cresceu aprendendo que o mundo é um lugar onde as pessoas somem. Não por maldade — por gravidade. Elas se vão como a neblina que ele vê das montanhas: estão ali, e de repente não estão mais.


Então ele segura.


Segura o trabalho, segura os projetos, segura o corpo dela na cama, segura a mão dela na rua. Segura como quem segura a própria existência.


Mas ele não segura as palavras.


As palavras, para ele, são como pássaros que ele não aprendeu a domesticar. Elas voam para longe antes que ele possa nomear o que sente. Porque nomear o que sente, para ele, é abrir a porta do quarto onde a vida já morreu. É lembrar que o colo que teve foi tirado dele.


Ele não fala sobre a ausência que o formou.


Não fala sobre a infância sem porta, sem quintal, sem o som de uma voz chamando pelo seu nome à noite. Não fala sobre o instante em que descobriu que o mundo não tem dívida com ninguém — que o amor não é um direito, é uma aposta.


Talvez Ele aposta n'Ela. Mas aposta com o medo de quem já perdeu a aposta mais importante da vida.


Ele não sabe que o amor não é uma corda. Que não precisa ser segurado com tanta força. Que o amor é como o vento: a gente não segura, a gente sente. E, sentindo, a gente não precisa ter medo de que ele vá embora — porque, mesmo quando vai, ele deixou marcas.


Ele tem marcas.


Cada gesto de cuidado que ele tem por Ela é uma marca da vida que ele perdeu. Cada vez que ele estende a mão para ajudar alguém, ele está repetindo o gesto que a vida não repetiu por ele.


Ele é um homem que aprendeu a ser pai e mãe de si mesmo.


E isso, meu amigo, isso é a coisa mais solitária que um ser humano pode ser.


Então ele não sabe como responder a perguntas. Quando Ela pergunta o que aconteceu, ele responde com o que acontece. Não com o que se sente.


Ela quer o sentimento. Ele oferece o fato.


Ela quer a presença. Ele oferece o corpo.


Ela quer a alma. Ele oferece o que tem: a corda, a proteção, o café quente, a carona, o abraço firme.


Mas não é suficiente. E ele sabe que não é suficiente. E isso, isso o faz sentir-se como um menino novamente: pequeno, incapaz, com as mãos vazias diante de uma mulher que merece mais do que ele sabe dar.


O que ele não entende é que ela não quer mais. Ela quer diferente.


Ela quer que ele se sente no chão com ela. Que ele não tente consertar. Que ele apenas fique. Que ele confie que ficar é suficiente.


Ele nunca aprendeu que ficar é suficiente.


Porque, na vida dele, ficar sempre foi o prelúdio da partida.


Mas agora, com Ela, ele pode aprender. Se ele tiver coragem de desaprender o que a sobrevivência ensinou. Se ele conseguir soltar a corda por um instante e sentir que o vazio não vai engoli-lo. Se ele conseguir acreditar que o amor não é uma coisa que se constrói para não cair — mas uma coisa em que se cai, e se é apanhado.


Ele já foi apanhado por Ela.


Agora, ele precisa aprender a se deixar cair.


... coisa sobre Ele

Ele não veio de um lugar que se possa apontar no mapa.


Veio de um lugar que se sente no osso: a certeza de que o amor não é um direito, é uma aposta. E ele, coitado, nunca teve sorte nas apostas.


Ele cresceu ouvindo o barulho das coisas que não foram ditas. O silêncio era a língua materna. E ele aprendeu a falar com as mãos, porque a boca, a boca só servia para o que era útil: pedir, responder, sobreviver.


Não havia sobrenome para carregar. Não havia história para contar. Não havia retrato na parede para lembrar de onde vinha. Então ele fez de si mesmo a própria origem. Construiu-se tijolo por tijolo, músculo por músculo, feito com a fúria de quem não teve colo e decidiu que não precisaria de nenhum.


