Efemeridade
Muitas coisas efêmeras perduram mais que as materiais. A fugacidade gruda na memória dessa e de todas as vidas...
A minha existência é um pequeno clarão,
Que brilha por instantes na vastidão,
E ilumina a noite fugazmente sem pedir permissão.
Sou um relâmpago que não sabe por que surge,
Um lampejo que não questiona seu destino.
A vida é simples, como a luz de uma vela ao vento,
E eu sou apenas o que sou, sem intenção ou lamento.
As estrelas observam-me sem curiosidade,
Assim como eu observo o campo, a árvore, o rio.
Nada tem propósito além de ser,
E nesse ser, encontro minha paz e meu viver.
Não há mistério no clarão que sou,
Não há desejo de eternidade ou de compreensão.
Sou um instante de luz na escuridão do mundo,
E isso basta, sem razão, sem ilusão.
A vida não se pede, nem se rejeita,
Apenas se é, como o sol, como o mar.
E ao findar do meu brilho, algo persiste,
Pois na vastidão, meu clarão resiste.
Ser é suficiente, ser é tudo,
E o pequeno clarão que sou,
Ilumina outros caminhos na escuridão,
Deixando uma fugaz e efêmera recordação.
"Desconheço meu futuro, mas em relação a todo restante posso prevê-lo com precisa exatidão, inobstante quais sejam nossos desejos, absolutamente tudo e todos passarão."
Sejamos fluidos como o acalento de uma música suave, mas sólidos na capacidade de perceber que os momentos felizes são efêmeros e precisam ser aproveitados ao máximo.
Outono
Outono! As folhas douradas, em queda livre,
Espalham-se dançando com o vento,
Num frenesi de liberdade.
São cores, formas,
Vida que se vai,
Mas que não perde a beleza em seu movimento.
As árvores despem-se lentamente,
E o chão se torna um mosaico
De formas e cores.
Um tapete dourado de memórias e saudade,
Ecoando em cada passo
Do caminhante sonhador.
As folhas que caem
São como páginas de livros,
Que contam histórias de um tempo que se foi,
Sussurradas no ouvido
Pela brisa outonal.
Com suas folhas amarelecidas,
O outono lança seu convite à reflexão:
A se despir das certezas,
E olhar atentamente para os ciclos da existência,
Para a impermanência da vida.
E encontrar, no chão,
A beleza da efemeridade da essência.
(Outono)
"Não são os bens materiais que amealharmos, os rótulos profissionais que utilizarmos, ou o reconhecimento vaidoso e fugaz que conquistarmos, absolutamente nada disso é perene, ou capaz de marcar a nossa história.
Apenas o bem que plantarmos nos corações das pessoas, esse será para sempre, o nosso exclusivo, único e verdadeiro legado."
"Nossas vidas são efêmeras, nossos passos são contados em caminhos que escolhemos por trilhar, no semear de amor, lealdade e compaixão, e a gratidão pelo que colher e o que plantar."
"A generosidade é um dos atributos humanos mais complexos, o espírito do tempo presente nos instiga a sermos cada vez mais individualistas e agirmos motivados tão somente por nossos próprios interesses, lamentavelmente.
Ainda assim você já se deu conta do quanto de sua felicidade não advém de si, mas da parcela de alegria proporcionada ao seu próximo?
É por isso que a comemoração da vitória em um campeonato não se faz apenas pelo time, mas com toda sua torcida.
Bom mesmo não é o que você acumula, mas o que compartilha, não é o que retém, mas o quanto se dá, ao fim e ao cabo, não são nossos bens materiais perecíveis e efêmeros, mas a memória das boas histórias que houvermos plantado no coração das pessoas, essas serão o nosso único e verdadeiro legado."
"Nossa jornada é efêmera, sozinhos chegamos e solitários partimos, inobstante isso, entre esses dois pontos, são nossas amizades que dão cor e sabor para todo esse extraordinário transeunte."
Não estamos prontos, e é preciso aceitar a verdade que vamos concluir nossa jornada ainda inacabados.
Por isso é tão importante ter em vista a beleza de todo esse processo que nos eleva em conhecimento, do tempo, do outro e, sobretudo, de si, fazendo disso a primeira e última razão para vivermos intensamente cada momento deste grande e indecifrável mistério.
"Quão infantil e sem sentido são nossas tentativas de tentar controlar tudo a nossa volta.
É preciso ter em vista o quanto somos efêmeros, frágeis e incapazes até mesmo de compreender as nuances desse indecifrável mistério envolto a esta sinfonia perfeita regida por Aquele que, antes e sendo tudo, por generosidade, primeiro nos amou."
Caminhos da Jornada
Na efêmera existência, a dificuldade,
Passagem breve, mão que toca a cena,
Não mora em nós, mas é a realidade,
Busca da vitória, na dor serena.
No palco da vida, sou navegante,
Viciado em recomeços, sem demora,
Exploro ciclos a cada instante,
Em busca do saber e da luz que aflora.
Nas trilhas da jornada itinerante,
Traço meu caminho com esperança,
Desbravando, sem temor constante,
Em busca da verdade que se lança.
Como um verso que se tece na alma,
Caminhante de mundos de múltiplas faces,
Em cada recomeço a minha alma,
Desvenda o EU em diferentes fases.
Um pensamento que sempre levo comigo. Lembrar da mortalidade é o que me faz tentar viver e aproveitar cada momento ao máximo, porque nunca sei quando será o último. Igual a quando joguei bola a última vez ou brinquei na chuva com os outros meninos da rua onde morei na infância, não sabia que seria a última vez.
A efemeridade da vida traz consigo uma beleza um tanto mórbida, mas também tão sublime e primorosa, pois nada se repete exatamente da mesma forma, nada é sentido da mesma forma, ninguém ama ou é amado da mesma forma, um sorriso nunca é o mesmo apesar de sua essência.
A beleza da vida é justamente esse poder de irrepetibilidade e finitude.
Tínhamos tudo o que precisávamos Mas o que não sabíamos na época é que nada dura pra sempre.
Dar graça por cada sopro, enxergar o lado bom de cada situação, e sorrir consigo mesmo em meio aos momentos de dificuldades, são pequenas atitudes que nos garantem, senão a eternidade, posto o efêmero, decerto ao menos a nossa paz, então perene.
