Ela
*Se ela vai e volta...*
O problema não tá só nela. Nem só em você.
Tá na dança que os dois criaram.
Ela volta porque sabe que tem porta aberta.
Você aceita porque a saudade violenta grita mais alto que o orgulho.
É igual tomada e fio desencapado.
Um dá o choque, o outro encosta de novo.
*Quem tá errado?*
Ela, por brincar de vai e vem com sentimento que não é brinquedo.
Você, por confundir "voltar" com "ficar".
E os dois, por achar que tempo junto apaga padrão repetido.
O pior não é ela ir.
O pior é ela voltar e você fingir que dessa vez vai ser diferente.
E o pior do pior é você já saber que não vai.
Amor não é teste de resistência, meu irmão.
Se virou vai-e-volta, virou elástico.
E elástico estica, estica... até arrebentar na cara de alguém.
A real é: o problema tá em quem não escolhe de vez.
Ficar ou ir. Amar ou soltar.
Esse meio-termo mata os dois devagar.
E eu te pergunto de verdade:
Quando ela volta, ela volta pra somar... ou volta só pra você não esquecer ela?
(Saul Beleza)
condenado sem culpa.
que culpa ela teve
se eu não soube amar?
nenhuma.
ela veio inteira,
eu vim com medo.
ela veio com tempo,
eu já vinha atrasado.
A vida foi curta
para nós dois,
e longa demais
para o que eu não fiz.
Agora carrego
o que não dei:
o amor que ficou preso
na garganta.
e ela se foi
leve,
sem culpa.
e eu fiquei,
condenado
não por ela,
mas por mim, que não soube dizer o quanto amei.
(Saul Beleza)
Não tenha medo da morte; ela não dói. O que pode doer é o que vem depois dela. E o que vem depois, você decide enquanto vive.
Quando uma sociedade abandona a discussão de ideias e passa a discutir pessoas, ela assina sua própria falência intelectual. O analfabetismo funcional não está apenas em não compreender palavras, mas em não compreender pensamentos. A alienação vence quando o indivíduo reage ao mensageiro e ignora a mensagem. Criticidade não é criticar tudo; é ter consciência suficiente para questionar até aquilo que se deseja defender. Uma mente que não debate ideias transforma-se em torcida, e toda torcida sem reflexão é apenas uma multidão esperando alguém pensar por ela.
A liquidez das relações humanas não apenas dissolveu os vínculos; ela liquidou o compromisso, o pertencimento e a profundidade. Criamos uma sociedade onde pessoas são tratadas como produtos, afetos como assinaturas temporárias e lealdades como opções descartáveis. No mundo onde tudo pode ser substituído, o ser humano acabou substituindo aquilo que jamais deveria ser negociável: a capacidade de permanecer.
As pessoas costumam admirar a inteligência quando ela já se transformou em história. Enquanto está viva e questionando nossas certezas, ela pode causar desconforto. Não porque a verdade seja necessariamente ofensiva, mas porque poucas coisas são tão desafiadoras quanto perceber que nossos castelos mais sólidos talvez tenham sido construídos sobre areia.
“Quando a educação proíbe o pensamento de pensar o próprio pensamento, ela deixa de ser educAÇÃO para se tornar condicionAÇÃO.”
“Quando a educAÇÃO recompensa a repetição e pune o questionamento, ela não forma seres humanos; aperfeiçoa algoritmos de carne.”
“O último cárcere não é a mente, mas a identidade que ela convenceu você a defender como se fosse você.”
Para trazer uma palavra para um poema
é preciso conhecer bem o sabor dela;
ela é o pé de alguém na situação...
Entrelaçando pensamentos uma poesia
constrói seu poema
Seguro nas palavras ela bota seu ritmo
Gerando o olhar que se agrada com
o eclodir de frases elaboradaspra provocar pensamento que não
se solte desse jeito
A poesia cuida do olhar com versos viciosos
No poema no alto das palavras
ele olha...
A abundância de jeito...
com que palavras
empolgam...