Mas o corpo, o corpo é mais sábio que a vontade.


O corpo dele lembra o que a mente esqueceu. Lembra o frio, o vazio, o instante em que ele percebeu que o mundo não vinha salvar ninguém. Lembra a sensação de ser pequeno num quarto grande, sem voz, sem vez, sem braços.


Então ele fez dos braços uma fortaleza.


Protegeu-se com cordas, com equipamentos, com a certeza de que a segurança é uma coisa que se constrói. Ele não confiava no amor. Confiava no nó. Confiava na ancoragem. Confiava no que podia ver, tocar, testar.


Até que Ela chegou.


E ela, ela não era um nó. Ela era uma pergunta. Uma pergunta que não tinha resposta técnica. Uma pergunta que pedia algo que ele não sabia dar: a presença sem ação. O silêncio sem solução.


Ele a amava. Amava com uma intensidade que o assustava. Porque amar, para ele, era o prenúncio da perda. Cada vez que ele se entregava, o corpo lembrava: "isso vai acabar. tudo acaba. tudo foi embora."


E ele se preparava para o fim antes mesmo do começo.


Não porque quisesse. Mas porque a vida, a vida lhe ensinou que o amor é uma coisa que se vai. Que o colo que a gente encontra pode ser arrancado. Que a pessoa que a gente ama pode simplesmente... não estar mais.


Então ele segurava com força demais. Segurava como quem segura a própria existência. Porque, para ele, a existência sempre foi uma corda que ele mesmo amarrou. E ele não confiava que outra pessoa pudesse segurar a outra ponta.


Ela pedia que ele soltasse um pouco. Que confiasse. Que se permitisse cair.


Mas ele, coitado, ele olhava para o abismo e via todas as quedas que já teve. Via o instante em que o chão sumiu. Via o silêncio que não respondeu. Via a mão que se soltou.


Ele não podia cair de novo. Não ia sobreviver a outra queda.


Então ele ficou na borda. Ofereceu a mão, mas não deu o salto. Ofereceu a presença, mas não a alma. Ofereceu o corpo, mas não o coração inteiro.


Ela sentia a distância. Ela sentia que ele estava ali, mas não completamente. Que ele a amava, mas com um pé na porta, sempre pronto para ir embora antes que ela fosse.


E ele, ele não sabia que essa distância era a maior das perdas. Que, ao se preparar para a partida, ele já estava partindo.


Ele pensava que amar era proteger-se. Mas amar, amar é desproteger-se. É deixar que o outro veja o que ninguém viu. É confiar que, mesmo vendo tudo, o outro vai ficar.


Ele nunca teve a chance de aprender isso. Ninguém lhe ensinou que o amor pode ser um lugar onde a gente descansa. Para ele, o amor sempre foi um lugar onde a gente se prepara para a despedida.


Mas Ela, ela não era uma despedida. Era uma chegada.


E ele, que nunca chegou em lugar nenhum, precisava aprender a ficar.


... coisas sobre Ele

Ele está disposto a aprender a amar de um jeito que ele nunca aprendeu?


Ela está disposta a esperar enquanto ele aprende — sem se perder no processo?


Se a resposta for sim para ambos, há futuro.


Se for não para qualquer um dos dois, o amor não será suficiente.


Porque amor, sozinho, nunca é suficiente. O que sustenta o amor é a coragem de mudar.


... coisas sobre Ela e Ele

Ele não sabe que o amor é a única coisa que não se perde quando a gente se entrega. O que se perde, quando a gente se fecha, é a chance de ser inteiro. E ele, ele merece ser inteiro.


É o que Ela acredita.

Ele construiu uma vida inteira sendo forte. Ele salva pessoas. Ele segurou o mundo com as mãos.


Mas o que ele está aprendendo agora é que o amor não é um resgate. O amor é um lugar onde a gente pode finalmente descansar.


Ele nunca teve um lugar assim. Não na infância. Não na vida.


