Ela
Se a moral fosse filha do medo, ela desapareceria na ausência de vigilância; mas o amor a mantém mesmo no silêncio.
Conservadores defendem a vida com fervor, desde que ela ainda esteja no útero e não pertença a imigrantes, pobres ou minorias.
Deus é aquela avó que nunca está satisfeita. Ela ignora o resto do buffet e vai direto nas almas mais espiritualizadas, porque, depois de bilhões de anos, o paladar divino ficou exigente demais para qualquer coisa que não tenha gosto de nirvana.
A consciência não contradiz a matéria; ela é o que a matéria faz quando aprende a se relacionar consigo mesma.
Se existe uma divindade, ela é o Cérebro de Boltzmann perfeito: uma consciência feita de matéria imortal, regida pela mesma lógica que sustenta os átomos. Ele não criou as leis; ele é a manifestação suprema delas.
A religião não ilumina: ela interrompe o amadurecimento espiritual, intelectual e moral da humanidade.
Se existe uma divindade, então ela é a única consciência real e todas as outras são apenas simulações menores, como se sente sabendo que você não é real?
Mesmo que existisse uma divindade, não segue logicamente que ela precise criar um paraíso; essa ideia é apenas um desejo humano egoísta de autopreservação.
Se a fé for movida apenas pelo desejo de salvação, ela não passa de um desejo egoísta, revelando que, no fundo, ninguém ama deus de verdade.
A religião a transforma culpa em virtude e depois cobra para aliviar a culpa que ela mesma inventou.
