Ela é...
A esperança é uma visita inesperada, ela senta em silêncio, não promete nada, mas sua presença torna o ar menos pesado.
A dor é o único mestre que nunca mente, ela nos despe de todas as vaidades até que sobre apenas o osso da nossa fragilidade radical.
O mundo exige uma produtividade que minha dor desconhece, pois ela opera em um fuso horário onde o segundo é uma eternidade de esforço apenas para respirar. Sou um desertor dessa guerra pela felicidade compulsória, preferindo a paz de ser apenas um resto de esperança.
Carregar a própria alma é o trabalho mais pesado do mundo, especialmente quando ela insiste em se encher de pedras coletadas em caminhos que já deveriam ter sido esquecidos. Cada passo é uma negociação com a gravidade, um pedido de clemência ao chão que parece me puxar para baixo.
A poesia não salva ninguém do abismo, mas ela nos dá uma lanterna para que possamos descrever os monstros enquanto caímos. É a arte de cair com elegância, transformando o impacto inevitável em uma estrofe que o mundo lembrará quando não estivermos mais aqui.
O tempo não cura, ele apenas anestesia a ferida até que ela se torne uma cicatriz rígida, que dói sempre que o tempo muda ou que a alma esfria. Não acredite em quem diz que o tempo resolve tudo, o tempo apenas acumula poeira sobre o que não tivemos coragem de limpar.
A consciência não permite descanso completo, porque mesmo no silêncio ela continua ativa, revisando, questionando, reconstruindo, como se existir fosse um trabalho que nunca termina.
Há uma solidão que não depende da ausência de pessoas, ela se instala mesmo em meio à presença, porque não é sobre estar acompanhado, é sobre ser compreendido, e isso é algo que raramente acontece de verdade.
A dor não chegou de uma vez, ela foi construída, em camadas tão sutis que quase passaram despercebidas, até que um dia percebi que já não era mais o mesmo, mas também não era alguém completamente perdido.
A justiça na terra não desce do céu como um raio de luz, ela germina em silêncio, como semente lançada em solo firme, cultivada pelas mãos daqueles que se recusam a ser cúmplices da opressão silenciosa. Cada palavra dita em defesa da verdade é mais do que um gesto humano, é como uma centelha de luz que insiste em brilhar mesmo nas sombras, erguendo, pouco a pouco, um lugar onde a dignidade não é apenas lembrada, mas vivida. Há uma voz mansa que sussurra no íntimo, convidando à retidão mesmo quando ninguém vê, lembrando que a verdadeira justiça começa no invisível, nos gestos pequenos e nas escolhas solitárias. Não espere por um julgamento final para ser justo, faça do seu próprio caminho um testemunho vivo, onde cada atitude carrega o peso de algo maior do que si mesmo, como se, em cada decisão, o eterno tocasse o instante.
- Tiago Scheimann
A dor não me destruiu, ela me desfez em mil pedaços e foi ali que eu aprendi a me reconstruir de formas que jamais imaginei.
A vida não me moldou com cuidado, ela me atravessou até que eu descobrisse o que em mim era inquebrável.
Existe uma esperança que não salva, ela não acende luz alguma. Não guia, não aquece, fica ali, mínima, quase ausente, como a fresta estreita por onde o ar insiste em entrar quando tudo já deveria ter sufocado. É estranha, silenciosa, não promete futuro, nem redenção, apenas suspende o fim. Há dias em que ela pesa mais que o próprio desespero, porque continuar, mesmo sem horizonte, exige um tipo de coragem que ninguém celebra, um tipo de fé que não se nomeia. Ainda assim, ela permanece, como um resto de pulso sob a pele fria, como um corpo que não sabe mais viver, mas também não aprende a desaparecer, não é luz, mas também não deixa escurecer.
- Tiago Scheimann
Escrevo para que o sangue não estanque dentro do peito, transformando a dor em tinta para que ela pare de corroer os órgãos e passe a habitar o papel, onde o sofrimento se torna arte e o peso do mundo parece, por um breve segundo, um pouco mais fácil de suportar.
Cuidado com as feridas que você causa nos outros; a dor não apenas fere, ela tem o poder de reescrever a alma de alguém.
Existe uma solidão que não nasce da ausência de gente. Ela cresce no intervalo entre o que sinto e aquilo que consigo transformar em palavras. É como viver preso a um idioma que ninguém ao redor entende. E, nesse desencontro, vou me traduzindo em silêncio para não desaparecer.
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