E Ruim Nao poder Falar o q Pensa
Sou feita de fragmentos indomáveis,
de partes que sangram poesia e sobrevivem ao caos.
Não sou calma, sou mar em ressaca,lucidez após o excesso,
sou o que fica quando tudo vai.
Carrego amores mal resolvidos no bolso,
cigarros que nunca acendi, promessas quebradas no fundo do peito, feito cacos jogados no asfalto da memória.
Tem dias que me reconheço inteira no espelho,
noutros, só estilhaços.
Mas ainda assim eu vou
de salto, de risco, de coragem torta,
porque parar nunca foi opção.
Me perco fácil nos olhos de quem sente demais,
me encontro rápido na música alta,
num verso cru, num gole amargo,
num “fica” dito sem planejamento.
Sou feita de falhas bonitas,
de ruínas que aprenderam a florescer.
E mesmo em pedaços, eu ardo,
eu canto, eu erro, eu amo
porque ser inteira nunca foi sobre perfeição,
sempre foi sobre ser.
"Se alguém te falou algo de mim. Das duas uma: ou você não me conhece o suficiente ao ponto de me defender ou você nem merece me conhecer."
A vida escapa às fórmulas perfeitas: nela, união e separação não seguem regras fixas, mas dançam conforme a imprevisibilidade do tempo, lembrando-nos de que o sentido das coisas raramente se revela na lógica, e quase sempre no mistério.
"O Silêncio de Não Ser Pai"
Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.
Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.
O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?
Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.
Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.
Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.
O mundo não testemunha suas guerras internas nem responde às suas dores. Por isso, faça de si o próprio motivo: lute, atravesse o caos e vença sem precisar ser visto.
O homem vive sob um pacto silencioso: suportar tudo e não reclamar de nada. Desde cedo, aprende que sua dor não importa, que fraqueza é vergonha e que pedir ajuda é quase um crime. Cobram dele força, estabilidade, solução — mas ignoram completamente o que ele sente.
Quando cai, é julgado. Quando falha, é descartado. Quando sofre, é mandado engolir seco. Seu valor não está em quem ele é, mas no que consegue entregar.
No fim, o homem não é visto como humano, mas como ferramenta. E quando quebra, simplesmente substituem.
A pior pobreza é a espiritual — não aquela que se mede em cifras, mas a que se revela na indigência da alma: quando o homem, já destituído de si, abdica da própria consciência e se acomoda na confortável degradação do nada. É a miséria de espíritos que, incapazes de sustentar um pensamento elevado ou um gesto autêntico, refugiam-se na mediocridade coletiva e ainda a celebram como virtude. Nessa falência íntima, o indivíduo apodrece em silêncio, e a sociedade, cúmplice, erige sua decadência como norma — um coro de consciências anestesiadas, onde a ausência de grandeza já não constrange, apenas se reproduz.
O não regenerado não consegue por si só se libertar dos desejos pecaminosos, ele sempre estará inclinado para hábitos, pensamentos e atitudes que o destroem e o separam de Deus. O pecado é o padrão habitual e a identidade de uma pessoa não regenerada.
Não podemos espalhar aquilo que não possuímos. A transformação do mundo começa obrigatoriamente dentro de nós.
Deus quer ser manifestar, mas não conseguimos passar nem mesmo alguns minutos em sua presença, Deus quer que o seu povo o conheça, mas não temos feito nada para mudar isso, nossas agendas estão cheias, estamos tendo tempo para tudo menos para sua presença.
A roda rodou novamente, e eu me tornei absolutamente feliz. Mas a felicidade não dura quando não temos conscientes da infelicidade. Por isso eu coloquei uma pista no continuum espaço/tempo para me despertar: tudo está vivo!
Tantos morreram para que estivéssemos aqui..Não há pressa, apenas precisamos fazer com que todos sejam exatos, corretos. Urge viver como artista para construir o mundo. Para isso é preciso graça, virtude e fecundidade. E também termos humildade para aceitar tão grande ocupação. Tudo é uma forma de interpretar.
O mundo é simples para os que não têm imaginação e para quem a que têm. Qual será a diferença? É que as pessoas que não têm imaginação não fazem perguntas.
Estamos cheios de resíduos de coisas que nos incomodam por não terem mais validade, mas que teimam em se manifestar.
A consciência plena é fácil de se alcançar, basta não fugir dela. A consciência plena é aqui, agora.
PARA ESQUECER
O sofrimento do passado não é verdadeiro, porque o sofrimento não é verdadeiro. A dor é uma necessidade de não estarmos aqui, agora. Produzimos dor porque queremos que o passado exista agora. Tudo é apenas confusão.
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