Foi no alfabeto pegar madeira
para a fogueira indispensável da imaginação, com ela já acesa desfrutar a beleza do cair da noite em cena...
na segurança do fogo que afugenta
a falta do que dizer — inseto que infesta —
se falta letra para o fogo... com letras suficiente para o texto todo, o aventureiro desfruta da poesia das estrelas ao calor da fogueira que arde na imaginação. Noite adentro em cada frase uma estrela compartilhado paixão.
Leonardo Mesquita 24/11/2025
Poesia
Poesia: são palavras bêbadas
sedentas de mais um gole
mesmo já acabado a festa
elas comovem com tal
entrega ao acontecido
melosas ao ouvido
mais um gole da cachaça
desse poeta: saúde
pro ouvido
Leonardo Mesquita
Com um bom raciocínio martelar o pensamento dando pernas a uma frase... colocando sobre ela delícias da linguagem e, reunindo em torno dela leitores famintos, pregada com esmero assim ela conforta a imaginação dos convidados a baterem pernas, nas delícias da linguagem, puxar conversa e sentar-se à mesa — o papo rolando
e o raciocínio toc! toc!ler é abrir a mente... como pregos na mão de carpinteiro pensamentos sustentam poemas e na alegria dessas palavras
em torno dessa mesa, mesa cara de imagens (de madeira) das terras das letras...
Leonardo Mesquita
O poeta acha uma resposta, que ele tava procurando, ele a pega com o valor que ela tem, enquanto nem a pergunta passa na cabeça de quem não se importa,
o poeta com a jóia ambiciosa na ponta da língua se apronta pra chamar a atenção, aí, ele responde a quem não
pergunta — como isso fará efeito na
cuca que não malha pra levantar
uma questão que pesa cara
e coração... o poeta acha respostas
como encontra perguntas
numa cabeça oca...
caisa rara...
(Leonardo Mesquita)
Não sou o dono da verdade, assim como nenhum ser humano possa ser.
A verdade não tem dono, ela é a própria essência do unigenito filho do SOBERANO E ETERNO E ALTÍSSIMO PAI CELESTIAL.
Sua graça constrange o meu ser.
E que nada, definitivamente nada, faço por esse dom eterno merecer.
A Casa Vazia
Existe uma casa dentro de cada ser humano. Ela não tem endereço, não aparece nos mapas e não pode ser construída por outra pessoa. É feita de memória, silêncio, desejo e consciência. É o lugar onde a nossa voz ainda é nossa. Quando somos capazes de habitá-la, conhecemos seus corredores, sabemos onde guardamos nossas alegrias, onde escondemos nossos medos, quais portas evitamos abrir e quais janelas deixamos voltadas para o mundo. No centro dessa casa existe uma chama pequena e silenciosa. É ela que nos diz: “Você está aqui.”
O problema começa quando deixamos a porta aberta por tempo demais. Lá fora, o mundo não pede licença. Ele chama, acende luzes, oferece promessas, produz urgências, entrega desejos prontos e mostra vidas cuidadosamente enquadradas. E nós saímos. Primeiro por curiosidade, depois por desejo, depois por hábito, até que um dia percebemos que estamos há tanto tempo do lado de fora que já não lembramos como era estar em casa.
Não fomos expulsos. Essa talvez seja a parte mais difícil de admitir. Nós mesmos fomos nos afastando. Trocamos o silêncio pelo ruído, a presença pela distração, a experiência pelo espetáculo e a própria voz pelo eco das vozes alheias. Começamos a conhecer a vida de pessoas que nunca encontramos, a acompanhar histórias que não são nossas e a reagir a acontecimentos que não podemos tocar, enquanto alguma coisa dentro de nós espera, em silêncio, para ser percebida.
Os espelhos se multiplicam. As telas iluminam rostos, as comparações entram pelas janelas e os sucessos alheios tornam-se medidas para a nossa própria existência. Sem perceber, começamos a perguntar menos “Quem sou eu?” e cada vez mais “Como estou sendo visto?”. Parece uma mudança pequena, mas é profunda. Quando o olhar dos outros se transforma no nosso principal espelho, começamos a construir a própria identidade do lado de fora. E uma casa construída pelo olhar alheio nunca permanece verdadeiramente nossa.