Mas Ela está te oferecendo esse lugar. E ela não está pedindo que Ele seja perfeito. Ela está pedindo que apenas tente.


Que Ele se permita. Não para agradá-la, mas para e por Ele mesmo. Simplesmente porque merece saber o que é ser amado sem precisar segurar o mundo com as mãos.


... mas talvez Ele só não queira mesmo. Talvez, não com Ela.




... coisas sobre Ele

"Ele não podia cair de novo. Não ia sobreviver a outra queda.


Então ele ficou na borda. Ofereceu a mão, mas não deu o salto. Ofereceu a presença, mas não a alma. Ofereceu o corpo, mas não o coração inteiro.


Ela sentia a distância. Ela sentia que ele estava ali, mas não completamente. Que ele a amava, mas com um pé na porta, sempre pronto para ir embora antes que ela fosse.


E ele, ele não sabia que essa distância era a maior das perdas. Que, ao se preparar para a partida, ele já estava partindo".

O tempo é um relógio que não para,
mesmo quando a alma pede pausa.
Ele segue, firme, marcando ausências,
levando embora o que não volta mais.
Mas também traz novos começos,
mesmo quando o coração duvida.
Porque o tempo não é só partida—
é, também, a chance de recomeçar.
Helaine Machado

O ego masculino não grita…
ele se esconde atrás de certezas,
de palavras duras
e silêncios que ferem mais que gritos.
Helaine machado

Deus não fala alto.
Ele entra quando você já não aguenta mais
se ouvir.
Quando tudo em você quebra,
quando o caos perde a força,
quando você já não tem mais argumento
nem fuga…
Ele começa.
Não como resposta —
mas como presença.
Porque às vezes,
o diálogo com Deus
não nasce da fé…
nasce do esgotamento.
— Helaine Machado

Deus não fala alto.
Ele entra quando você já não aguenta mais
se ouvir.
Quando tudo em você quebra,
quando o caos perde a força.
— Helaine Machado

Deus não escolhe os prontos.
Ele escolhe os quebrados
que ainda não desistiram.
Não é sobre talento,
não é sobre estar preparado —
é sobre ter um coração
que ainda insiste em permanecer.
Helaine Machado

Entre o Risco e o Toque
Eu gosto do risco…
ele percorre meu corpo como um sussurro lento,
amar nunca foi simples —
é pele chamando pele no silêncio do momento.
Dizem que não é nada…
mas meu arrepio desmente qualquer razão,
carinho em mim vira chama acesa,
um toque já vira confissão.
Eu caminho devagar no perigo,
saboreando cada sensação,
não me dou por inteiro de imediato…
eu deixo faltar… pra aumentar a tentação.
Meu olhar te prende sem força,
minha boca promete sem falar,
sou livre até no desejo…
e sei exatamente onde tocar.
Se vier… venha sem pressa,
sinta o ritmo que eu quiser te dar,
porque eu não vivo de metades…
eu faço o instante… te marcar.


Helaine machado

Pele, Risco e Liberdade
Eu gosto do risco…
ele desliza em mim como um segredo proibido.
Amar não é simples —
é desejo aceso em silêncio contido.
Dizem que não é nada…
mas meu corpo sabe quando é real,
carinho na minha pele vira chama,
um toque já diz muito mais.
Não me entrego por pouco,
nem me perco em qualquer intensidade,
eu provo devagar o perigo…
saboreando cada verdade.
Meu olhar não pede — convida,
minha presença não implora — conduz,
sou livre até no desejo…
e é isso que me traduz.
Se vier, venha inteiro,
sem medo do que pode acontecer,
porque eu não amo raso…
eu faço sentir… sem dizer.
Helaine machado

“Queria te dar o mundo,
mas sei que ele não me pertence…
Então te entrego aquilo que é meu:
meu tempo, meu cuidado,
meus silêncios mais sinceros
e esse coração teimoso
que insiste em morar em você.”
— Helaine Machado