Dói
Dói ver como o "bom dia" diário virou um silêncio gelado, e perceber que o afeto que antes transbordava, tornou-se unilateral. É triste aceitar que aquela cumplicidade virou apenas uma lembrança de alguém que escolheu se afastar e deixar a relação morrer.
“Há uma diferença entre estar sozinho e habitar a própria solidão. A primeira dói; a segunda pode ensinar.”
— Juliana Hoffmann Liska
Dói tanto quando me olham sem me enxergar. Seus olhos varrem minha alma como vento frio, deixando-a exposta, nua, sem eco. Um joelho ralado sangra rápido, cura com band-aid e tempo; mas um coração partido? Esse fere devagar, sangra em silêncio, eternamente. Cada olhar vazio é uma faca cega, rasgando o que resta de mim. Prefiro a dor física, palpável, à essa ausência cruel que me apaga. Por que ver o corpo e ignorar a essência que implora ser notada?
Lutar dói, e às vezes parece até inútil…Mas saber que há uma força maior me dizendo "confia em Mim", me faz andar e acreditar um pouco mais. Me faz Acreditar que, no fim, tudo vai ficar bem.E que, o fim, é só o começo de um novo capítulo.
Com Deus a caminhada é melhor, e feito com propósito.
Para muitos veteranos, o que mais dói é sentir a distância se multiplicar dos amigos fraternos, com quem compartilharam momentos mágicos e inesquecíveis, tempos em que a felicidade, a cumplicidade, a lealdade e a parceria eram companheiras fiéis. Com o tempo e a fadiga natural da matéria, restam hoje a saudade e, depois, as lembranças, em qualquer dimensão.
Peito que dói na angústia
De um sentimento não correspondido,
Desejando o impossível,
Vivendo dias cinzas,
Bebendo a amargura da tristeza
Que faz a alma agonizar
Por amar... e não ser amado.
Um tapa dado com flores dói mais que um coice de cavalgadura, no final das contas, a decepção fere muito mais do que a intenção.
(Des)esperança
“- Ah, como dói viver quando falta a esperança!”
Não há sol que aqueça.
Não há noite que amanheça.
Quando a alma esperança não mais alcança.
Tudo passa vagarosamente...
se dilui... desaparece...
estrangeiro no mundo
a vida se desvanece.
Cores desbotadas.
Descolorindo a monotonia dos dias...
“O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento”
Só desalento o que sinto por dentro.
Pressinto um medo...
Um mau presságio...
Velozmente está chegando perto do fim o meu momento.
Cada vez mais desentendo a vida...
Chega com as cartas marcadas...
Traçada da entrada à porta de saída...
a desesperança não é um luxo de ninguém...
é apenas um capricho da vida!
Rosangela Calza
Da mudança
Mudar dói... mas mais do que permanecer no mesmo lugar desértico, frio e desesperançável?
Minha zona de conforto se amplia a cada dia. Estou feliz nela? Acho que não. Não... definitivamente não. Mas... Já a conheço tão bem... tudo nela é tão previsível... não há canto escuro ou obscuro pelo qual eu já não tenha passado, olhado, acariciado e colocado bem no fundo do baú. Mas dentro do meu campo de visão... bem à minha mão.
Oras, não sou boba nem nada... o conhecível me faz bem, me dá segurança... tudo bem que tenho de engolir todos os sapos que pululam ao meu redor, mas sei o chá que devo tomar pra não sofrer intoxicação mortal. E há sapos que não são tão venenosos... dá pra engolir de boa mesmo.
Então, não mudo, não sofro. Resignadamente me resigno a tudo e a todos, todos os dias. Mas na segurança do caminho conhecido, of course. Vou eu enfrentar preocupações com mudanças? Sei onde estou. Sei o que tenho. Punto e basta.
Mesmo?
Não sou boba nem nada. Conheço a frase 'melhor um pássaro na mão do que dois voando'... mas sei que isso me diz: 'fique com o menor, assegure-se, mantenha firme o pouco que você tem... deixa ir o maior... dispense o grande'.
Por que, então, conhecedora de que pode haver o melhor, o maior, o mais confortável, o sucesso, a alegria, a paz... e mil e umas outras coisinhas maravilhosas com uma mudançazinha aqui e acolá, eu fico amarrada no mesmo lugar?
Por que fico pagando um preço (talvez alto demais) por uma pseudosegurança?
Se eu agir é sempre fitty-fiffty. E mesmo que seja, como resultado, o fifty
-50%, só o fato de eu ter disposição para correr risco já me faz ganhar... e vai que o resultado seja mesmo o +50%?
Entonces... mudar dói (exige um certo esforço)... mas... se não se mudar nunca se poderá saber o resultado do passo em direção à mudança... e essa adrenalina é boa... ah!!!! se é.
Soneto de Nenhuma Dor
Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma,
Nenhuma palavra pode até ser um soneto,
Nenhum sorriso não quer dizer tristeza,
Nenhuma verdade torna o silêncio obsoleto.
Nenhuma dor me traz a solidão,
Nenhuma ausência me faz sentir sozinho,
Tanta paixão me deu nenhum amor,
A solitude amplia meu caminho.
Nenhum ocaso me faz pensar que é tarde,
Nenhuma verdade me faz refém do medo,
Nenhum perdão me ameniza a mágoa.
Nenhuma lembrança é a dor que ainda arde,
Nenhuma saudade tem o gosto azedo,
Nenhuma agrura me arranha a alma.
as vezes ficar louco é preciso
para arrancar o ciso que dói,
prefiro viver vilão
que morrer herói...
Chorar dói, é um nó na garganta. Era o que eu pensava, mas hoje, que me permito reconhecer que tenho sentimentos — e, especialmente, no tempo atual, mais intensos que o normal — percebo que chorar não dói. O que dói é o sentimento entalado, se recusando a sair por alguma razão, apesar de querer sair de qualquer forma.
Me intriga como sentimentos podem nos mutilar no âmago do nosso ser quando somos tão taciturnos. Dores explícitas são dores, mas as ocultas são torturas. Te fazem agonizar amargamente, de dentro para fora. Culpa, tristeza, insegurança… a cada parte do seu corpo, se espalhando feito uma praga, bem devagar, lá no fundo, se certificando de que não sobrará nada para recorrer à recuperação.
Você está sentindo isso, e sabe onde vai dar. Prematuramente, você ainda pode evitar, mas escolhe arriscar. Machuca. Você se machuca. Você morre de dentro para fora, sem propósito, sem felicidade, sendo o aconselhador dos tristonhos quando se está mais destruída do que alguém que já se destruiu.
Quer saber? Chorar dói sim. A garganta fecha, as lágrimas caem, dilacerando meu rosto, o coração dói. Não acredito nesse papo de chorar de felicidade. Quem se submete a tanta dor por estar feliz? Afinal, eu não sei. Talvez nunca tenha estado tão feliz a esse ponto, mas não irei pedir para que alguém me faça feliz, ou pedir a um ser divino para me ajudar. Afinal, eu falo tanto que um pedido de ajuda passaria despercebido, assim como tudo o que eu falo passa despercebido diversas vezes. Mas, como dizem, é só tomar um remédio pra calar a boca, e fica tudo bem para eles. Não me atrevo a dizer para ninguém: há segredos e dores que morrem conosco.