Então precisamos de mais: mais reconhecimento, mais aprovação, mais intensidade, mais alguma coisa que faça silêncio dentro de nós. Quanto mais procuramos, porém, menos encontramos. A casa permanece vazia não porque não exista nada dentro dela, mas porque ninguém está lá para perceber.
O abandono de si não acontece de uma só vez. Ele acontece em pequenas ausências: quando ignoramos aquilo que sentimos, quando dizemos “está tudo bem” sabendo que não está, quando seguimos uma direção apenas porque todos estão seguindo, quando confundimos desejo com necessidade, quando nos distraímos para não pensar ou quando falamos tanto que já não conseguimos ouvir a própria voz. A poeira se acumula, não sobre os móveis, mas sobre a memória de quem somos.
Chega então um momento em que o silêncio assusta. Depois de tanto ruído, ficar sozinho consigo mesmo pode parecer entrar em uma casa abandonada. Mas talvez o silêncio não seja vazio. Talvez seja apenas o espaço onde aquilo que foi abafado finalmente pode ser ouvido.
É ali que começa o retorno. E o retorno não exige grandes gestos. Não precisa de espetáculo, de uma nova vida ou de uma nova versão de nós mesmos. Começa pequeno: sentar, respirar, escutar, perguntar e permanecer tempo suficiente para ouvir a resposta. “O que está acontecendo dentro de mim?” Talvez ela venha baixa, talvez confusa, talvez acompanhada de coisas que preferíamos não encontrar. Não importa. A casa precisa ser reaberta.
Um cômodo de cada vez. Uma lembrança, um sentimento, uma verdade, uma escolha, uma janela. Até que a luz volte a entrar.
E então descobrimos algo essencial: voltar para si não significa abandonar o mundo. Pelo contrário. É somente quando sabemos onde estamos que podemos verdadeiramente encontrar alguém. É somente quando reconhecemos a nossa própria voz que conseguimos escutar outra pessoa sem desaparecer dentro dela. É somente quando conhecemos os nossos limites que conseguimos respeitar os limites do outro.
Uma casa habitada não é uma prisão. Tem portas, janelas e espaço para receber. Escuta o mundo, celebra, ama, aprende e acolhe, mas sabe quem possui as chaves. As paixões podem entrar sem incendiar a casa. As ideias podem entrar sem ocupar todos os cômodos. A opinião dos outros pode ser ouvida sem se transformar em sentença. O mundo pode atravessar nossas janelas sem se tornar proprietário da nossa existência.
Talvez maturidade seja isso: não fechar a porta para o mundo, mas deixar de viver permanentemente do lado de fora.
Precisamos sair. Precisamos experimentar, amar, errar, conhecer outras paisagens e encontrar outras pessoas. Mas precisamos também voltar. Voltar quando o mundo estiver barulhento demais. Voltar quando a aprovação já não bastar. Voltar quando percebermos que estamos vivendo para sustentar uma imagem que não reconhecemos. Voltar quando ninguém estiver olhando. Voltar simplesmente porque sentimos falta de nós mesmos.
Talvez essa seja a verdadeira casa: não o lugar onde nos escondemos do mundo, mas o lugar a partir do qual conseguimos habitá-lo sem nos abandonar.
No fim, não precisamos construir uma nova casa. Ela já existe. Talvez esteja apenas silenciosa. Talvez tenha algumas janelas fechadas. Talvez haja poeira sobre aquilo que um dia foi importante. Mas a chama ainda está lá, esperando.
E talvez ela não diga muita coisa. Talvez diga apenas: “Volte.”
Quando voltamos, percebemos que nunca estivemos realmente perdidos. Estávamos apenas longe demais para ouvir a nossa própria voz.
A porta sempre foi nossa. A casa sempre esteve lá. E a luz nunca deixou de esperar por nós.
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